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Cidades

MP pede condenação de 7 integrantes de quadrilha por túnel até Banco do Brasil

Bando foi descoberto prestes a finalizar túnel em Campo Grande, mas deve escapar de processo por porte de arma

Por Silvia Frias | 27/04/2021 11:54
Suspeitos foram presos na madrugada do dia 22 de dezembro de 2019 (Foto/Arquivo)
Suspeitos foram presos na madrugada do dia 22 de dezembro de 2019 (Foto/Arquivo)

O MPM (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) pediu a condenação por tentativa de furto qualificado, formação de quadrilha e receptação dolosa dos 7 acusados pela escavação de túnel de cerca de 79 metros até o Nuval (Núcleo de Valores) do Banco do Brasil, em dezembro de 2019. Nas alegações finais, no entanto, pede a absolvição deles do crime de porte ou posse ilegal de arma de fogo.

As alegações finais foram apresentadas pelo promotor Rodrigo Yshida Brandão, da 12ª promotoria de Justiça Residual Criminal de Campo Grande ao juízo da 2ª Vara Criminal Residual. O documento tem poucas variações da denúncia apresentada em anteriormente, com a retirada de alguns artigos das leis do Código Penal, de Processo Penal e da lei que trata de organizações criminosas.

Entre as mudanças, o pedido de absolvição de todos em relação a posse de arma ilegal, já que o armamento encontrado estava com os dois suspeitos mortos na ação. A outra, é retirada de um dos artigos qualificadores, o que trata da destruição ou rompimento de obstáculo. Porém, mantém a formação de quadrilha e o furto qualificado.

Sacos de terra retirados durante escavação do túnel, em Campo Grande (Foto/Arquivo)
Sacos de terra retirados durante escavação do túnel, em Campo Grande (Foto/Arquivo)

A tentativa de furto foi frustrada na madrugada de 22 de dezembro de 2019, quando a equipe da Polícia Civil, com a informação de que o furto ocorreria naquele dia agiu, prendeu 7 suspeitos e, em tiroteio, matou outros dois.

No documento, o promotor descreve a investigação do Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Banco, Assalto e Sequestro), que passou a investigar a conexão de um mesmo individuo em dois assaltos a banco em Mato Grosso do Sul: em maio de 2016, quando foram levados R$ 1,1 milhão de agência do BB na avenida Afonso Pena e, em julho de 2019, quando bandidos roubaram R$ 300 mil de agência da Caixa.

A investigação determinou que os roubos aconteceram para financiar o que seria o maior de todos, o do Nuval do BB, no bairro Coronel Antonino. Nessa empreitada, o grupo abriu túnel que culminaria no cofre da agência, com intuito de furtar R$ 200 milhões.

Monitoramento feito por equipe da Polícia Civil das ações do bando (Foto/Reprodução)
Monitoramento feito por equipe da Polícia Civil das ações do bando (Foto/Reprodução)

Com base na investigação do Garras, o promotor descreve a forma como o grupo agiu, com o aluguel de imóveis que serviram como quartel general e base de operações para a construção do túnel; a movimentação na Rodoviária de Campo Grande e em Três Lagoas, quando os quadrilheiros buscam e levavam os homens que trabalhavam na escavação do túnel, os “tatus”, serviço que envolveu dezenas de pessoas que não chegaram a participar da empreitada final; os encontros dos cabeças da quadrilha em padaria da cidade, que tratavam do desenvolvimento e financiamento do plano.

O promotor alega que há provas suficientes para pedir a condenação dos 7 por tentativa de furto qualificado (mediante escalada ou destreza), formação de quadrilha e receptação dolosa, neste caso, pelo uso de veículos furtados e roubados nas ações do grupo.

Nesta lista, o MPMS pediu a condenação de Wellington Luiz dos Santos Junior, Lourinaldo Belisário de Santana, Robson Alves do Nascimento, Gilson Airis da Costa, Eliane Goulart Decursio, Francisco Marcelo Ribeiro e Bruno de Oliveira Souza.

No caso específico de Bruno, ainda pede a condenação por resistência à prisão, por ter tentado fugir do cerco policial utilizando caminhão (também roubado), só parando em hospital para pedir atendimento médico.

Porém, citando o relatório de inquérito, diz que as armas relatadas não poderiam ser de responsabilidade do grupo: 1 pistola Taurus, calibre 9 mm, carregada, numeração raspada, 1 pistola Taurus calibre .765, 1 Fuzil FN Herstal e 2 fuzis Imbel IA2.

Parte do túnel aberto embaixo de imóvel próximo do Núcleo de Valores (Foto/Arquivo)
Parte do túnel aberto embaixo de imóvel próximo do Núcleo de Valores (Foto/Arquivo)

Pela investigação, ficou comprovado que as pistolas Taurus estavam na Toyota Hilux usadas por Antônio de Melo Leal, o Barba, de 42 anos, e José Williams Nunes Pereira da Silva, de 48 anos, os dois, mortos em confronto com a polícia. Os fuzis eram de propriedade da Polícia Civil e foram usados pela equipe no confronto, por isso, somente citados na peça processual.

No pedido de condenação, também pede o ressarcimento ao banco pelo gasto com o fechamento do túnel, serviço orçado em R$ R$ 47.567,28.

Atribuições - Constatou-se que Wellington, Lourinaldo, Francisco e Bruna foram responsáveis pela escavação do túnel, sob a supervisão de “Barba”, que reportava a “Véio” o andamento do serviço. Bruno também seria responsável pelo transporte do dinheiro no caminhão. Gilson Aires foi recrutado para escavar, mas, co foibia, passou a prestar serviço de cozinheiro; Robson alugou o imóvel situado na Rua José Barbosa Rodrigues, nº 388, que servia como “quartel general” e cuidada das despesas da casa; Eliane Goulart, esposa dele, auxiliava levando comida ao grupo e prestando serviço contábil.

A defesa de Eliane nega que ela tivesse conhecimento do plano, dizendo que apenas havia se mudado de MT para MS para acompanhar o marido no novo trabalho. Os demais, em maior ou menor grau, confessaram que participavam do plano escavação, ganhando valores variáveis, que chegariam a R$ 500 mil.

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