Apelo contra feminicídio marca retorno de ícone à Capital
Durante cerimônia na antiga estação, historiadora destacou proteção às mulheres do Estado
Em meio à celebração pelo retorno do ícone histórico de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro a Campo Grande, a historiadora Maria Madalena Dib fez um apelo contra o feminicídio em Mato Grosso do Sul. Durante discurso na Plataforma Cultural, neste domingo (7), ela pediu proteção às mulheres e citou a violência de gênero ao falar sobre a importância da fé cristã.
RESUMO
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Durante a celebração pelo retorno do ícone de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro a Campo Grande, a historiadora Maria Madalena Dib pediu proteção às mulheres e citou o feminicídio em Mato Grosso do Sul. O estado registrou 57 assassinatos de mulheres em 2024, alta de 18,8%. Entre janeiro e abril deste ano, a Justiça concedeu 6.347 medidas protetivas, uma a cada 27 minutos, segundo o CNJ.
“Que nos abençoe, afastando de todas as famílias esse mal da agressão, da incompreensão. Do feminicídio, nós temos que, enquanto cristãos, ter fé. Acreditar e, principalmente, pôr nos pés dela a vida de todas as mulheres”, afirmou.
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Presidente do IHCGMS (Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul), Maria Madalena participou da cerimônia que marcou a apresentação do ícone restaurado de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, padroeira do Estado. A obra voltou à Capital após três meses de restauração em São José dos Campos (SP).
A manifestação ocorreu em um momento de alerta para a violência contra mulheres em Mato Grosso do Sul. Dados do Atlas da Violência mostram que o Estado registrou 57 assassinatos de mulheres em 2024, aumento de 18,8% em relação aos 48 casos contabilizados em 2023. No mesmo período, o Brasil registrou queda de 6,7%.
Os indicadores mais recentes também apontam crescimento da procura por proteção judicial. Entre janeiro e abril deste ano, a Justiça de Mato Grosso do Sul concedeu 6.347 medidas protetivas. A média equivale a uma decisão a cada 27 minutos, segundo levantamento do CNJ (Conselho Nacional de Justiça).
Ao pedir a intercessão de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, Madalena associou a celebração religiosa à realidade enfrentada por mulheres vítimas de violência. O trecho sobre feminicídio surgiu durante discurso voltado ao significado histórico da antiga estação ferroviária para Campo Grande e para o Estado.
“Que ela venha mais uma vez abençoar nossa comunidade, o seu povo aqui. Há mais de cem anos nós estamos recebendo a população do Brasil, do mundo inteiro. A história de Campo Grande, a história do sul do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul passou por aqui, por esse solo”, declarou.
A Plataforma Cultural foi escolhida para receber o ícone restaurado por sua ligação com a chegada dos missionários redentoristas à Capital na década de 1930. Foram eles os responsáveis por difundir a devoção à Nossa Senhora do Perpétuo Socorro na região.
A cerimônia abriu a programação da IX Festa da Padroeira de Mato Grosso do Sul. Depois da apresentação pública, o ícone seguiu em carreata para o Santuário Estadual Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, onde ocorreu a missa de acolhida da obra restaurada.


