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Mentes brilhantes: o legado de mulheres cientistas judias no Brasil

Por Maria Luiza Tucci Carneiro (*) | 12/02/2026 13:30

Para o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, o Laboratório de Estudos sobre Etnicidade, Racismo e Discriminação (Leer), sediado no Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, homenageia um grupo especial de mulheres cientistas que, a partir de 1933, encontraram refúgio no Brasil fugindo do antissemitismo e das perseguições empreendidas pela Alemanha nazista e países colaboracionistas. Violentadas em seus direitos, essas mulheres desafiaram a ordem instituída pelo regime totalitário alemão, enfrentando o sexismo, o antissemitismo e a perseguição política simplesmente por serem judias. Suas trajetórias desde a Europa até o Brasil são lições de vida e de resiliência.

Embora o nazismo procurasse impedir as mulheres judias de serem progenitoras, de frequentarem as universidades sob a acusação de atentarem contra a ordem instituída em prol de uma raça pura e de uma nação forte, milhares delas desafiaram as restrições raciais legalizadas pelo Estado alemão. Expulsas de seus cargos nas universidades e de tantos outros centros de referência acadêmica, essas mulheres afrontaram a proposta de aniquilação física e intelectual do regime nazista. Além de tentarem preservar suas vidas, assim como dos seus familiares, procuraram manter sua integridade científica, remando contra o poder do Estado dedicado a moldar mentes e instrumentalizado para descartar corpos “indesejáveis”.

Ao fugirem para outros países, dentre os quais o Brasil, essas mulheres perturbaram a ordem nacional-socialista que as rejeitava como pessoas de raça degenerada, incapazes de gerar crianças (puras) e de produzirem conhecimento. Daí o regime proibir casamentos mistos, assim como a presença das mulheres judias nas universidades, procurando, simultaneamente, interromper a continuidade de um conhecimento científico emergente. O confisco de suas publicações e/ou a interrupção de suas pesquisas, promoveram um déficit de informações identificadas como “ameaçadoras à ordem instituída”.

A fuga forçada – muitas vezes desenfreada por caminhos imprevisíveis – expressa o grau da violência institucionalizada que culminou com a morte de cerca de dois milhões de mulheres assassinadas durante o Holocausto. Apesar das restrições impostas pelas Circulares Secretas antissemitas adotadas durante os governos de Getúlio Vargas e Eurico Gaspar Dutra entre 1937-1950, um contingente expressivo dessas mulheres cientistas, judias, conseguiu ingressar no Brasil, muitas vezes portando vistos falsos de católicas ou declarando-se apenas como “de prendas domésticas”.

No Brasil, preservaram sua identidade judaica, muitas vezes vivenciada de forma restrita ao seu grupo familiar, cientes da postura antissemita do governo brasileiro. Como a maioria dos refugiados, mantinham-se discretas, acuadas pelo medo e pelo trauma de terem perdido seus familiares assassinados nos guetos e/ou nos campos de extermínio. Rompendo as barreiras físicas e psicológicas, essas mulheres abriram caminhos, conquistando seus lugares no mundo científico brasileiro do pós-guerra. Se o ato da fuga foi um desafio ao nazismo, suas contribuições à ciência brasileira, devem ser interpretadas como exemplos do pioneirismo das mulheres judias que, somando forças com as demais frentes femininas, romperam com os paradigmas impostos por uma sociedade machista e patriarcal. Graças a atuação dessas mulheres cientistas, o tema do ativismo feminino no mundo científico saiu do limbo oficial da História, lado sombrio da memória. As Fichas Consulares de Qualificação e os processos de permanência e de naturalização sob a guarda do Arquivo Nacional do Rio de Janeiro, são hoje, um acervo privilegiado sobre essas pioneiras: médicas, químicas, professoras, sobreviventes do genocídio, representantes de uma tradição cultural e científica.

Essa é a proposta que move os pesquisadores do projeto Travessias – Enciclopédia de Artes, Literatura e Ciências, desenvolvido pelo LEER desde 2017, em andamento. Para este segmento (cientistas) contamos com a parceria do Centro de Memória Butantan, sendo o grupo coordenado pela Dra. Yara Monteiro (Instituto de Saúde Pública) junto ao Núcleo de Discriminação do LEER/USP. Estamos abertos aos interessados em colaborar com novos verbetes, em todas as áreas do conhecimento. Com a colaboração de especialistas multidisciplinares, pretendemos divulgar como essas mulheres cientistas refugiadas no Brasil contribuíram de forma relevante para o desenvolvimento do conhecimento, assim como para a formação de recursos humanos para a ciência e tecnologia no Brasil. Suas descobertas alteraram a nossa forma de ver e ordenar o mundo, rompendo paradigmas impostos por uma sociedade que nem sempre reconhece o valor de uma mulher inteligente.

De forma inédita, suas ideias brilhantes colocaram em prática projetos em prol da ciência e tecnologia colaboraram para alcançar a igualdade de gênero. Como judias e cientistas enfrentaram os desafios em ambientes de misoginia, antissemitismo e xenofobia vigente dentro do universo acadêmico e das ciências. Através de seus saberes, elas contribuíram para quebrar estereótipos e mitos políticos, não medindo esforços para que fossem reconhecidas. Muitas outras continuam invisíveis e, até mesmo anônimas, apesar das suas mentes brilhantes.

Algumas biografias

Adelheid Lucy Koch
(Berlim, Alemanha, 1896–São Paulo, Brasil, 1980)
Área de atuação: Psicanálise
Adelheid Lucy Koch era psicanalista alemã formada no Instituto de Berlim. Em 1937, veio ao Brasil para ser a primeira psicanalista com formação reconhecida pela Internacional Psychoanalytical Association a atuar na América Latina e a exercer a análise didática, formando psicanalistas brasileiros.
Em 1951, a Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo, primeira sociedade psicanalítica latino-brasileira reconhecida pela International Psychoanalytical Association, teve Adelheid Koch como analista didata pioneira do grupo organizado por Durval Marcondes. Considerada a primeira analista didata em função em solo brasileiro como foi a principal professora e ligação da psicanálise exercida em São Paulo e aquela desenvolvida por Freud na Alemanha, consolidando assim a presença da clínica psicanalítica, seu ensino e prática na cidade.

Alina Perlowagora-Szumlewicz
(Edwabne, Império Russo Atual Polônia, 1911–Rio de Janeiro, 1987)
Áreas de atuação: Ciências Naturais, Fisiologia Aplicada, Malariologia e Doenças Tropicais
Alina fez história em território brasileiro ao implementar uma metodologia para o diagnóstico da febre amarela, na década de 1940. Manipulou o vírus amarílico em laboratório, inoculando e acompanhando a infecção em camundongos, morcegos e macacos, além de estudar as curvas de anticorpos em primatas. Enfrentou outras grandes endemias: a esquistossomose – destacando-se com trabalhos sobre biologia e fisiologia dos moluscos transmissores, ações dos moluscicidas e a resistência dos vetores à sua aplicação – e doença de Chagas, à frente de pesquisas sobre medidas de controle do barbeiro, conjugando métodos biológicos e químicos. Atuou como pesquisadora da Fiocruz.

Anita Dolly Panek
(Cracóvia, Polônia, 1930–Cracóvia, Polônia, 2024)
Área de atuação: bioquímica
Nascida em Cracóvia, filha de judeus asquenazistas, mudou-se para o Brasil em 1940, após a invasão nazista na Polônia. Bioquímica, naturalizada brasileira e pesquisadora da área do metabolismo energético utilizando a célula de levedura Sua principal contribuição foi sobre o metabolismo da trealose como protetor da membrana celular e de e de proteínas , quando a célula é submetida a estresses ambientais. Membro da Sociedade Brasileira de Bioquímica e Biologia Molecular e da Academia Brasileira de Ciências, membro também da American Society for Biochemistry and Molecular Biology. Recebeu, em 1996, a medalha da Ordem Nacional do Mérito Científico da da Presidência da República.

Betti Katzenstein
(Hamburgo, Alemanha, 1906–São Paulo, Brasil, 1981)
Área de atuação: Psicologia e Educação
Psicóloga, Betti Katzenstein Schoenfeldt iniciou suas pesquisas na Alemanha. Em 1927 estudou com William Stern na Universidade de Hamburgo onde concluiu o curso e doutorou-se em Filosofia, direcionada à Psicologia. Em coautoria com William Stern, Betti Katzenstein escreve artigo com estudos sobre a credibilidade diferente de crianças gêmeas em um processo judicial sobre delito sexual. Em 1936/37, Betti transfere-se para São Paulo e posteriormente naturaliza-se brasileira. Pioneira nos estudos sobre os testes psicológico, estabeleceu normas para avaliação, em nosso meio, produzindo trabalhos comparativos de testes como Rorschach e Mosaico de Lowenfeldt. O teste recebeu o nome de Becasse Atitudes Socioemocionais.

Blanka Wladislaw
(Varsóvia, Polônia, 1917–São Paulo, Brasil, 2012)
Área de atuação: Eletroquímica Orgânica
A polonesa Blanka Wladislaw, nascida 1917, chegou ao Brasil aos 14 anos e é lembrada pelo pioneirismo nos estudos e no ensino da Química. Na década de 1950, após estudar no Imperial College of Science and Technology da Universidade de Londres, iniciou no Brasil uma nova linha de pesquisa no campo de Eletroquímica Orgânica. Foi, também, responsável pelo ensino e pesquisa de Química Orgânica no Departamento de Química da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP até a formação do Instituto de Química da USP, em 1970.

Eveline Du Bois Reymond
(Berlim, Alemanha, 1901–São Paulo, Brasil, 1990)
Área de atuação: Zoologia
Eveline Du Bois Reymond, de tradicional família de cientistas, neta do grande Emil Du Bois Reymond (um dos modeladores da fisiologia moderna) e uma excelente desenhista. Casada com o zoólogo Ernst Marcus, colaborou em suas pesquisas, principalmente sobre diversos grupos de invertebrados (protozoários, ctenóforos, platelmintos, nemertinos, anelídeos, tardígrados, onicóforos, briozoários, gastrópodes e picnogonídeos). Após a morte de Marcus em 1968, ela continuou seus estudos, publicando cerca de 30 artigos, principalmente sobre moluscos opistobrânquios.

Gerta Von Ubisch
(Metz, Alemanha, 1882–Heidelberg, Alemanha, 1985)
Área de atuação: Botânica, Genética e Fitopatologia
Gerta graduando-se em física 1911, área que abandonou para enveredar-se para a botânica, trabalhando como assistente de Carl Correns. geneticista alemão. Em 1921, tornou-se assistente no Instituto de Botânica da Universidade de Heidelberg, sendo a primeira mulher da instituição a receber permissão para lecionar. Em 1933, teve seu contrato rescindido por sua ascendência judaica, sendo obrigada a emigrar. Chegou no Brasil em 1935, aos 52 anos, onde assumiu o cargo de chefe da Seção de Genética do Instituto Butantan, realizando melhorias na produção de soros hiperimunes, na seleção de cavalos e de forrageiras utilizadas para alimentação dos animais. Deixou o Butantan em 1938, representando a primeira página da história do Laboratório de Genética do Instituto Butantan. Aos 70 anos, retornou à Europa em situação de pobreza e passou boa parte dos seus últimos anos lutando para ser reconhecida como servidora pública e, assim, ter acesso aos seus direitos.

Gertrudes Siegel Alterthum
(Alemanha, 1892–Bad Soden am Taunes, Alemanha, 1981)
Área de atuação: Zoologia e Biblioteconomia
Gertrudes Siegel Alterthum veio ao Brasil como assistente técnica do professor Ernest Breslau, para organizar a biblioteca unificada das Cadeiras de Fisiologia e Zoologia. Graduada na Alemanha com formação científica paralela à do Assistente docente, fazia também traduções de escritos em alemão para os cursos do professor Sawaya. Gertrud Siegel representava um tipo novo de colaborador dos catedráticos. Era uma pessoa culta e, como dominava o alemão, foi de grande valia na tradução de textos e de protocolos experimentais, nessa língua, para as aulas teóricas e práticas de Zoologia e Fisiologia. A Biblioteca que as Cadeiras de Fisiologia e Zoologia formaram ao longo dos anos é, sem dúvida, uma das melhores do país no tocante às especialidades. Gertrudes aposentou-se em 1963 deixando um importante legado.

Hertha Meyer
(Berlim, Alemanha, 1902–Rio de Janeiro, Brasil, 1990)
Área de atuação: Biofísica
Hertha Meyer nasceu no seio de uma família judia não abastada. Estudou na escola Lette-Haus em Berlim, liceu de cursos profissionalizantes exclusivo para mulheres, já que mulheres não tinham acesso à universidade. Na década de 1930, com ascensão do nazismo e a perseguição aos judeus alemães, Hertha fugiu para Itália, radicando-se Turim, trabalhando no laboratório de Giuseppe Lev. Com Rita Levi-Montalcini dedicou-se ao cultivo de células neuronais. Após a publicação do Manifesto della razza, de Mussolini, emigrou para o Rio de Janeiro, atuando em Manguinhos e na UFRJ, sem contratos estáveis com a universidade federal, por ser judia e alemã. Apesar das adversidades, desenvolveu pesquisas sobre o cultivo de células e infecção por protozoários como o T. Cruzi, referências até hoje.

Johanna Döbereiner
(Aussig, Tchecoslováquia, 1924 – Seropédica (RJ), Brasil, 2000)
Área de atuação: Engenharia do solo
Johanna Döbereiner foi uma engenheira agrônoma que revolucionou a agricultura. Demonstrou que, na sojicultura no Brasil, era possível utilizar certos tipos de bactérias que fixam o nitrogênio, dispensando o adubo mineral que é caro e nocivo ao meio ambiente. Durante os anos 1990, Johanna era a mulher brasileira mais citada pela comunidade científica e, em 1997, foi indicada ao Nobel de Química. Obteve assento na Pontifícia Academia de Ciências Em 1996 recebeu o Prêmio por Excelência, Destaque Individual.

Marta Vanucci
(Florença, Itália, 1921–São Paulo, Brasil, 2021)
Área de atuação: Ciências Biológicas
É uma das mais renomadas pesquisadoras de ecossistemas de manguezais do mundo. Aposentou-se como professora da USP e como Sênior Expert in Marines Science da Unesco. Foi conselheira honorária International Society of Mangrove Ecosystems (ISME).
Primeira mulher a se tornar membro titular da Academia Brasileira de Ciências, uma das principais responsáveis pela criação do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IOUSP), e da construção do primeiro navio oceanográfico.

Malvine Zalcberg
(Antuérpia, Bélgica, 1934–São Paulo, Brasil, 2025)
Área de atuação: Psicologia Clínica
Malvine Zalcberg foi psicóloga, psicanalista e doutora em Psicanálise. Chegou ao Brasil em 1941, no contexto de fuga do avanço nazista na Europa, com o visto concedido pelo lendário embaixador Souza Dantas. Com uma longa trajetória acadêmica na Universidade do Rio de Janeiro (UERJ), dedicou-se a transmitir os conceitos psicanalíticos ao grande público, aliando clareza na linguagem a um sólido rigor teórico. Atuou no Instituto de Psiquiatria, onde coordenou o Setor de Família e a Especialização em Terapia de Família. Em associação com o Instituto de Psicologia, Malvine criou o Curso de Especialização em Psicologia Clínica. Escreveu obras relevantes sobre as questões complexas que envolvem as teorias freudiana e lacaniana do feminino, com exemplos extraídos da clínica analítica, da literatura, do cinema e dos problemas emergentes na cultura contemporânea.

Ruth Sontag Nussenzweig
(Viena Áustria, 1918–Nova Yorque, EUA, 2018)
Áreas de atuação: Biologia (Imunologia, Microbiologia, Parasitologia)
Médica e pesquisadora, pioneira na área de parasitologia e imunologia, conhecida em especial por sua pesquisa sobre vacinas para malária. Austríaca de origem judaica, Ruth mudou-se com seus pais para o Brasil para escapar à perseguição nazista aos judeus. Em 1948 ingressou na Escola de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) onde conheceu Victor Nussenzweig, seu marido e colega de profissão. Os primeiros estudos de Ruth foram focados no Trypanosoma Cruzi, parasita causador da doença de Chagas: Ruth e Victor estabeleceram melhorias no método de detecção da doença e descreveram a capacidade de o corante violeta de genciana matar o parasita no sangue sem torná-lo tóxico. Esta descoberta teve grande impacto na prevenção da doença, que pode ser transmitida por meio de transfusão de sangue infectado, e, por décadas, as bolsas de sangue usadas para transfusão na América Latina eram azuis devido à presença do corante. Ruth também investigou a malária, causada pelo parasita Plasmodium e transmitida pelo mosquito Anopheles infectado por uma forma do Plasmodium denominada esporozoíto. Ruth descobriu que a irradiação por raios X do mosquito infectado enfraquece o esporozoíto, fazendo com que este não seja mais capaz de desencadear a doença, mas ainda suficiente para gerar uma resposta imune de proteção contra a malária em animais de laboratório. Assim, abria-se o caminho para o desenvolvimento de uma vacina. Recebeu a Ordem Nacional do Mérito Científico em 1998 pela sua contribuição à ciência.

Regine Feigel
(Ottynia, Império Áustro-Hungaro, 1897 – Rio de Janeiro, Brasil, 1991)
Área de atuação: Química
Regine Feigel, nascida em uma família judia polonesa em 1897, estudou em Viena, à época capital do Império Austro-Húngaro. Fugiu dos nazistas com o marido, o químico Fritz Feigel, e o filho, de Bruxelas até Lisboa para o Brasil, em 1940. Feigel era doutora em Química, engenheira nata e com sólidos conhecimentos de finanças e de economia. Responsável pela construção do moderno Edifício Avenida Central, no coração do Centro do Rio, o primeiro e o mais alto prédio erguido sobre estrutura de aço pré-moldado produzido no Brasil. Rompeu assim o ostracismo das mulheres que inovaram o empreendedorismo no século passado.

Yvonne Jean da Fonseca
(Antuérpia, Bélgica, 1911 – Brasília, Brasil, 1981)
Áreas de atuação: Medicina Tropical, Histologia, Jornalismo e Letras
Yvonne passou a se chamar Yvonne Jean (Fonseca de casada). Era jornalista, escritora, tradutora, professora universitária. Técnica de neuropatologia no Instituto de Neuropolia do Rio de Janeiro, defensora da emancipação feminista. Seu contrato como técnica de Histologia Patológica do Sistema Nervoso no Serviço Nacional de Doenças Mentais data de 24 de outubro de 1941. Mudou-se para Brasília a convite de Darcy Ribeiro.Trabalhou no Correio Braziliense e no Correio da Manhã como biógrafa de notáveis. Atuou como professora da Universidade de Brasília. Foi presa durante a ditadura militar brasileira.

(*)  Maria Luiza Tucci Carneiro, professora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP

 

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