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Cidades

Em algumas cidades de MS, migrantes já são até 1 em cada 6 moradores

Censo 2022 mostra que municípios do interior concentram as maiores proporções de população nascida fora

Por Ângela Kempfer | 05/01/2026 11:48
Em algumas cidades de MS, migrantes já são até 1 em cada 6 moradores
Vista aérea do município de Aparecida do Taboado, líder de ranking em MS (Foto: Divulgação)

Levantamento com base no Censo Demográfico 2022, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mostra que a migração interna tem redesenhado o mapa populacional de Mato Grosso do Sul. Em vários municípios do interior, especialmente no norte e nordeste do Estado, a fatia de moradores nascidos fora do município já representa parcela significativa da população.

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O fenômeno da migração interna tem transformado significativamente a demografia de Mato Grosso do Sul, com destaque para municípios de médio e pequeno porte. Aparecida do Taboado lidera o ranking estadual, onde 16,34% dos habitantes são migrantes, atraídos por oportunidades econômicas e pela localização estratégica na divisa com São Paulo. Entre 2017 e 2022, o estado registrou saldo migratório positivo de 17,5 mil pessoas, com maior fluxo vindo de São Paulo, Goiás, Minas Gerais e Paraná. O movimento tem gerado impactos na infraestrutura local, pressionando serviços públicos e reconfigurando o mercado de trabalho, especialmente em cidades ligadas à agroindústria, energia e logística.

O dado que chama atenção é que não são as maiores cidades que lideram esse ranking, mas sim municípios de médio e pequeno porte, muitos deles impulsionados por atividades como agroindústria, energia, logística e expansão urbana recente.

No topo da lista estadual está Aparecida do Taboado, onde 16,34% dos moradores nasceram fora — o equivalente a mais de 1 em cada 6 habitantes. O município se tornou porta de entrada para trabalhadores vindos principalmente de outros estados, atraídos por oportunidades econômicas e pela posição estratégica na divisa com São Paulo.

Os municípios de MS com maior percentual de migrantes

Segundo os dados do IBGE, os 10 municípios de Mato Grosso do Sul com maior proporção de população migrante são:

  • 1. Aparecida do Taboado – 16,34%
  • 2. Chapadão do Sul
  • 3. Paraíso das Águas
  • 4. Costa Rica
  • 5. Selvíria
  • 6. Água Clara
  • 7. Cassilândia
  • 8. Ribas do Rio Pardo
  • 9. Sonora
  • 10. Três Lagoas

A presença de Três Lagoas chama atenção por ser a única cidade de grande porte na lista. Diferentemente das demais, o município combina população elevada com fluxo migratório intenso, puxado pela indústria de celulose, logística e serviços.

Campo Grande e Dourados, por outro lado, aparecem com percentuais menores, indicando fluxo mais equilibrado entre entradas e saídas de moradores.

Interior atrai mais do que capital

O padrão observado em Mato Grosso do Sul acompanha uma tendência nacional: cidades médias e pequenas têm concentrado proporcionalmente mais migrantes do que grandes capitais.

No levantamento nacional que inspirou o recorte estadual, municípios como Itapoá (SC), Santa Cruz do Xingu (MT) e Chapadão do Céu (GO) aparecem entre os líderes do país em proporção de migrantes — nenhuma capital figura no topo do ranking.

Em MS, o movimento se repete. Municípios ligados à fronteira agrícola, à indústria de base florestal ou à expansão logística passaram a funcionar como polos regionais de atração populacional.

Saldo migratório positivo

Entre 2017 e 2022, Mato Grosso do Sul registrou mais entradas do que saídas de moradores, segundo o IBGE. O Estado recebeu cerca de 106 mil pessoas vindas de outros estados, enquanto aproximadamente 88 mil saíram, resultando em saldo migratório positivo de 17,5 mil pessoas.

A maior parte dos migrantes que chegam ao Estado é originária de São Paulo, Goiás, Minas Gerais e Paraná, além de estrangeiros — com destaque para o crescimento da presença de venezuelanos.

Por que esse dado importa

A proporção de migrantes ajuda a explicar transformações locais que vão além do crescimento populacional:

  • Pressão sobre serviços públicos, como saúde, educação e habitação
  • Mudanças no mercado de trabalho, com maior demanda por mão de obra
  • Reconfiguração urbana, especialmente em cidades pequenas
  • Desafios de planejamento, já que o crescimento nem sempre vem acompanhado de infraestrutura

Em municípios onde a migração pesa mais no tamanho da população, cada novo morador tem impacto direto na dinâmica econômica e social.