Após impasse e ordem judicial, corpo de "Barão do Tráfico" é liberado
Traslado para Goiás está sendo organizado pela família, mas advogado afirmou que será feito neste sábado
O corpo de Leonardo Dias de Mendonça, de 63 anos, conhecido como o "Barão do Tráfico", foi finalmente liberado para traslado a Goiânia (GO) após um impasse burocrático e a intervenção da Justiça Federal. Detido na Penitenciária Federal de Campo Grande, o detento passou mal na unidade, deu entrada em estado gravíssimo na Unidade do Trauma da Santa Casa e faleceu na última quinta-feira (20).
RESUMO
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Ao Campo Grande News, a advogada Ana Cláudia Alves confirmou a liberação do corpo de Leonardo e que o traslado para a capital goiana será feito neste sábado (22). No entanto, explicou que a família e a empresa funerária tratam diretamente dos trâmites sobre como e a que horas o transporte será realizado.
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Sobre a suspeita de envenenamento que travou o processo, a defensora afirmou que a suspeita segue sendo investigada. Na sexta-feira (21), o juiz federal Luiz Fiorentini determinou a apuração do caso. A ordem prevê necropsia, exames toxicológicos e análise de tecidos para esclarecer a causa da morte de Leonardo.
Leonardo deu entrada na Santa Casa socorrido por uma ambulância do Samu. De acordo com a defesa, conduzida pela advogada Ana Cláudia Alves, o detento já vinha apresentando queixas de saúde desde a semana anterior. Após dias internado em estado grave, ele não resistiu.
Logo após a morte, teve início um impasse entre as instituições envolvidas na liberação do cadáver. Inicialmente, a Santa Casa emitiu uma declaração encaminhando o corpo ao SVO (Serviço de Verificação de Óbito ). O órgão recusou o recebimento por conta do tempo de internação e do quadro de saúde prévio do paciente.
O hospital então repassou verbalmente à família e à defesa a suspeita de um possível envenenamento, indicando que o corpo deveria passar por autópsia no Imol (Instituto de Medicina e Odontologia Legal), segundo a advogada.
Porém, quando a defesa solicitou a formalização da suspeita, a nova declaração emitida pela patologia do hospital omitiu qualquer menção a intoxicação ou envenenamento. Sem essa justificativa formal, o Imol informou que não tinha atribuição para acolher o corpo e realizar a necropsia médico-legal, travando a liberação.
Com isso, Fiorentini ordenou a verificação presencial na Penitenciária Federal de Campo Grande para apurar as circunstâncias que antecederam a morte e a qualidade do atendimento médico prestado ao preso e determinou ainda que todas as gravações das câmeras do circuito interno do presídio sejam preservadas na íntegra.
"Barão do Tráfico"
No início dos anos 2000, a Polícia Federal apontou Leonardo Dias de Mendonça, o “Barão do Tráfico”, como um dos maiores nomes do narcotráfico internacional no Brasil. O histórico do criminoso ganhou projeção nacional durante a Operação Diamante, da Polícia Federal, que desarticulou uma vasta estrutura responsável por movimentar até 4 toneladas de cocaína por ano.
As investigações da época apontavam que o grupo chefiado por Leonardo operava uma complexa rede logística com ramificações na Colômbia, Peru, Suriname, Venezuela e Holanda. O traficante também foi identificado como ex-aliado de Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, e chegou a integrar a lista de procurados da Interpol. Registros policiais da época revelaram ainda que ele negociava carregamentos de droga diretamente com integrantes da Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) em troca de armamentos e dinheiro.
Após cumprir grande parte das penas em presídios de segurança máxima e passar pelo regime semiaberto com uso de tornozeleira eletrônica a partir de 2018, Leonardo voltou a ser preso no ano seguinte. Ele acabou capturado durante uma operação contra uma organização criminosa que utilizava aeronaves de pequeno porte para enviar entorpecentes à Europa, o que culminou em sua transferência definitiva para a Penitenciária Federal de Campo Grande.
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