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08/07/2014 14:10

Direita ou esquerda

Por Benedicto Ismael Camargo Dutra (*)

A humanidade ainda permanece desconhecedora das leis primordiais da Criação. Em decorrência, a atividade humana não consegue produzir os frutos que deveria, pois age em sentido contrário, gerando pobreza, guerras, doenças. Na Criação tudo foi sabiamente organizado para que nenhuma criatura tivesse de sofrer com as necessidades materiais, pobreza e miséria, desde que se movimentasse de forma adequada, buscando a paz e o desenvolvimento humano.

Durante séculos, no mundo ocidental, os governantes se mantiveram atrelados ao poder da Igreja. A partir do final do século 19 teve início o processo de separação. Após duas guerras mundiais surgiram duas concepções que se contrapõem na gestão dos Estados. De um lado os financistas e os teóricos, que defendem o Estado mínimo em suas interferências, deixando que os humanos resolvam entre si suas relações econômicas e comerciais através do mercado. Formam a direita. De outro, estão os desenvolvedores das ciências sociais que defendem a interferência do governo para fortalecer o Estado no sentido de propiciar o bem-estar social e proteger os cidadãos da exploração econômica através de elevada taxação de impostos. Formam a esquerda. Às vezes estes últimos interferem de forma populista na economia, acarretando mais estragos do que benefícios.

Confiscar a propriedade alheia para resolver os problemas da miséria criada pelos humanos não é a forma correta de governar. Há também regimes fortes, o chamado capitalismo de Estado, com o planejamento estatal da atividade econômica, sem liberdades individuais.

Por melhores que sejam as intenções, ambos os sistemas não conseguiram estabelecer uma convivência pacífica e laboriosa. Ao afrontar as leis da Criação, os humanos criaram um mundo de sofrimentos e misérias. As estruturas de governo se tornaram gigantescas e lentas, incapazes de focar no que é importante e fazer diagnósticos corretos impulsionando as decisões. O poder do governo de tomar decisões vai ficando cada vez mais limitado; no entanto, não perderam a capacidade de contrair empréstimos e encher o Estado de dívidas.

Quando o governo atua como o controlador de empresas estatais, isso possibilita muitas negociações para atender a interesses particulares. As empresas transnacionais até reservam um percentual do resultado para obras sociais, mas por estarem distantes da população, não ocorre o comprometimento com a melhora.

Agora o mundo ficou interligado pela globalização que avança sobre as fronteiras dos Estados impondo a abertura dos mercados, das finanças e a nivelação do padrão de vida, que regride em algumas regiões e melhora um pouco em outras. Há a padronização da cultura com superficialismo. Os capitais circulam pelo mundo buscando mão de obra de menor custo e melhores condições para implantar as fábricas. Criou-se uma estrutura de produção dita global, pois os componentes se produzem em diferentes locais e sua montagem geralmente ocorre em outros, promovendo o aumento da desigualdade. Os Estados perdem espaço, pois o controle lhes foge das mãos, enquanto a riqueza tende a uma crescente concentração. Em orçamentos apertados, a boa educação e o preparo para a vida vão deixando de ser prioritários.

Ficou evidente que não vai dar para que toda a população do planeta tenha o mesmo padrão de consumo dos Estados Unidos. Além da limitação dos recursos naturais, enfrentamos a mudança no clima, ameaça muito séria para a sobrevivência. O desejo de possuir automóvel é legítimo para cada indivíduo, mas não há plena conscientização das atuais condições do meio ambiente. Com a existência de sobra de petróleo, quem vai procurar energia limpa?

Abdruschin (1875-1941), o autor da Mensagem do Graal, se esquivava de falar sobre política social, pois sabia que, falasse o que falasse sobre isso, seria admoestado por aqueles que viam nele a intenção de obter beneficio próprio com o teor de suas palavras. No entanto, disse uma vez, que os governantes deveriam ter como meta a elevação da cultura e da população; favorecer a propriedade particular e dar garantias a elas. Os cidadãos de um Estado, mediante sua maneira de viver, devem zelar pela paz, pelo bem estar e florescimento interno da casa; os governos devem executar as atividades para fora, para o desenvolvimento e florescimento interno e manutenção da paz, mediante ligações com outros Estados e povos. Cada parte cuidando atentamente de suas atividades sem estorvar-se mutuamente, mas sim se apoiando. Porém, a paz e a prosperidade somente poderão ser alcançadas com o respeito à lei primordial da Criação, do equilíbrio. Somente onde o dar e o receber se mantiverem em completo equilíbrio é que haverá paz e felicidade.

Trata-se de um texto bem resumido é verdade, mas se bem examinado observa-se a sua abrangência tendente à coexistência pacífica, visando o progresso e a evolução da humanidade. Quando existem alvos comuns e nobres a serem alcançados, os humanos se associam de bom grado a um poder comum reconhecido como justo e confiável.

(*) Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, e associado ao Rotary Club São Paulo. Realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros “ Conversando com o homem sábio”, “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”, “O segredo de Darwin”, e “2012...e depois?”. E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

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