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Cidades

Vigilância queimará 1 tonelada de emagrecedores ilegais

Medicamentos, anabolizantes e outras substâncias apreendidas na Capital rumo à fronteira para incineração

Por Anahi Zurutuza | 17/06/2026 21:53
Vigilância queimará 1 tonelada de emagrecedores ilegais
Emagrecedores, anabolizantes e peptídeos apreendidos pela Vigilância Sanitária nos Correios, em Campo Grande (Foto: Vigilância Sanitária/Divulgação)

Pouco mais de uma tonelada de medicamentos e substâncias irregulares apreendidos pela Vigilância Sanitária Estadual deixará Campo Grande nesta quinta-feira (18) com destino à região de fronteira de Mato Grosso do Sul, de onde vieram, para incineração. A carga que será destruída contém os análogos ao famoso “Mounjaro”, febre na onda de emagrecimento rápido, além de peptídeos utilizados para fins estéticos e esteroides anabolizantes de fabricação estrangeira sem registro ou autorização da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

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Mais de uma tonelada de medicamentos irregulares apreendidos pela Vigilância Sanitária de Mato Grosso do Sul será incinerada nesta quinta-feira (18). A carga inclui análogos ao emagrecedor Mounjaro, peptídeos estéticos e anabolizantes sem registro na Anvisa, interceptados nos Correios em Campo Grande. Os produtos, avaliados em mais de R$ 10 milhões, eram contrabandeados do Paraguai e redistribuídos para outros estados.

Caminhão contendo os itens apreendidos seguirá pela estrada escoltado pela PRF (Polícia Rodoviária Federal).

A incineração encerra um ciclo iniciado meses atrás com a Operação Visa-Protege, da Coordenadoria Estadual de Vigilância Sanitária, que revelou Mato Grosso do Sul como uma das principais portas de entrada e redistribuição de medicamentos clandestinos para o restante do país.

Somente nos primeiros meses da operação, fiscais apreenderam aproximadamente uma tonelada de produtos irregulares avaliados em mais de R$ 10 milhões. As encomendas eram interceptadas no Centro de Triagem dos Correios, em Campo Grande, antes de seguirem para diversos estados brasileiros, principalmente do Nordeste.

As apreensões incluíram medicamentos escondidos em bonecas, bichos de pelúcia, air fryers, sanduicheiras, livros, garrafas térmicas e embalagens de cosméticos, numa tentativa de driblar a fiscalização.

Entre os produtos apreendidos estão medicamentos à base de tirzepatida, princípio ativo presente nas chamadas canetas emagrecedoras, que se transformaram em febre nacional.

A preocupação das autoridades sanitárias vai além do contrabando. Parte dos produtos apreendidos integra uma lista de medicamentos que já foram alvo de alertas sanitários no próprio Paraguai. Em maio, a Dinavisa (Direção Nacional de Vigilância Sanitária paraguaia) classificou como de "risco grave à saúde pública" diversos peptídeos, hormônios e anabolizantes, determinando a suspensão imediata do uso desses produtos.

Na mesma época, a Vigilância Sanitária identificou, em meio às apreensões feitas pela operação local, medicamentos para emagrecimento que haviam sido proibidos no país vizinho. Ou seja, os produtos, fabricados sem comprovação de qualidade e segurança, continuavam entrando no Brasil por meio da fronteira seca e eram redistribuídos para consumidores de diversas regiões do país.

O mercado clandestino dos anabolizantes também ficou mais exposto. Reportagem recente mostrou que a proximidade com o Paraguai facilita o acesso a hormônios e esteroides utilizados para ganho de massa muscular, muitos deles vendidos sem controle sanitário e negociados por aplicativos de mensagens. Especialistas alertam que o uso indiscriminado dessas substâncias está associado a complicações cardiovasculares, hepáticas e hormonais graves.

Segundo nota da Secretaria de Estado de Saúde, todos os produtos que serão destruídos foram apreendidos por comercialização irregular e por não possuírem regularização junto à Anvisa. Sem garantia quanto à procedência, ao armazenamento ou à composição, os medicamentos representam risco potencial à saúde dos consumidores.