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Campo Grande, Terça-feira, 28 de Março de 2017

23/05/2015 14:00

Não tem solução para a saúde

Por Alfredo Arruda (*)

O modelo brasileiro de saúde, se não está vencido, no mínimo é mal gerido. Qualquer meio de comunicação está esgotado e repetitivo por divulgar os absurdos da saúde brasileira. Um país com diversidade cultural e geopolítica como o nosso não pode ter uma gestão nacional de saúde. No máximo serviria para instituir normas. Aqui eu quero dizer que deram aos municípios a responsabilidade, todavia, o dinheiro continua em Brasília.

Não se faz saúde dando consultas e dando remédios. Esta atividade é a parte do insucesso do sistema. Fazer saúde é cuidar da educação, dos hábitos e costumes, da Saúde Pública: que engloba saneamento básico, água de qualidade, higiene individual e coletiva, educação alimentar e, fundamentalmente, educação moral e cívica. Um povo com bons costumes é um povo saudável. Dar remédio e dar consulta é para combater as doenças inevitáveis.

Há muito tempo assisto aos governos de todos os níveis, quando eleitos, distribuírem as pastas de governo, conforme o dinheiro que tem. As que detêm pouco dinheiro são negociadas para os “apoios” políticos. Os governos devem cuidar de Saúde, Educação e Segurança. Estas áreas, comparadas com a Fazenda, Obras e Segurança são as áreas da barganha.

Nos últimos anos a Saúde conseguiu ser disputada por ser compradora: medicamentos, aparelhos, reposições e próteses, assim como material de altíssimo custo. Aprenderam a viabilizar vantagens nesses procedimentos.
A Saúde passou a ser atraente, mais pelo volume de dinheiro do que pelo poder político. Estes interesses destroem a capacidade de pensar a Saúde e não pensam, tocam o sistema como tal se apresenta.

Médicos mal remunerados são desmotivados. Nem o mutirão salva a catástrofe. Vejam vocês com seus informantes: quanto ganha um delegado de Polícia? Um ATE da Secretaria da Fazenda? Um fiscal de Renda? Não dá para comparar com a área médica, é simplesmente ridículo. Querem piorar a coisa? Quanto ganha um promotor? Um defensor? Um Juiz? Um profissional dos Tribunais? Não venham me dizer que qualquer dessas atividades vale mais do que curar ou ensinar!

Essas atividades são de dedicação exclusiva. Será? Façam concurso, pagando o que pagam ao promotor, para o médico e o professor, e vejam quantos candidatos terão! Nessa condição poderão cobrar serviço de qualidade. A área social precisa de muita gente, não há dinheiro para isso, dirão. Outras atividades acham dinheiro. Sendo assim, vai continuar morrendo gente por falta de assistência e crescendo o número de analfabetos neste país do Lula. Atingem criminosamente os mais pobres.

Na verdade temos vários brasis. A banda cara do governo deveria ser séria, mas não é o que assistimos diariamente pela imprensa. A corrupção se alastrou porque quem deveria cuidar dela, se corrompeu. O que fazem as agências reguladoras? Temos que ter coragem de assumir a verdade deste infeliz País, caso contrário, passaremos séculos com os mesmos problemas.

Nada se pode fazer de bom na saúde e na educação se não diminuirmos essa podridão que está aí. Não existe estímulo ao mestre, ao médico, à enfermeira e ao assistente social. São pessoas que atendem o ser humano, a outra área atende os negócios, que neste país são mais importantes, mesmo os negócios desonestos.

Podem visitar os participantes da área social do governo e encontrarão funcionários de alto nível. Falo porque os conheço. Verifiquem o grau de esperança por lá. Verão que fazem parte de uma sub-classe neste país, a que toma conta das pessoas, bem diferente das que tomam conta do dinheiro.

Quem se propõe a mudar isso? É um processo. Quantos Juízes Federais tem o país? Muitos, mas, fico feliz em saber que existe um Juiz Moro. E os outros?

(*) Alfredo Arruda, médico, ex-secretário de Saúde do Estado e do Município de Campo Grande, professor da UFMS

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