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Cidades

Indígenas denunciam sumiço de 1,3 mil doses de vacina contra covid-19

No dia 23 de abril, todas as doses foram recolhidas das Unidades Básicas de Saúde Indígena

Por Mariana Rodrigues e Helio de Freitas, de Dourados | 08/05/2021 18:31
AS lideranças indígenas cobram a investigação para saber onde essas doses de vacina foram parar. (Foto: Marcos Maluf/ Arquivo)
AS lideranças indígenas cobram a investigação para saber onde essas doses de vacina foram parar. (Foto: Marcos Maluf/ Arquivo)

Liderança indígena formalizou denuncia junto ao MPF (Ministério Público Federal) nessa sexta-feira (7) para que fosse investigado o sumiço de 1.300 doses de vacinas contra covid-19 tanto do polo-base de Saúde Indígena quanto nas Unidades Básicas de Saúde Indígena de Dourados, cidade distante a 233 quilômetros de Campo Grande.

Conforme a denúncia, foi disponibilizado pela SES (Secretaria do Estado de Saúde) ao DSEI (Distrito Sanitário Especial de Saúde Indígena) em Mato Grosso do Sul, as vacinas previstas aos indígenas, assegurando a vacinação em esquema completo, ou seja, tanto para a primeira quanto para a segunda dose.

No dia 23, a coordenadora técnica do polo-base, percorreu todas as UBSI (Unidades Básicas de Saúde Indígena) e recolheu todas as vacinas de covid-19, distribuindo um quantitativo mínimo para cada equipe da Reserva indígena de Dourados, média de 30 doses para serem utilizadas na campanha programada para o dia seguinte, dia 24 de abril.

Ainda conforme a denúncia feita ao Ministério Público, a partir do dia 26 de abril, todas as UBSI da Reserva indígena ficaram sem vacinas para os pacientes que necessitavam da segunda dose e ainda àqueles pacientes que foram em busca da primeira dose da vacina.

As vacinas foram levadas para o polo-base de Dourados, sendo que apenas uma enfermeira que é coordenadora, tem acesso à chave da geladeira. As doses só são liberadas de acordo com pedido feito pelas UBSI. Porém, após coleta de informações com profissionais de saúde dessas unidades, há indícios de que cerca de 1.300 vacinas sumiram, uma vez que há diferença na quantidade de doses que já foram aplicadas e nas que foram levadas para o Polo base.

A equipe de saúde indígena atuou em campanhas para alcançar boa cobertura e para que a população aderisse à vacina superando o desafio dos pacientes que eram resistentes à vacinação. Vale lembrar que a comunidade indígena está inclusa no grupo prioritário de vacinação contra covid-19 pelo Programa Nacional de Imunizações.

As lideranças indígenas e conselheiros de saúde pedem para que os fatos sejam apurados e que o destino das doses seja verificado, pois desde o dia 26 de abril há falta de vacina gerando prejuízos e transtorno aos indígenas.

O Campo Grande News tentou contato com a Unidades Básicas de Saúde Indígena, mas não obteve retorno.

Ocupação- No dia 3 de maio os índios ocuparam a sede local do Dsei (Distrito Sanitário Especial Indígena) na Avenida Joaquim Teixeira Alves para exigir a exoneração da chefe do polo-base, Sidneide Alves Boa Sorte. O distrito é a representação da Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena) nas aldeias.

Em documento enviado do MPF (Ministério Público Federal), ao MPT (Ministério Público do Trabalho) e ao Dsei, os índios afirmam terem tomado a decisão de ocupar o prédio “cansados de tanto desmando, autoritarismo, falta de gestão, ameaça e perseguição contra profissionais”.

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