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Cidades

“Sou árabe, sempre tive hábito de guardar”, diz Chadid sobre pilhas de dinheiro

Conselheiro foi afastado do Tribunal de Contas em operação da Polícia Federal

Aline dos Santos | 09/12/2022 11:39
Polícia Federal apreendeu pilhas de dinheiro na casa de Ronaldo Chadid em junho de 2021. (Foto: Divulgação/PF)
Polícia Federal apreendeu pilhas de dinheiro na casa de Ronaldo Chadid em junho de 2021. (Foto: Divulgação/PF)

Afastado do TCE (Tribunal de Contas do Estado) na quinta-feira (dia 8) e com ordem para uso de tornozeleira eletrônica, o conselheiro Ronaldo Chadid surge na nova etapa de operação da PF (Policia Federal) causando “enorme estranheza” pelo fato de ter R$ 889.660 em casa. As pilhas de cédulas foram apreendidas na primeira fase, realizada em 8 de junho de 2021. Uma das justificativas de Chadid é ser árabe e guardar as economias desde 1995.

“Eu sou árabe, sempre tive hábito em guardar dinheiro em casa, já exerci atividade na advocacia, como delegado de polícia, promotor de justiça, procurador do Ministério Público de contas, e por fim, conselheiro, mas sempre eu tive atividade paralela na docência, eu criei, praticamente, seis cursos de Direito aqui no Estado, promovi diversos cursos de especialização, cursos de extensão, e também sou investidor em Minha Casa Minha Vida, tenho essa atividade na área imobiliária. Eu tenho 5 (cinco) filhos e 2 (dois) netos, então eu tenho que trabalhar mais do que o normal, é produto do meu trabalho, da minha propriedade, esse dinheiro”.

A declaração foi dada por Chadid ao delegado da Polícia Federal no ano passado. Em 2021, outros R$ 600 mil, também pertencente ao conselheiro, foram apreendidos no apartamento de Thais Xavier Ferreira da Costa, assessora e chefe de gabinete.

Segundo a PF, os argumentos apresentados pelo conselheiro, no sentido de ter por hábito guardar dinheiro em casa e que os valores seriam economias acumuladas ao longo da vida, não são hábeis a comprovar a proveniência lícita do dinheiro apreendido.

“Causa enorme estranheza, seja sob o enfoque da questão da segurança ou no tocante à rentabilidade proporcionada por investimento em instituição financeira, a manutenção de vultosa quantia de dinheiro em espécie armazenada de forma precária, acondicionada em malas, e em poder de terceiros”.

A equipe policial identificou, ainda, que no período compreendido de apenas dois meses, entre 09/04/2021 e 07/06/2021, o conselheiro efetuou pagamentos em espécie superior a R$ 360 mil para aquisição de imóvel, compra de automóvel e despesas com a reforma de imóvel.

A suspeita é de que os valores são oriundos de corrupção e o conselheiro se tornou alvo por decisões favoráveis à empresa CG Solurb. Além da poupança ao longo dos anos, Chadid declarou que o valor incluir pagamento por atividade docente e herança. A servidora também foi afastada do cargo, com ordem para uso de tornozeleira eletrônica. A reportagem não conseguiu contato com os citados.

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