Sede de R$ 50 milhões tira Fiocruz de laboratórios emprestados em MS
Novo espaço abre oportunidade para estudos mais complexos e chances de vagas para pesquisadores

A Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) em Mato Grosso do Sul inaugurou hoje (22) a nova sede em Campo Grande, construída e estruturada com mais de R$ 50 milhões em investimentos públicos. A mudança do antigo local representa não depender mais de laboratórios emprestados por outras instituições, ter mais condições de desenvolver pesquisas complexas e abrir mais vagas para empregar pesquisadores no Estado, futuramente.
RESUMO
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A Fiocruz de Mato Grosso do Sul inaugurou sua nova sede em Campo Grande, com investimentos de mais de R$ 50 milhões. O espaço, localizado ao lado da Embrapa na Vila Popular, conta com laboratórios próprios para pesquisas complexas. Entre os projetos previstos está a avaliação de uma vacina de RNA contra tuberculose, em parceria com Bio-Manguinhos, prevista para 2025.
O anterior ficava no Bairro Parati, era pequeno e não tinha espaço adequado para as análises científicas serem feitas. Os pesquisadores precisavam se deslocar na cidade para trabalhar, enquanto o local fixo funcionava mais como uma sede administrativa e de ensino. Já o novo prédio fica ao lado da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) Gado de Corte, na Vila Popular, e possui a estrutura necessária para se trabalhar com ciência e com pesquisas integradas.
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Diretora da instituição, Jislaine de Fátima Guilhermino destacou que a nova sede vem quando a fundação está perto de completar 18 anos no Estado, em 30 de junho. Antes, os pesquisadores ficavam numa sede administrativa localizada no Bairro Parati, enquanto as análises que necessitavam de laboratório eram feitas em locais como o Lacen (Laboratório Central de Saúde Pública), a UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), a UCDB (Universidade Católica Dom Bosco) e outros.

As principais frentes de estudos da Fiocruz MS utilizam amostras que demandam locais específicos, explica Jislaine. “Agora, nós temos um parque instrumental capaz de dar mais fôlego no processamento dessas amostras, a gente vai poder ampliar o número de análises e isso vai ter um impacto lá na frente nas áreas que nós mais trabalhamos, que são a vigilância epidemiológica, vigilância genômica e vigilância de base comunitária”, fala.
Vacina contra tuberculose - Pesquisador da Fiocruz de Mato Grosso do Sul, o infectologista Júlio Croda adianta que a pesquisa sobre uma nova vacina contra a tuberculose poderá ser a primeira que o Centro de Pesquisa Clínica da instituição, ainda em fase de licitação, vai receber. “Eventualmente, no ano que vem a gente vai iniciar a avaliação de uma vacina de RNA para tuberculose aqui no Estado em parceria com a Bio-Manguinhos”, conta.
A unidade parceira, que fica no Rio de Janeiro (RJ), entrará com a produção em si. Já o centro de pesquisa da Fiocruz contribuirá com a parte de diagnóstico. “Esse laboratório é mais para vigilância, não é um laboratório de produção, mas a gente vai ter aqui parte do desenvolvimento no futuro dessa plataforma de ensaio clínico, onde os pacientes serão recrutados e avaliados para essa nova vacina”, detalha.

Croda lembrou que Mato Grosso do Sul já colaborou com o desenvolvimento de outros imunizantes, como uma vacina contra a dengue. “O que nós temos aqui é uma série de laboratórios que vão dar mais condição para a Fiocruz entregar pesquisa de qualidade para a população do Estado”, diz. “É importante dizer que vem complementar a estrutura que outras instituições já têm”, finaliza.
Da nova sede também podem nascer novos medicamentos, insumos farmacêuticos e informações relevantes para orientar as políticas públicas. “Os estudos podem ampliar o acesso a tudo isso lá na frente e também vão permitir a geração de maior número de dados em saúde, que vão ajudar o gestor, a autoridade sanitária, na tomada de decisão”, complementa Jislaine.
Incremento - Venezuelana que atua há mais de 10 anos na Fiocruz MS, a coordenadora de pesquisa Zoraida Fernandes Grillo afirma que a nova sede incrementa plataformas de estudos da instituição na faixa de fronteira, especialmente.
Ela dá como exemplo um projeto em andamento em Corumbá, realizado em parceria com Secretarias de Saúde, e outro direcionado ao povo indígena Guató. "Temos a intenção de ampliar isso, fazendo estudos em animais silvestres também. Os patógenos não têm fronteiras, vão e voltam", observa.
Zoraida pesquisa vírus emergentes na instituição. Ela destaca ainda que a nova sede permitirá ampliar o sequenciamento genético, iniciado em 2022 após a compra de um equipamento. “A gente já contribuiu de amostras diagnosticadas da influenza, chikungunya, dengue e outros. Isso é importante para conhecer as variantes que estão circulando”, afirma.
Outra novidade é que a Fiocruz MS poderá emprestar laboratórios e oferecer mais cursos. "A expectativa é fazer mais treinamentos, projetos com outras instituições. Se algum pesquisador tem interesse em sequenciar uma bactéria, uma planta, por exemplo. A gente vai conseguir ajudar", conclui a coordenadora.
Rota Bioceânica e industrialização - Presente na inauguração, o presidente da Fiocruz nacional, Mario Santos Moreira, frisou que a expansão da unidade de Mato Grosso do Sul é estratégica e responde a desafios que o Estado vem enfrentando. Ele destacou a Rota Bioceânica.
Já o secretário estadual de Saúde, Maurício Simões, citou a questão industrial. "Traz grandes desafios, como aconteceu em Ribas do Rio Pardo com a vinda de migrantes para a instalação da fábrica de celulose e os casos de hanseníase, tuberculose e sífilis. Esse mesmo processo está se encaminhando para Inocência e para Bataguassu, que têm outros projetos de industrialização", elencou. Simões afirmou ainda que o novo polo da Fiocruz poderá auxiliar "para que o desenvolvimento do Estado seja realizado com o desenvolvimento da saúde da população".
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