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Karatê no presídio

Por Por Vladimir Polízio Júnior* | 09/12/2011 13:30

O Estado do Espírito Santo tem oferecido aulas de karatê para cerca de 30 presidiários em Vila Velha, o que motivou pedido de esclarecimentos do Ministério Público junto à Secretaria de Segurança Pública, já que os agentes carcerários estavam temerosos com as consequências dessa atividade.

Na edição de 2 de dezembro de “A Gazeta”, o vice-presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários, Denys Mascarenhas, denunciou: "Os presos que estão fazendo as aulas são justamente os mais problemáticos e violentos. Em vez de aprenderem uma profissão, eles estão aprendendo a imobilizar e até a matar uma pessoa". Já para a diretora de Ressocialização da Secretaria de Justiça, Quesia da Cunha Oliveira, "Problemas de disciplina sempre ocorrem em momentos de tensão e o que estamos fazendo agora, com as aulas, é diminuir essa tensão"; ela informa que as aulas começaram há menos de um mês e os benefícios são inquestionáveis, porque "Essa prática ocorre no mundo inteiro e foi inspirada na experiência desenvolvida nas prisões do Rio de Janeiro. A ideia não é apenas ocupar o tempo dos presos, mas utilizar a filosofia da arte marcial na ressocialização dos detentos, promovendo inclusão social e a mudança de atitude dessas pessoas".

Com razão a diretora. Não há risco algum para a integridade dos agentes penitenciários, e nem dos próprios presos, que existam aulas de artes marciais. Afinal de contas, salvo raríssimas exceções, nossos presídios apenas acolhem pessoas inocentes, que não representam nenhum risco à sociedade. Na verdade, melhor seria instruí-los até mesmo com aulas de tiro, já que alguns estão familiarizados com o uso de pistola ou fuzil, e são esportes olímpicos.

Contra essa miopia do Estado, salutar a intervenção do Ministério Público. Não é ser contra a prática esportiva, mas pela priorização de atividades que insiram o detento no mercado de trabalho e lhe ensinem uma profissão. Há, ainda, outros esportes menos violentos, como o xadrez e o vôlei, sem dizer no bom e velho futebol. O que não se pode perder de vista é que a grande maioria dos que cumprem pena cometeram algum delito, e é por essa conduta que estão presos.

(*) Vladimir Polízio Júnior, 41 anos, é defensor público

(vladimirpolizio@gmail.com)

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