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Cidades

Com violão, advogado faz música para pedir absolvição em júri

Atuação do advogado de MS, João Ricardo Batista de Oliveira, durante julgamento em Minas Gerais ganhou repercussão nacional

Por Geisy Garnes | 29/09/2020 21:12


“Mas e se fosse você sentado no banco dos réus? Qual seria o julgamento que gostarias de receber? Será que esperarias por compaixão? Justiça aplicada com retidão? Será que mudarias de alguma forma o seu pensar? Será que ainda estarias pronto a condenar?”

Os versos foram escritos e cantados pelo advogado sul-mato-grossense João Ricardo Batista de Oliveira, durante julgamento no Tribunal do Júri em Minas Gerais, no dia 23 de setembro. A forma inusitada, ganhou destaque nacionalmente e dividiu opiniões nas redes sociais, sobre os métodos que podem ser utilizados em um plenário.

A cena, no entanto, nos lembra outros episódios já vivenciados em nosso Estado. Em 2018 o defensor público Rodrigo Antônio Stochiero Silva usou a música, “Hey Joe”, da banda O Rappa, para tentar comover o júri em um dos seus casos. O promotor Douglas Oldegardo mais de uma vez quebrou os próprios óculos durante suas falas no julgamento. É dessa liberdade, que só o júri popular permite, que João Ricardo Batista aproveitou pensar uma forma diferente de apelar ao bom senso dos jurados.

“Em um julgamento normal isso não é permitido. Mas no Tribunal do Júri existe a plenitude de defesa, que permite ao advogado não usar apenas os meios jurídicos, como também os extrajurídicos”, explicou. No banco dos réus, o cliente do advogado era acusado de homicídio qualificado.

Por cinco horas, a bancada de defesa, que ainda era formada pelos advogados Fabiano Lopes e Zanone Manuel de Oliveira Júnior, sustentou desentranhamento de provas ilícitas, falhas na investigação criminal, ausência de indícios de autoria e inquisição de testemunhas apuradas. Ao fim, como último elemento, a composição foi usada para chagar “onde as palavras não alcançam”.

A sensibilidade com o caso, a vontade de abordá-lo de forma mais humanística, refletiu no resultado ao fim do júri, com a absolvição do réu no primeiro caso defendido pelo trio: João Ricardo, Fabiano Lopes e Zanone Manuel. “Zanone é uma das minhas grandes referências. É a união entre a escola clássica do júri e essa escola moderna, um momento de junção de duas Eras do júri”.

Além de casos nacionais, João Ricardo faz a defesa do estudante Ricardo França Junior, responsável pelo acidente que matou a namorada Bárbara Wsttany Amorim Moreira, 21 anos, em junho deste ano, e do pintor Bruno Rocha, assassino do major da reserva do Exército Paulo Setterval, de 57 anos, ocorrido em abril do ano passado, em Bonito – a 257 quilômetros de Campo Grande.

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