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Campo Grande, Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017

21/03/2016 09:34

Após saga no Japão, Maria volta com a dor de trazer filhas na mala

Aline dos Santos e Luana Rodrigues
Maria Aparecida (à direita)  chegou hoje a Campo Grande após jornada no Japão. (Foto: Marcos Ermínio)Maria Aparecida (à direita) chegou hoje a Campo Grande após jornada no Japão. (Foto: Marcos Ermínio)

Ao fim de uma saga de 73 dias, Maria Aparecida Amarília Scardin, 50 anos, retornou do Japão com uma bagagem dolorosa: as filhas vieram numa mala vermelha. “Nunca imaginei que minhas filhas iriam voltar para o Brasil dentro de uma mala. É muito doloroso”, diz a mãe, que desembarcou na manhã desta segunda-feira (dia 21) em Campo Grande.

Ela conta que pretende fazer um novo velório e construir uma capela no cemitério Cruzeiro para colocar as urnas com os restos mortais de Akemi e Michelle Maruyama. No mesmo local, ela já sepultou um filho.

A jornada de Maria na terra do sol nascente começou em 8 de janeiro, quando seguiu para o Japão após as filhas serem assassinadas. As irmãs foram encontradas mortas em 29 de dezembro de 2015. Elas moravam há 12 anos no distrito Ippongi-choum, na cidade de Handa, no Japão. O principal suspeito é o marido de Akemi, o peruano Tony La Rosa, que está preso.

Vivendo da solidariedade dos brasileiros, que ajudaram a custear despesas da viagem e a cremação, que custou R$ 30 mil, Maria conta que fez uma investigação paralela. “Conversei com amigos e parentes no Japão”, diz.

Segundo ela, o genro teria matado as irmãs e colocado fogo no apartamento somente horas depois. Maria atribui ao pai de Tony a sugestão de incendiar o imóvel. “Relatei tudo à polícia e pode dar novo rumo para a investigação”, diz. Ela tinha auxílio de intérprete no Japão.

A mãe conta que foi todos os dias prestar depoimento, porque, apesar da distância, matinha contato diário com as filhas. Ela afirma que no Japão é tudo “muito burocrático” em termos de investigação e que o genro não foi indiciado. Ele está preso por outros crimes, como dirigir embriagado.

Abatida, Maria lamenta não ter conseguido trazer as netas de 3 e 5 anos, filhas de Akemi. As crianças estão num abrigo. Mas não esconde a gratidão a quem lhe ajudou.  "Deus existe e é maravilhoso. Apesar do que passei nada me faltou, muita gente me ajudou”, conta.



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