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Campo Grande, Terça-feira, 15 de Outubro de 2019

13/04/2012 13:47

Quando tisnardes vosso paladino !

Por Rosildo Barcellos (*)

Wladimir Garcês, ex-deputado estadual e aliado do chefe da quadrilha, dá ordens usando o telefone de Cachoeira: "Tem (...) hoje uns foguetes aí que tem que pagar, que é da colação de grau da esposa do Demóstenes, tá? Aí eu vou te passar o número de uma conta, você faz direto o depósito aqui pra gente, tá?

Esse é um dos trechos das conversas que o Brasil recentemente conheceu seu teor. Que há a necessidade de se presentear alguém que chegou a o patamar de uma colação de grau ? - respondo sim, evidentemente, principalmente quando acontece num país como o nosso tão carente de educação. Mas a origem do presente e a forma que ele chega a suas mãos também é algo a pensar. A frase acima se confirmada sua procedência representaria uma pequena mostra da imoralidade no alto escalão da sociedade que já penetrou nos poderes da República, apontando para uma trilha aonde homens públicos desmoralizam a si e a sua família.

É lamentável e devemos nos preocupar que a medida que avançem outras investigações não deverá sobrar a cota mínima de políticos que tenham procedimentos dignos de orgulharmos dele. Ressalto ainda que o primeiro suplente do senador Demóstenes Torres (DEM-GO), o empresário Wilder Pedro de Morais, também teve contatos frequentes com o Carlinhos Cachoeira, a exemplo do titular do mandato no Senado. Por conseguinte, se o Senador Demóstenes se licenciar ou renunciar ao cargo, Wilder é o primeiro substituto natural do posto.

Foi o próprio Demóstenes que expôs esse aspecto da vida pessoal de seu suplente, em recente entrevista em que tentava explicar o motivo das 298 conversas telefônicas que teve com Cachoeira entre fevereiro e agosto de 2011, como mostram as degravações para a Operação Monte Carlo. “A mulher do meu suplente o deixou e passou a viver com Cachoeira. Eu e minha mulher tivemos de resolver esse problema. Por isso houve tantas ligações e encontros” Demóstenes Torres, ex-líder do DEM no Senado, atuou como procurador de justiça. Foi professor concursado em escola pública, revisor de jornal e advogado. Passou em concursos públicos de Delegado de Polícia e Promotor de Justiça. Optou pelo Ministério Público. Em 2009, Demóstenes recebeu de "Cachoeira" um aparelho Nextel, habilitado nos Estados Unidos, e utilizava-o para conversar com o amigo, sem medo de grampos.

Comenta sobre o caso as seguintes frases retratadas em seu twitter –“O sofrimento provocado pelos seguidos ataques a minha honra é difícil de suportar, mas me amparo em Deus e na certeza de minha inocência. Dói enfrentar o olhar sofrido de familiares torcendo para o tormento passar logo. Mas as inverdades chegam açodadas; a reparação, lentamente”. Apresento os dois lados até porque as investigações ainda precisam revelar mais detalhes e o veredicto final não foi apontado.Somente devemos apontar a culpa depois de se colocar a ampla defesa e o princípio do contraditório.

Até porque em seu legado ficará uma matéria que tenho acompanhado e lutado muito que versa sobre a internação compulsória do usuário de drogas.

Notadamente do crack; a devastadora mistura de cocaína com bicarbonato de sódio ou amônia; que demora até 10 segundos para, ainda quente, atingir o pulmão. A preocupação é ainda maior posto que, atualmente com a dificuldade de locais de internação e leitos disponibilizados pelo SUS fica condicionado a vontade do usuário em se tratar,ou seja se ele quiser se tratar, arruma-se uma clínica; se recusar o tratamento, nada se pode fazer além de assistir a autodestruição. O Senador Demóstenes lutava pelo que popularmente denominamos “internação compulsória”, que resgata a possibilidade de encaminhamento coercitivo para o usuário de drogas.

Como está agora, até certo ponto, a despenalização foi uma experiência inovadora porém serviu para potencializar o sofrimento dos próprios viciados e seus familiares. Querer que um viciado em crack se levante da calçada e caminhe a passos largos no rumo da clínica de recuperação é utopia. Mormente e precípuamente devemos aprender que corrupção é corrupção e não pode ser obnubilada nem tampouco incentivada. É fundamental para que tenhamos uma política mais ética e um país livre dos grilhões que hoje nos mantém presos ao clientelismo e a miséria, sendo mister uma mudança de atitude sobre nossas vidas e o que fazer de agora em diante.

(*) Rosildo Barcellos é articulista e professor da UCDC.

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