Apesar de peso histórico, Avenida Guaicurus "sofre" com invasão e descuido
Na via funciona o Museu Histórico José Antônio Pereira, que hoje vive uma realidade distante da relevância
A Avenida Guaicurus, uma das principais vias de Campo Grande, carrega em seus 10,6 quilômetros parte fundamental da história da Capital. Antes mesmo de a região se consolidar como área urbana, o local era uma fazenda onde viveu a família do fundador da cidade, José Antônio Pereira.
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O Museu Histórico José Antônio Pereira, localizado na Avenida Guaicurus, em Campo Grande, convive com abandono e precariedade. O entorno do local apresenta acúmulo de lixo, calçadas danificadas e uma ocupação irregular com 106 famílias instaladas há cerca de um ano e oito meses. Moradores e trabalhadores da região relatam trânsito intenso, acidentes frequentes e ausência de melhorias na infraestrutura local ao longo dos anos.
Ali funcionava a antiga Fazenda Bálsamo, em 1870, nome herdado do córrego que corta a região, e que hoje abriga o Museu Histórico José Antônio Pereira.
Apesar desse peso histórico, o cenário atual, especialmente no trecho do Jardim Monte Alegre, revela uma realidade distante da relevância que a avenida representa. O espaço que deveria valorizar a memória da cidade convive com sinais evidentes de abandono.
Ao redor do museu, áreas invadidas, acúmulo de lixo e entulhos e calçadas em condições precárias fazem parte da paisagem. O verde existe, mas sem manutenção, pouco chama a atenção de quem passa.
A avenida, que também funciona como importante corredor de ligação entre bairros, é marcada por trânsito intenso ao longo de todo o dia, com forte presença de caminhões.
Quem passa pelo local muitas vezes não percebe o valor histórico da área, concentrando-se apenas nos desafios do cotidiano, como o barulho constante, o risco de acidentes e a dificuldade de circulação. Em vários pontos, a ausência de calçadas adequadas torna o deslocamento a pé ainda mais complicado.
A configuração urbana também evidencia um esvaziamento no entorno do museu. Placas de “aluga-se” e portões fechados, enquanto o canteiro central, ao longo de toda a extensão, é dominado por torres de transmissão de energia elétrica.
Na Avenida Guaicurus e na Rua Zenio Silva, atrás do museu, há 1 ano e 8 meses ocorreu a ocupação de uma área. Atualmente, 106 famílias vivem no local, após chegarem em setembro de 2024. Uma cerca separa o patrimônio histórico da área ocupada, criando um contraste direto entre passado e presente.
Segundo Adriano, líder das famílias, o espaço estava abandonado antes da ocupação. Ele afirma que o grupo buscou informações sobre a situação do terreno, que possui uma dívida milionária, e organizou a divisão dos lotes. O caso já passou por audiências judiciais e segue em disputa.
“Quando chegamos a área estava abandonada, procuramos saber de quem era a área, qual dívida que tinha, existia uma dívida de 3 milhões. Aqui é a uma área particular, organizamos as famílias, cortamos os terrenos e colocamos as famílias para morar. Estava abandonado. O responsável já veio atrás, passamos por três audiências, mas até agora está correndo [o processo]”, destacou.
Para quem vive ou trabalha na região, a sensação é de que os problemas persistem há anos. A secretária Rivanda Nogueira, de 47 anos, que trabalha há 16 anos na região, afirma que não houve melhorias significativas nesse período e destaca o trânsito pesado e o alto número de acidentes como parte da rotina.
“O trânsito é bem pesado, o movimento é bem difícil, tem muito acidente. A maioria das vezes é muito movimento pesado, caminhões”, disse.
Sobre o valor histórico da avenida, ela diz que é apenas um ponto de referência e que não conhece o local. “Melhorias não teve nenhuma. O museu virou um ponto de referência aqui”, disse.
O mecânico Rafael da Silva, de 46 anos, trabalha e mora bem em frente ao museu. Ele lembra de um passado ainda mais precário, quando faltavam iluminação e asfalto, e havia maior incidência de violência.
“Era muito feio, não tinha iluminação, asfalto. Isso aí era muito abandonado antigamente, aqui tinha muito assalto, era muito escuro”, relembrou.
Para ele, o local que deveria ser símbolo de Campo Grande, segue abandonado, com excesso de mato e carência de infraestrutura básica, como ciclovias e calçadas.
“Eu acho que tinha que melhorar mais, isso aí é o símbolo de Campo Grande e fica muito abandonado, só tem espaço, cria mato. Aqui precisa de ciclovia, não tem calçada para andar”, pontuou.
O Campo Grande News entrou em contato com a Prefeitura sobre a situação da região e aguarda o retorno.

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