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Campo Grande, Segunda-feira, 18 de Junho de 2018

26/08/2017 11:38

O Homem de Miranda

Por Heitor Freire (*)

No dia 22 de agosto, terça-feira, faleceu Pedro Pedrossian. O homem que deixa um legado inesquecível.

Pedrossian era um líder incontestável. Foi o maior forjador de lideranças políticas em nosso estado: Levy Dias, Marcelo Miranda, João Leite Schimidt, Waldomiro Gonçalves, José Elias Moreira, Antonio Carlos Arroyo e tantos outros, são crias de Pedrossian. É interessante que quando esses liderados adquiriam luz própria e poderiam fazer-lhe sombra, eram afastados naturalmente.

Governou o Estado de Mato Grosso de 1965 a 1970, sendo eleito aos 36 anos o governador mais novo no Brasil, naquela época. Mato Grosso do Sul, governou de 1980 a 1983 e de 1990 a 1994. Deixou marcas indeléveis nos dois Estados. Gerações incontáveis de estudantes devem a ele a oportunidade de cursar cursos superiores sem mudar de estado.

Fiz parte de seu segundo governo como responsável pela Comunicação Social, de 1980 a 1983. Ali convivi de perto com ele. Pude testemunhar sua grande capacidade de trabalho e criatividade. Era um madrugador. Acordava bem cedo e logo convocava seus secretários para o trabalho. Naquela época era por telefone mesmo. Não havia celular.

Na nossa secretaria tivemos o concurso de profissionais do maior gabarito. Na redação: Oscar Ramos Gaspar (depois secretário de comunicação no terceiro governo Pedrossian, 1990-94), Henrique Alberto de Medeiros (recém eleito presidente da Academia Sul-Mato-grossense de Letras), Sílvio Andrade (correspondente dos maiores órgãos de imprensa do país), Lucimar Couto (diretor do site Campogrande News). Na fotografia, Roberto Higa e Valmirar Gomes. No som, José Omar Haddad; na produção, José Roberto Moura Alves e nas finanças Iran Coelho das Neves (hoje conselheiro do Tribunal de Contas). Wilson Souza Fontoura (hoje forte empresário no ramo imobiliário) foi um companheiro constante e leal.

Com Aluízio Lessa Coelho, Oscar Ramos Gaspar e Raul Longo Tubino, fundamos um jornal que teve vida efêmera: Presença. Depois, com Henrique Medeiros e Sílvio Andrade, tivemos uma segunda aventura: criamos o jornal Arquibancada, voltado para os esportes – em linha direta com O Estado de S. Paulo, publicávamos toda segunda-feira informando sobre o futebol de domingo.

Era um trabalho feito com muita alegria e dedicação. Por falta de recursos, infelizmente não vingou.

Essa equipe trabalhava sob a inspiração do nosso governador Pedrossian, que com seu exemplo estimulava a todos nós. Uma figura marcante daquela época foi o professor João Vieira, assessor permanente do governador, dono de uma cultura invejável e muita simplicidade. Todos orbitávamos em torno dele. O Joãozinho está vivo e ainda hoje nos comunicamos por email.

Mas, falar em Pedrossian sem mencionar dona Maria Aparecida seria injusto. Ela, um paradigma como primeira-dama (até hoje nenhuma entendeu verdadeiramente o papel que lhes cabe. Ela sabia muito bem exercer sua função). Linda, majestosa no porte e simples na ação. Foi a grande inspiradora do marido.

Maria Aparecida Pedrossian sempre teve um olhar voltado para a população carente. Foi a mentora da criação do Hospital Universitário, que leva o seu nome (hoje injustamente ignorado quando se referem ao hospital). Ela foi também a grande madrinha da Santa Casa – a UTI daquele hospital tem o seu nome, e na solenidade de centenário do hospital prestaram-lhe uma merecida homenagem.

O feito que mais comove o coração de dona Maria Aparecida foi ter insistido na criação do Hospital de Câncer Alfredo Abrão. Criou também um programa de distribuição de alimentos para a população mais pobre. Um jornalista, na época, pejorativamente deu-lhe o apelido de “Maria Panelão”, que ela com simplicidade e nenhum constrangimento aceitou e assumiu porque entendia bem o sentido de seu trabalho.

Foi ela que com sua atenção voltada para o social humanizou o grande governo do marido. O governador Pedrossian, voltado para as grandes obras, era sempre cobrado por ela para a assistência social.

Pedrossian marcou sua trajetória política com obras perenes. Durante seu primeiro mandato em Mato Grosso do Sul, ao se dar conta de que a capital não contava com local apropriado para sediar os órgãos da administração pública, recebeu a sugestão de construir um espigão com 33 andares.

Mas o governador pensou melhor e voltou seu olhar para o entorno de Campo Grande, e descobriu uma área com mais de 400 hectares, onde decidiu criar o Parque dos Poderes.

Para esse empreendimento, com o pensamento voltado para nossa gente, convocou arquitetos de todo o Estado para elaborarem o projeto das diversas secretarias, do Tribunal de Justiça, da Assembleia Legislativa, do Tribunal de Contas, enfim, de todo o complexo administrativo. Foi, sem dúvida, uma de suas maiores realizações.

Não podemos deixar de lembrar também do estádio Pedro Pedrossian (Morenão), do ginásio de esportes Avelino dos Reis (Guanandizão) e dos conjuntos habitacionais Estrela do Sul, Aero Rancho, Moreninhas e Maria Aparecida Pedrossian.

Na área da saúde, construiu o Hospital Regional Rosa Pedrossian; e na área da cultura, o Palácio Popular da Cultura, depois denominado Arquiteto Rubens Gil de Camillo.

No campo da educação, plantou universidades em Mato Grosso e em Mato Grosso do Sul. Foi o maior prefeito de Campo Grande, abrindo largas avenidas que propiciaram um fluxo tranquilo de trânsito em todas as saídas da cidade.

O maior presente que ele deixou para nossa cidade foi o Parque das Nações Indígenas, o cartão postal da capital, o nosso Central Park.

Hoje, certamente, como maçom, ele está compondo o quadro de obreiros do Grande Arquiteto do Universo para colaborar com Sua obra.

A você, governador Pedro Pedrossian, a nossa eterna gratidão.

(*) Heitor Rodrigues Freire – Corretor de imóveis e advogado.

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