Após 10 meses, TCE libera compra milionária de uniformes para policiais penais
O valor estimado das roupas é de R$ 14,3 milhões, mais que o dobro do que foi apresentado em estudo técnico

O TCE/MS (Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul) liberou a retomada de licitação para a compra de uniformes destinados aos policiais penais da Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário).
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O TCE/MS liberou a retomada de licitação para compra de uniformes dos policiais penais da Agepen, suspensa desde setembro de 2024 por divergências no planejamento. O valor estimado de R$ 14,3 milhões era mais que o dobro do estudo técnico de R$ 5,2 milhões. Após a agência sanar as irregularidades apontadas, o conselheiro Iran Coelho das Neves autorizou o prosseguimento do certame.
O certame estava suspenso desde setembro do ano passado porque fiscalizações apontaram divergências no planejamento do órgão estadual. Entre elas, o fato de o valor estimado para a aquisição das roupas ser de R$ 14,3 milhões, mais que o dobro do valor apresentado no estudo técnico, que o estimava em R$ 5,2 milhões.
A vistoria inicial feita pela equipe técnica da Corte de Contas havia encontrado falhas na elaboração do edital de compras. Entre os pontos questionados estavam a ausência de previsão da despesa no plano de contratações para o ano de 2026 e a falta de documentos (Mapa de Riscos) que comprovassem a necessidade da quantidade de uniformes pedida.
Os analistas do tribunal também apontaram a falta de um documento específico sobre gerenciamento de riscos e a exigência de comprovantes fiscais acima do que era necessário para a entrega dos produtos. O Ministério Público de Contas chegou a se manifestar pedindo a interrupção do certame por meio de liminar.
Em resposta aos apontamentos, a direção da agência prisional enviou documentos mostrando que o quadro atual conta com 1.815 servidores ativos. A margem para atingir o teto de 2.400 conjuntos foi fundamentada com um pedido oficial enviado ao governo para a abertura de concurso público com mil novas vagas.
Para resolver a falta de previsão no planejamento anual, a agência comprovou a abertura de um processo administrativo junto à SAD (Secretaria de Estado de Administração). O objetivo do pedido é atualizar a planilha de compras do Estado com a lista detalhada e os valores dos novos acessórios.
Em relação ao gerenciamento de riscos, a decisão indicou que a legislação nacional define o documento como opcional para a aquisição de bens comuns. O conselheiro relatou que os termos de referência e as regras de fiscalização do edital já trazem os mecanismos para evitar problemas na entrega.
A última exigência foi sanada com a correção do documento de regularidade fiscal, restringindo a cobrança aos impostos ligados ao fornecimento.
O relator, conselheiro Iran Coelho das Neves, autorizou o prosseguimento registrando que, "considerando a suspensão administrativa vigente e a garantia de que as alterações processuais terão a devida publicidade e reabertura de prazos, resguardando a ampla competitividade, conclui-se pelo saneamento da irregularidade".
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