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Economia

Economia criativa transforma tradição em negócios na Pantanal Tech

Artesanato, agricultura familiar e bioeconomia mostram que criatividade também gera emprego e renda

Por José Cândido | 06/07/2026 13:44
Economia criativa transforma tradição em negócios na Pantanal Tech
Trabalho artesanal ganha visibilidade na Pantanal Tech, onde criatividade, tradição e empreendedorismo se transformam em oportunidades de negócios.

A criatividade ganhou espaço de destaque na Pantanal Tech e mostrou que cultura, tradição e inovação também movimentam a economia. Durante os três dias da feira, realizada entre 3 e 5 de julho, em Aquidauana, 70 pequenos empreendedores transformaram a vitrine do evento em uma oportunidade para ampliar vendas, conquistar novos clientes e fortalecer marcas ligadas à identidade de Mato Grosso do Sul.

RESUMO

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Setenta pequenos empreendedores participaram da Pantanal Tech, realizada entre 3 e 5 de julho em Aquidauana, após passarem pela Jornada Criativa, programa de capacitação promovido pelo Sebrae/MS em parceria com o Governo do Estado. A iniciativa orientou artesãos, agricultores familiares e empreendedores da economia criativa em precificação, atendimento e comercialização, com foco em fortalecer negócios ligados à identidade cultural de Mato Grosso do Sul.

Artesãos, produtores da agricultura familiar e empreendedores da economia criativa participaram da mostra de produtos após passarem por uma jornada de capacitação promovida pelo Sebrae/MS, em parceria com o Governo do Estado. A chamada Jornada Criativa começou em maio e foi concluída durante a feira com a entrega dos certificados aos participantes.

Mais do que preparar os expositores para um evento de grande porte, a iniciativa buscou profissionalizar os pequenos negócios. Os participantes receberam orientações sobre precificação, atendimento ao cliente, organização de estoque, apresentação de produtos e estratégias de comercialização — ferramentas consideradas essenciais para transformar talento em geração de renda.

Segundo a analista-técnica do Sebrae/MS, Daniele Muniz, o foco é fazer com que o empreendedor consiga crescer de forma sustentável.

"Nosso objetivo é entregar ao consumidor um produto de qualidade, mas, principalmente, preparar o empreendedor para gerir o seu negócio de forma sustentável. Quando ele aprende a organizar a gestão, precificar corretamente e agregar valor ao que produz, consegue gerar renda, crescer e viver da própria atividade", afirma.

Para a superintendente da Secretaria de Estado de Turismo, Esporte e Cultura (Setesc), Luciana Azambuja, fortalecer a economia criativa também significa impulsionar o desenvolvimento social das comunidades.

"O segmento promove inclusão produtiva por meio da comercialização de produtos carregados de identidade, história e tradição. Quando fortalecemos esses pequenos negócios, fortalecemos também as comunidades indígenas, quilombolas, os artesãos e a economia dos municípios", destaca.

Produtos que carregam identidade

Economia criativa transforma tradição em negócios na Pantanal Tech
Artesãos, produtores da agricultura familiar e empreendedores da economia criativa levaram à Pantanal Tech produtos que unem identidade regional, inovação e geração de renda, fortalecendo pequenos negócios de Mato Grosso do Sul.

Na feira, cada estande contava uma história.

O artesão Ednilson Mendes Ferreira, de Aquidauana, transformou um dos símbolos do Pantanal — a tradicional faixa pantaneira — em uma linha de produtos que inclui bandas para chapéu, jogos americanos, trilhos de mesa, chaveiros e peças decorativas.

Participante frequente das capacitações do Sebrae, ele afirma que o aprendizado vai além das técnicas de venda.

"Cada palestra acrescenta alguma coisa. Eu e minha esposa sempre saímos com uma ideia nova para melhorar tanto o produto quanto a forma de divulgar o nosso trabalho", relata.

A valorização da cultura indígena também esteve presente na mostra. Integrante da etnia Kinikinau, Jaine Ortega Cardoso Albuquerque aproveitou o espaço para apresentar artesanato produzido pela comunidade e divulgar a história de um povo ainda pouco conhecido por muitos visitantes.

"Mais do que vender, queremos mostrar quem somos. Durante muito tempo nossa etnia foi pouco conhecida. Cada peça que produzimos carrega a nossa identidade, nossa cultura e o trabalho de várias gerações, inclusive das crianças da comunidade", afirma.

Da produção artesanal às biojoias

A agricultura familiar também encontrou espaço para ampliar mercado. A Queijaria Vaca Brava, conhecida pelos queijos artesanais da marca Nicola, aproveitou a feira para apresentar seus produtos a novos consumidores.

Segundo a produtora Lúcia Monteiro, a participação vai muito além do faturamento durante o evento.

"É um evento muito importante para nós. Além das vendas, ele ajuda a apresentar nossa marca para pessoas que ainda não conheciam nosso trabalho e nos dá ainda mais motivação para continuar investindo", ressalta.

Outra iniciativa chamou atenção pelo compromisso com a sustentabilidade. De Bonito, a empreendedora Marilizi Duarte, da empresa Cores e Formas, transforma madeiras descartadas em biojoias inspiradas na fauna, na flora e nas paisagens de Mato Grosso do Sul.

"Nós ressignificamos madeiras de descarte e transformamos esse material em biojoias que representam a identidade do Mato Grosso do Sul. Um evento como esse amplia nossa rede de contatos, fortalece os artesãos e cria novas oportunidades de negócios", explica.

Ao reunir artesanato, agricultura familiar, inovação e sustentabilidade em um mesmo espaço, a Pantanal Tech evidenciou que a economia criativa vai além da produção cultural. A feira mostrou como capacitação, valorização da identidade regional e acesso a novos mercados podem fortalecer pequenos empreendedores, gerar renda e impulsionar o desenvolvimento sustentável de Mato Grosso do Sul.