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Cidades

Retomada econômica e flexibilização em MS esbarram em indicadores da OPAS

Organização Pan-Americana da Saúde está em Mato Grosso do Sul para validar plano de desenvolvimento pós-crise

Por Jones Mário | 10/06/2020 13:20
Índice de isolamento social do Estado é um dos mais baixos do País (Foto: Silas Lima/Arquivo)
Índice de isolamento social do Estado é um dos mais baixos do País (Foto: Silas Lima/Arquivo)

Equipe da OPAS (Organização Pan-Americana da Saúde), vinculada à OMS (Organização Mundial da Saúde), está em Mato Grosso do Sul para, segundo o secretário de Estado de Governo e Gestão Estratégica (Segov), Eduardo Riedel, validar o plano de retomada da economia em cenário pós-crise, causada pela pandemia de novo coronavírus. Os técnicos da entidade devem permanecer no Estado até o fim de semana.

O papel da OPAS é de consultoria e orientação. Em abril, a instituição lançou guia técnica com considerações sobre ajustes nas medidas de distanciamento social, a fim de auxiliar na tomada de decisões por parte de governos.

O documento enumera indicadores que devem ser levados em conta para flexibilização ou endurecimento nas medidas de enfrentamento à pandemia. Um deles é o número de reprodução efetivo, resumido pela sigla “Rt”, que calcula o nível de transmissibilidade do vírus com base nos avanços de casos confirmados e mortes. Valores superiores a 1, indicam propagação desenfreada do vírus.

Segundo dados de monitoramento do grupo Covid-19 Analytics, da PUC-Rio, o Rt de Mato Grosso do Sul está em 1,3, ou seja, acima do considerado ideal.

Gráfico mostra evolução do número de reprodução efetivo, o Rt, em Mato Grosso do Sul (Infográfico: Covid-19 Analytics)
Gráfico mostra evolução do número de reprodução efetivo, o Rt, em Mato Grosso do Sul (Infográfico: Covid-19 Analytics)

A OPAS aconselha ainda que uma tendência de queda para Rt em direção a 1, ao longo de 14 dias, justificaria o início de um processo de redução das medidas restritivas.

Conforme o Covid-19 Analytics, a curva de monitoramento de Rt no Estado bateu seu pico em 12 de maio, com 2,31. De lá para cá, o indicador vem caindo, mas começa a se estabilizar.

A guia técnica da OPAS aponta que, se a decisão de afrouxamento é tomada, cada etapa deve se estender por pelo menos 14 dias. O intervalo é o ideal para identificação de alterações epidemiológicas no tempo correspondente ao período máximo de incubação (tempo entre a exposição à covid-19 e a percepção dos primeiros sintomas).

Outro indicador que advoga contra medidas de flexibilização no Estado é o teto de 5% na proporção de casos confirmados entre os notificados, por um período superior a 14 dias. A taxa atual em Mato Grosso do Sul é de 13,9% de testes positivos.

O Estado também não se encaixa na indicação de queda contínua de internações em UTI (Unidade de Terapia Intensiva) atribuíveis à covid-19, por no mínimo 14 dias. Hoje, 34 pacientes confirmados ou suspeitos ocupam estes leitos, número que, há uma semana, era menos da metade disso (15).

Preocupação - Em transmissão ao vivo nesta manhã, o secretário Eduardo Riedel disse que a presença da OPAS no processo de validação do plano de retomada da economia do Estado serve para “que a gente tenha maior certeza e garantia, no sentido de ter um Mato Grosso do Sul mais seguro e precavido”.

O governo estadual se preocupa com a queda na arrecadação, de aproximadamente R$ 250 milhões referentes a maio, em decorrência da desaceleração na economia. O governador Reinaldo Azambuja (PSDB) já classificou o socorro da União, de R$ 1,1 bilhão, como “insuficiente” para equilibrar as finanças.

O Estado segue entre as piores taxas de isolamento do País, segundo dados da startup InLoco, com 34,9% registrados ontem (9). O índice só supera Goiás (34,3%) e Tocantins (33,5%).

A guia da OPAS recomenda ainda que as medidas individuais de distanciamento social, com isolamento de casos e quarentena de respectivos contatos, são recomendadas independentemente do cenário de transmissão atual.

Mato Grosso do Sul chegou a 2.597 casos de covid-19 hoje, com 24 mortes. Outras 523 amostras suspeitas são investigadas em laboratório.

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