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Capital

Rua histórica terá restrição para passagem de caminhões de grande porte

Moradores temem que veículos tombem sobre as casas; prefeitura criará novo acesso à Feira Central

Por Ketlen Gomes e Mylena Fraiha | 20/05/2026 13:52
Rua histórica terá restrição para passagem de caminhões de grande porte
Rua dos Ferroviários será fechada para trânsito de veículos grandes em 15 dias. (Foto: Osmar Veiga)

O acesso de caminhões de grande porte à Rua dos Ferroviários, no Bairro Cabreúva, em Campo Grande, deve mudar nos próximos 15 dias para evitar danos às casas históricas e reduzir riscos aos moradores da região. A medida foi discutida durante audiência pública realizada na manhã desta quarta-feira (20) e prevê limitação de altura para veículos que seguem em direção à Feira Central.

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A prefeitura de Campo Grande deve restringir o acesso de caminhões de grande porte à Rua dos Ferroviários, no Bairro Cabreúva, nos próximos 15 dias. A medida foi discutida em audiência pública e prevê limite de altura de três metros para veículos. Serão instaladas barreiras e sinalizações na região. Moradores relatam danos à fiação e riscos às casas históricas causados pelos caminhões que abastecem a Feira Central.

Com cerca de 700 metros de extensão, a Rua dos Ferroviários concentra imóveis antigos e tem registrado problemas com o tráfego de caminhões de grande porte, principalmente durante eventos promovidos pela feira. Segundo a diretora-adjunta da Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito), Andréa Figueiredo, a prefeitura instalará estruturas de sinalização e bloqueio para impedir a passagem de veículos incompatíveis com a via.

De acordo com ela, a altura máxima permitida será de 3 metros, mas um estudo técnico vai confirmar o limite. Além das placas laterais, a prefeitura instalará barras horizontais para alertar os motoristas antes da entrada no trecho restrito.

“Muitas vezes o caminhoneiro não percebe apenas a sinalização lateral. Então vamos colocar uma estrutura horizontal, paralela à via, para que, quando ele chegar, já visualize imediatamente que o caminhão não passa ali”, explicou.

Rua histórica terá restrição para passagem de caminhões de grande porte
Problemas na limpeza do local e iluminação pública também foram relatados por moradores. (Foto: Osmar Veiga)

A sinalização será implantada na Avenida Mato Grosso, na Rua dos Ferroviários, na Santos Dumont com a Avenida Ernesto Geisel e na Rua Ana América com a Ernesto Geisel. A previsão da Agetran é concluir a instalação em até 15 dias.

Segundo Andréa, apenas caminhões com altura e largura incompatíveis deixarão de circular pelo local. Veículos menores continuarão autorizados a utilizar a rua. “Ela continua sendo uma via pública de livre circulação. Nós vamos limitar apenas os veículos que causam prejuízos”, afirmou.

A diretora também informou que caminhões destinados à Feira Central poderão utilizar o acesso pelo estacionamento do Armazém Cultural, na Avenida Mato Grosso. Segundo ela, a autorização já foi discutida previamente com o secretário municipal de Cultura, Valdir Gomes.

A presidente da Feira Central, Alvira Appel, afirmou que a entidade apoia a retirada dos caminhões da área histórica, mas defendeu a criação de rotas adequadas para abastecimento do espaço. “Se você tira os caminhões de uma área turística, precisa também garantir acessibilidade correta para a feira”, disse.

Ela também comentou que os transtornos ocorrem principalmente durante grandes eventos realizados duas vezes ao ano e afirmou que a própria feira considera necessária, no futuro, a transferência para um espaço mais adequado.

Rua histórica terá restrição para passagem de caminhões de grande porte
Moradores temem que caminhões tombem e acabem caindo em casas histórias na via. (Foto: Osmar Veiga)

O proponente da audiência pública, vereador Wilson Lands (Avante), comentou que durante uma visita à Feira Central, ouviu a demanda de um morador do local, de 86 anos. O parlamentar destacou que além da questão dos caminhões, também serão feitas melhorias na iluminação pública e na limpeza do local.

A reportagem esteve na Rua dos Ferroviários e constatou que o local está com alguns pontos de lixo acumulado. O ex-ferroviário e morador do local há 30 anos, Haroldo Gonçalves, de 85 anos, destacou que a rua é fechada e não há limpeza e nem poda das árvores, enquanto os caminhões entram e acabam puxando a fiação e galhos de árvores, devido à altura.

"Esses caminhões carregam cargas tem até seis metros de altura. Então eles entram nos galhos das árvores e acabam puxando a fiação. A internet também não fica alto o suficiente. Isso acontece desde a entrada da Avenida Mato Grosso até a saída na Santos Dumont", explica Haroldo.

Rua histórica terá restrição para passagem de caminhões de grande porte
Haroldo Gonçalves, ex-ferroviário e morador do local, falando durante audiência pública nesta terça-feira. (Foto: Mylena Fraiha)

A filha do ex-ferroviário, Sandra Helena Gonçalves, conta que acompanhou a mudança na via devido ao fluxo na Feira Central e analisa que os moradores são tratados de forma desrespeitosa, como se não existissem. Sandra relata que, sempre que uma carreta sai da Feira, leva junto pelo menos 10 fios de internet e energia.

"Nós ficamos quatro dias e quatro noites sem luz porque um caminhão saiu da Feira e arrancou a fiação. Eu fui à polícia, fui na Energisa, fui em tudo quanto é lugar, aó mandaram um assistente falar em nome da Dona Alvira, dizendo que tentariam resolver, mas nós continuamos sem energia. Ficamos em casa, num calor tremendo, sem geladeira, perdendo carnes e alimentos. Tivemos que puxar energia improvisada do vizinho", relata.

A casa em que Sandra mora com o pai é de madeira e, quando os caminhões passam, Sandra informa que praticamente sobem na calçada para fazer a curva. Haroldo já entrou diversas vezes na frente dos caminhões para pedir que os motoristas não passem pelo local, porque acredita que um dia algum veículo ainda vai derrubar a casa.

Morador do Complexo Ferroviário, Michael Dias de Paula, também teme que os caminhões tombem e atinjam alguma casa. "Os caminhões que chegam para depositar seus materiais para os eventos na Feira Central são muito pesados, então corre esse risco de um caminhão perder o equilíbrio e atingir alguma casa dos moradores, em um ponto turístico e histórico que está abandonado", alegou.

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