Influenciadores divulgaram alvo de operação para milhões de seguidores
Vídeos ofereciam atacado, envio nacional e mostravam estoque mantido em Campo Grande
De perfis regionais com menos de 20 mil seguidores a uma influenciadora acompanhada por 1,6 milhão de pessoas, a Top Distribuidora recorreu a criadores de conteúdo para divulgar cosméticos, maquiagens e perfumes vendidos no atacado a partir de Campo Grande. A empresa, que também mantinha nas redes sociais o @topatacadaoms, foi alvo da Operação Perfume de Mulher, nesta terça-feira (22).
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O foco das publis na internet não eram apenas os consumidores, mas também lojistas, revendedores e microempreendedores. Os vídeos apresentavam estoques, preços e condições para compras em quantidade, além de oferecer atendimento on-line e envio para diferentes regiões do país.
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Entre os perfis que aparecem em publicações conjuntas com a distribuidora estão os de contas que juntas reúnem mais de 1,8 milhão de seguidores.
Numa das publicações, de 7 de março do ano passado, em collab com a Top Distribuidora, uma influenciadora apresenta o estabelecimento como “o maior galpão de maquiagens em Campo Grande” e afirma que o local vendia produtos no atacado e no varejo.
A influenciadora também informava que havia maquiagens a partir de R$ 2, além de produtos de marcas mais caras. Segundo o anúncio, o atendimento era feito on-line e as mercadorias eram enviadas para todo o Brasil. A publicação soma ao menos 3,5 mil curtidas.
Na época, o perfil comercial da distribuidora aparecia com 81,9 mil seguidores. Atualmente, a conta reúne 126 mil. Na descrição da página, a empresa promete produtos “direto de fábrica”, “lucro garantido” para revendedores e compras no atacado a partir de R$ 500.
Já em 21 de abril de 2025, outro vídeo de influencer em parceria com a distribuidora prometia atendimento totalmente on-line e agilidade no envio. Para Mato Grosso do Sul, o prazo informado era de até seis horas úteis, enquanto que para o restante do Brasil a promessa é de envio em até 24 horas úteis.
A propaganda indicava a Rua Alagoas, 1.420, no Jardim dos Estados, em Campo Grande, como endereço da distribuidora. Registro do Google Street View feito em junho de 2026 mostra, porém, um imóvel murado, com portões e sem fachada ou identificação comercial visível.

Já em 16 de junho de 2026, influenciadora com mais de 1 milhão de seguidores publicou conteúdo em colaboração com a Top Distribuidora. Ela apresenta a empresa como “a maior distribuidora de maquiagem” e afirma que o negócio oferecia produtos de beleza, cosméticos e perfumes com preços voltados à revenda.
Todos os vídeos citados foram publicados em colaboração com o perfil @top__distribuidora e direcionavam os clientes ao @topatacadaoms, página que não estava mais disponível nesta terça-feira.
Algumas das imagens gravadas pelos influenciadores mostram corredores estreitos, prateleiras metálicas e caixas empilhadas em um estoque de Campo Grande, o mesmo que aparece nas fotografias divulgadas pela Receita Federal depois das buscas nesta terça-feira (22).
Contrabando de milhões – A Operação Perfume de Mulher investiga uma organização suspeita de movimentar mais de R$ 300 milhões com a entrada clandestina e a distribuição de perfumes estrangeiros, principalmente fragrâncias árabes. Segundo as apurações, os produtos entravam no Brasil pelo Paraguai, passavam pela fronteira de Ponta Porã e eram levados inicialmente para depósitos em Campo Grande.
Depois, as mercadorias seguiam para centros de distribuição, também em São Paulo e Pernambuco, de onde eram enviadas a compradores de diferentes estados. De acordo com a investigação, redes sociais, marketplaces e plataformas de comércio eletrônico eram utilizados para ampliar as vendas, com participação de influenciadores na divulgação dos produtos.
A investigação aponta ainda o uso de notas fiscais supostamente falsas, declarações de conteúdo inidôneas, empresas de fachada e pessoas usadas como “laranjas” para dar aparência regular às operações. Também há suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, ocultação patrimonial e uso de criptoativos em negociações com fornecedores estrangeiros.
A ação foi realizada pela Receita, pelo MPF (Ministério Público Federal) e pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul). Foram cumpridos 16 mandados de busca e apreensão, sendo dez em Campo Grande. A Justiça Federal também determinou o bloqueio de até R$ 100 milhões em bens e valores dos investigados.
O homem apontado como líder da organização foi preso em Foz do Iguaçu, no Paraná. O nome dele não foi divulgado. Em Campo Grande, as equipes apreenderam veículos, perfumes, celulares, documentos e outros produtos estrangeiros sem comprovação de importação regular.




