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Cidades

Projeto quer transformar região do Anhanduizinho em laboratório vivo

Ação deve unir moradores, universidades e poder público para traçar soluções urbanas

Por Inara Silva | 11/05/2026 06:14
Projeto quer transformar região do Anhanduizinho em laboratório vivo
Rua na comunidade Homex na região do Jardim Centro-Oeste (Foto: Juliano Almeida)

A região do Anhanduizinho, na periferia de Campo Grande, vai ser foco de um projeto que pretende aproximar moradores, universidades, poder público e instituições para buscar soluções para problemas urbanos, sociais e ambientais diretamente no território. A proposta é transformar os bairros Centro-Oeste, Lajeado e Los Angeles em um “Laboratório Vivo”, modelo que aposta na participação ativa da comunidade para construir alternativas adaptadas à realidade local.

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A região do Anhanduizinho, na periferia de Campo Grande, será transformada em um Laboratório Vivo por meio de parceria entre a UCDB, a UFMS e a Prefeitura Municipal, com financiamento de R$ 80 mil da Fundect até 2028. O projeto busca integrar moradores, universidades e instituições para solucionar problemas urbanos, sociais e ambientais nos bairros Centro-Oeste, Lajeado e Los Angeles, promovendo participação comunitária ativa na construção de soluções locais.

A iniciativa é desenvolvida em parceria entre a UCDB (Universidade Católica Dom Bosco), a UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) e a Prefeitura de Campo Grande, com financiamento da Fundect (Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul) no valor de R$ 80 mil para ações até 2028.

Coordenado pela professora Doutora Cleonice Alexandre Le Bourlegat, o projeto nasceu a partir de uma experiência anterior desenvolvida no centro da Capital, especialmente na região da Rua 14 de Julho, em parceria com o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento).

Segundo a pesquisadora, o próprio BID sugeriu que o modelo fosse levado para uma região de extrema periferia. A escolha recaiu sobre a região do Anhanduizinho por concentrar vulnerabilidades sociais, precariedade urbana e grande densidade populacional. O Centro-Oeste, um dos bairros foco do projeto, é apontado pela professora como um dos mais populosos da cidade, com 37.671 moradores, conforme o último Censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2022.

“O Centro-Oeste reúne todo tipo de necessidade social, de infraestrutura, de mobilidade e de acesso ao trabalho”, afirma.

Projeto quer transformar região do Anhanduizinho em laboratório vivo
Ruas sem afalto e moradias precárias na região. (Foto: Juliano Almeida)

Território - Além das dificuldades urbanas, a equipe identificou uma série de contradições econômicas e territoriais na região. Próximo aos bairros estão o futuro Porto Seco ligado à Rota Bioceânica, áreas industriais, hortas urbanas e grandes empreendimentos comerciais. Ainda assim, muitos moradores precisam percorrer longas distâncias para trabalhar e enfrentam dificuldades de acesso a serviços básicos.

“Você tem uma complexidade de ações e, ao mesmo tempo, tudo muito desconectado”, resume a coordenadora.

Abertura de diálogo - A proposta do Laboratório Vivo é justamente aproximar esses diferentes atores e criar conexões permanentes entre moradores, pesquisadores, empresas, escolas, instituições públicas e organizações sociais.

“Não é decidir para eles. É decidir com eles”, enfatiza Cleonice.

O modelo prevê reuniões presenciais, criação de plataformas digitais de participação social e o envolvimento direto da população na identificação dos problemas e na construção das soluções. A expectativa é desenvolver mecanismos permanentes de diálogo entre comunidade e instituições.

A pesquisa também pretende mapear lideranças comunitárias, grupos organizados e setores já atuantes na região. Entre os parceiros que devem participar das ações estão escolas, Senac, organizações ambientais, pesquisadores de agricultura urbana e especialistas em regeneração urbana.

Etapas do projeto - Nos primeiros dois anos, o foco estará na estruturação dessas redes de participação e comunicação. A equipe pretende inclusive envolver jovens e estudantes no desenvolvimento de tecnologias sociais e ferramentas digitais voltadas à comunidade.

“A gente quer buscar talentos dentro das escolas para criar aplicativos e formas de comunicação”, explica a professora.

Embora ainda esteja em fase inicial, o projeto já aponta alguns problemas considerados prioritários pelos pesquisadores. Entre eles estão questões habitacionais, dificuldades de mobilidade urbana, precariedade de infraestrutura e fragilidade econômica local.

A professora cita como exemplo a situação da antiga Homex, onde problemas habitacionais se agravaram ao longo dos anos.“Tem área ali que virou uma favela enorme”, afirma.

Outro ponto observado é a dificuldade de fortalecimento da economia local. A equipe tenta entender, por exemplo, por que estruturas como incubadoras de empresas e polos industriais próximos não conseguiram impulsionar o empreendedorismo e a geração de emprego na região.

“Por que esse polo não está empregando? Por que os microempreendedores não emergiram com facilidade?”, questiona.

Projeto quer transformar região do Anhanduizinho em laboratório vivo
Região é considerada de vulnerabilidade social (Foto: Juliano Almeida)

Agenda 2030 - Além da dimensão social e econômica, o projeto também pretende propor ações ambientais integradas, baseadas em soluções sustentáveis e no equilíbrio entre cidade e natureza. A proposta dialoga com o Objetivo 11 da Agenda 2030 da ONU (Organização das Nações Unidas), que prevê cidades mais inclusivas, resilientes e sustentáveis.

Segundo Cleonice, o projeto trabalha com uma visão territorial ampla, integrando questões sociais, ambientais e econômicas.

“Hoje a ONU fala muito em parar de fazer cidades totalmente zoneadas. A ideia agora é aproximar moradia, serviços e trabalho”, explica.

O conceito se aproxima do modelo conhecido como “cidade de 15 minutos”, em que os moradores conseguem acessar serviços essenciais, lazer e trabalho sem grandes deslocamentos.

Apesar de o financiamento inicial de R$ 80 mil ser considerado pequeno para a dimensão da proposta, a equipe acredita que o projeto pode abrir caminho para futuras etapas e novos investimentos nacionais e internacionais.

“Se conseguirmos montar essa conexão com a população, já vamos ficar muito felizes”, diz a pesquisadora.

A expectativa é que o modelo desenvolvido no Anhanduizinho possa futuramente ser replicado em outras regiões de Campo Grande.

“Se esse modelo funcionar, ele pode ser levado para outros bairros.”

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Habitações precárias serão um dos focos do estudo. (Foto: Juliano Almeida)

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  • Fotos: Juliano Almeida
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