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Cidades

Polícia usa bombas de gás e balas de borracha para despejar indígenas em Amambai

Volta à Fazenda Limoeiro foi seguida por operação da PM na tarde desta quarta-feira

Por Ângela Kempfer | 17/06/2026 18:19

RESUMO

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Famílias guarani e kaiowá foram alvo de ação policial com bombas, gás lacrimogêneo e balas de borracha na Fazenda Limoeiro, em Amambai, no Mato Grosso do Sul. A operação ocorreu após indígenas retornarem à área, reivindicada como território tradicional. A Polícia Militar teria recusado mediação da Força Nacional. Produtores rurais relatam danos à propriedade. O presidente da Famasul alertou para risco de conflitos em cadeia no estado.



Famílias guarani e kaiowá relataram que foram alvo de uma ação policial com uso de bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e disparos de balas de borracha durante a tarde desta quarta-feira (17), na Fazenda Limoeiro, em Amambai, município da fronteira com o Paraguai.

As informações foram divulgadas em vídeo pelo Conselho Indigenista Missionário. A operação ocorreu após o retorno à área por indígenas na madrugada. Segundo o relato, equipes da Polícia Militar teriam avançado sobre o território entre 15h e 16h, provocando correria e deslocamento de famílias para áreas próximas, como a Aldeia Limão Verde.

Nas imagens é possível ouvir o som de vários disparos, a fumaça subindo com o lançamento de bombas de efeito moral e homens correndo para o lado oposto, gritando. Ainda segundo o Cimi, não há confirmação de feridos ou detidos até o momento, mas há preocupação com possíveis prisões durante a ação.

A entidade também afirma que agentes da Fundação Nacional dos Povos Indígenas estiveram na área e que a Força Nacional de Segurança Pública atuava na tentativa de intermediar diálogo. Ainda segundo o relato, a Polícia Militar teria recusado a mediação e avançado na operação.

O grupo já havia entrado na Fazenda Limoeiro em abril e saído dias depois por interferência da Polícia Militar. O novo episódio repete a disputa pelo controle da área, reivindicada pelos indígenas como parte do território tradicional Tekoha Tapykora Korá, na Terra Indígena Iguatemipeguá II.

Produtores rurais da região afirmam que o grupo indígena teria provocado incêndios na vegetação e danos à sede da propriedade durante ação.

O Campo Grande News solicitou informações à PM e aguarda resposta.

É a segunda ação do tipo nesta semana em Mato Grosso do Sul. No sábado, um grupo terena entrou em outra fazenda, em Sidrolândia.

O presidente da Famasul, Marcelo Bertoni, defendeu que propriedades rurais ocupadas não sejam incluídas em processos de negociação por um período de cinco a seis anos, como forma de evitar o que ele chama de incentivo a novas invasões. Segundo ele, quando há conflito, o ideal seria chamar as partes para diálogo, mas sem vincular a abertura de negociação à ocupação da área.

Bertoni afirmou que, na avaliação dele, o modelo atual cria um efeito inverso: a invasão gera conflito e, em seguida, abre espaço para negociações mediadas por órgãos públicos. Para ele, isso acaba estimulando a repetição desse tipo de ação em outras regiões.

O dirigente citou como exemplo o caso de Antônio João, onde produtores rurais foram indenizados após anos de disputa com indígenas. Ele disse que, após mudanças de posicionamento ao longo do tempo, passou a defender regras mais rígidas para evitar que conflitos em andamento sejam usados como base para acordos.

Por fim, Bertoni afirmou que episódios recentes em Mato Grosso do Sul, como a ocupação em Amambai e ações em outras áreas do estado, podem gerar um “efeito em cadeia” de novos conflitos. Ele disse ainda que a orientação da federação é para que produtores busquem medidas judiciais, como o interdito proibitório, embora reconheça que isso não elimina o risco de novas ocupações ou confrontos.