Igreja Católica lança Campanha da Fraternidade 2026 com foco em moradia digna
A proposta vai além da denúncia social; o objetivo é mobilizar comunidades e fortalecer parcerias

A Igreja Católica deu início à Campanha da Fraternidade 2026 em Mato Grosso do Sul com o tema “Fraternidade e Moradia – ‘Ele veio morar entre nós’ (João 1,14)”.
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A Igreja Católica lançou a Campanha da Fraternidade 2026, com o tema “Fraternidade e Moradia – ‘Ele veio morar entre nós’”. O evento ocorreu na sede da CNBB Regional Oeste, reunindo bispos, lideranças religiosas e representantes da sociedade civil. O foco é o acesso à moradia digna, problema que afeta milhões de brasileiros, com mais de 24 milhões vivendo em condições inadequadas. A campanha busca mobilizar comunidades e fortalecer parcerias com o poder público, além de destacar iniciativas já existentes, como casas de acolhimento e projetos paroquiais. A vereadora Luiza Ribeiro ressaltou a importância do debate, citando a necessidade de 114 mil novas moradias em Campo Grande até 2035. A Campanha da Fraternidade, iniciada em 1964, continua sendo uma das principais ações de conscientização social da Igreja Católica no Brasil.
O lançamento ocorreu durante conferência no auditório da sede da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) Regional Oeste, reunindo lideranças religiosas e representantes da sociedade civil.
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Quatro bispos participaram do evento, entre eles Dom Henrique, da Diocese de Dourados e vice-presidente da CNBB Regional Oeste 1, responsável pela abertura com a primeira oração da campanha.
A escolha do tema coloca em evidência um dos problemas sociais mais persistentes do país: o acesso à moradia digna.
Secretário executivo da campanha da CNBB, o padre Jean Paul, destacou a dimensão do desafio habitacional brasileiro.
“Ao menos metade da população brasileira padece nas condições de moradia, de alguma forma. E é por isso que nós fazemos campanha. São meus irmãos e minhas irmãs”, afirmou.
O religioso também apresentou dados alarmantes: “No Brasil são mais de 24 milhões de pessoas vivendo em moradias inadequadas, em áreas de risco.”
A proposta da campanha vai além da denúncia social. Segundo o arcebispo de Campo Grande, Dom Dimas Lara Barbosa, o objetivo é mobilizar comunidades e fortalecer parcerias.
“Cada comunidade deve ser criativa e descobrir de que maneira vai viver concretamente a campanha. É realmente o tipo de campanha em que a parceria com o poder público é essencial e esse trabalho de conscientização também.”
Dom Dimas diferenciou a realidade de quem vive em moradias precárias e das pessoas em situação de rua, ressaltando iniciativas já existentes na Capital, como as casas de acolhimento Lar São Francisco e Lar Clara de Assis, além de projetos paroquiais de assistência e reintegração.
Presente no lançamento da campanha, a vereadora de Campo Grande, Luíza Ribeiro (PT), também destacou a importância do debate.
“Não podemos esquecer que para construir as moradias, nós temos que ter terreno outros diversos fatores, isso é um problema nas cidades. Na hora que a gente constrói a moradia, tem que ter saneamento, água, esgoto, energia, transporte, colégio para as crianças, tem que ter a saúde. Então nós temos que pensar no que é estruturante na vida das pessoas, e quando a gente fala de moradia, é todo esse contexto”
A parlamentar citou estudos que projetam a necessidade de 114 mil novas moradias em Campo Grande entre 2023 e 2035, enfatizando que habitação envolve infraestrutura completa, como saneamento, energia, transporte, educação e saúde.
A origem da Campanha da Fraternidade - A Campanha da Fraternidade surgiu a partir de um contexto de dificuldades enfrentadas pela Cáritas Brasileira no final da década de 1950.
Até então, o organismo social da Igreja dependia majoritariamente de recursos externos, especialmente da Conferência Episcopal dos Estados Unidos. Com o anúncio de que os repasses seriam interrompidos, a Igreja no Brasil precisou buscar alternativas para sustentar suas ações caritativas.
Foi nesse cenário que Dom Eugênio Sales incentivou Dom Henrique, na época padre e posteriormente arcebispo de Natal (RN), a conhecer a experiência alemã da Misereor, campanha quaresmal voltada à solidariedade e justiça social. Após a visita à Alemanha, Dom Henrique trouxe o modelo ao Brasil.
A primeira experiência ocorreu em 1962, na Diocese de Natal (RN), expandindo-se em 1963 para as dioceses do Nordeste. Em dezembro daquele ano, Dom Hélder Câmara, então secretário-geral da CNBB, enviou carta ao episcopado brasileiro propondo a adoção nacional da iniciativa.
Assim, em 1964, a Campanha da Fraternidade foi realizada pela primeira vez em âmbito nacional, tornando-se uma das mais importantes ações de conscientização social da Igreja Católica no país, sempre durante o período da Quaresma.
Desde então, a campanha aborda anualmente temas sociais relevantes, estimulando reflexão, solidariedade e transformação social.
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