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Capital

Júri condena homem a 14 anos por matar desafeto com golpes de foice

Jurados retiraram a acusação de motivo torpe e fixaram a pena em regime fechado durante o julgamento

Por Bruna Marques | 06/05/2026 14:46
Júri condena homem a 14 anos por matar desafeto com golpes de foice
Pedro Lúcio Jesus de Oliveira acompanhou o julgamento no banco dos réus (Foto: Bruna Marques)

Pedro Lúcio Jesus de Oliveira, conhecido como “Peu”, foi condenado nesta quarta-feira (6), pelo Tribunal do Júri de Campo Grande pela morte de Marcelo Marcelino. O julgamento ocorreu durante sessão da 2ª Vara do Tribunal do Júri, presidida pelo juiz Aluízio Pereira dos Santos.

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Pedro Lúcio Jesus de Oliveira, o "Peu", foi condenado a 14 anos de prisão em regime fechado pelo Tribunal do Júri de Campo Grande pela morte de Marcelo Marcelino, morto com golpes de foice em maio de 2025 no bairro Indubrasil. Os jurados afastaram a qualificadora de motivo torpe e o réu foi condenado por homicídio simples. Ele também deverá pagar R$ 10 mil por danos morais aos familiares da vítima.

Na acusação atuou a promotora de Justiça Luciana do Amaral Rabelo. A defesa foi feita pelo defensor público Rodrigo Antonio Stochiero Silva.

De acordo com a denúncia apresentada pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), o crime aconteceu na madrugada de 7 de maio de 2025, na região do Indubrasil, em Campo Grande. A acusação sustentava que Pedro teria ido até a casa de Marcelo após suspeitar que a vítima havia incendiado sua residência dias antes.

Segundo o processo, os dois discutiram e a situação terminou em agressões. Marcelo foi morto com golpes de foice. Após o crime, Pedro deixou o local.

Inicialmente, o Ministério Público denunciou o acusado por homicídio qualificado por motivo torpe, alegando que a morte teria ocorrido como uma espécie de “acerto de contas” ligado a desavenças anteriores. Durante o julgamento, porém, tanto a acusação quanto a defesa defenderam a retirada dessa qualificadora.

Os jurados reconheceram que houve homicídio, mas entenderam que não ficou caracterizado o motivo torpe. Com isso, Pedro foi condenado por homicídio simples.

Júri condena homem a 14 anos por matar desafeto com golpes de foice
Promotora de Justiça Luciana do Amaral Rabelo durante sustentação no julgamento realizado nesta quarta-feira (Foto: Bruna Marques)

Durante o julgamento, a defesa tentou a absolvição do réu. Entre os argumentos apresentados estavam legítima defesa, inexigibilidade de conduta diversa e homicídio privilegiado por relevante valor moral. A defesa alegou que a vítima teria ameaçado Pedro, o agredido anteriormente e incendiado sua casa dias antes do crime.

Na sentença, o juiz fixou a pena em 14 anos de prisão em regime fechado. A decisão considerou a confissão do réu como circunstância favorável, mas também levou em conta a reincidência criminal. Segundo a sentença, os dois fatores acabaram se compensando no cálculo da pena.

O magistrado destacou ainda a violência empregada no crime, citando múltiplos golpes, uso de foice, facão, “mata-leão” e até fio elétrico. A menção ao fio elétrico chamou atenção porque a versão principal do processo tratava apenas de golpes com arma branca, o que pode virar ponto de discussão em eventual recurso da defesa.

A sentença também menciona antecedentes criminais, fuga anterior da Justiça e rompimento de tornozeleira eletrônica por parte do condenado.

Júri condena homem a 14 anos por matar desafeto com golpes de foice
Marcelo Marcelino foi morto em 7 de maio de 2025, na região do Indubrasil, em Campo Grande (Foto: Direto das Ruas)

Apesar disso, o juiz observou que as consequências do caso foram consideradas típicas de homicídio e que não houve contribuição direta da vítima no momento da execução do crime.

Outro ponto destacado na decisão é que o caso não foi classificado como crime hediondo, justamente porque a qualificadora de motivo torpe foi afastada pelos jurados.

Além da pena de prisão, Pedro foi condenado a pagar R$ 10 mil por danos morais aos familiares da vítima. Os objetos usados no crime, como foice e facão, foram declarados perdidos e deverão ser destruídos.

O réu continuará preso mesmo com possibilidade de recurso.

Crime - Marcelo Marcelino foi encontrado com uma foice cravada no pescoço e sinais de tortura em um barraco no bairro Indubrasil.

O autor foi encontrado pouco tempo depois do homicídio e levado para o local do crime, onde vizinhos o reconheceram. Segundo a polícia, ele também confessou ter assassinado a vítima. Na sequência, foi realizada perícia na casa da vítima.

Júri condena homem a 14 anos por matar desafeto com golpes de foice
Pedro Lúcio Jesus de Oliveira na época em que foi preso após o crime (Foto: Direto das Ruas)

Conforme apurado na época, Pedro foi até a casa de Marcelo para tirar satisfação e houve um desentendimento entre os dois. Vizinhos encontraram Marcelo morto após sentirem a falta dele, que não era visto desde a manhã anterior. Uma das moradoras afirmou que a vítima era muito querida e que, hoje, ao ver a luz do barraco onde ele morava acesa, encontrou o homem caído sem vida.

A vizinha acionou a Polícia Militar que encontrou Marcelo com um fio amarrado no pescoço e a foice cravada no local onde foi dado o golpe.

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