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Capital

Beijo antes de ir trabalhar será aconchego para mãe que perdeu filho em acidente

Marcelo Benites morreu nesta quarta-feira (29), oito dias depois de ser atropelado por carro; motorista fugiu

Por Dayene Paz | 30/06/2022 10:21
Marcelo em uma das fotos postadas nas redes sociais. (Foto: Facebook)
Marcelo em uma das fotos postadas nas redes sociais. (Foto: Facebook)

Antes de sair para o trabalho, Marcelo ia até o quarto da mãe e dava um beijo no rosto dela. Despedida carinhosa de todos os dias, que será aconchego para a aposentada Josefa Fernandes dos Santos Benites, de 67 anos, que soube da morte do filho, na noite desta quarta-feira (29). O garçom e cozinheiro Marcelo Dias Benites, de 41 anos, estava há oito dias internado após ser atropelado por um carro.

"Ele saía do quarto dele, ia para minha cama e dava beijo no meu rosto. Avisava que estava indo trabalhar com um carinho tão grande. A última vez que me deu esse beijo no rosto ele saiu e não voltou mais", lamenta a idosa sobre a última vez que viu o filho, 21 de junho, data do trágico acidente.

Mãe de cinco filhos, Josefa conta que Marcelo morava com ela e era um verdadeiro companheiro. "Um filho nunca repõe o outro e ele vai fazer muita falta. Era meu companheiro, me ajudava a atravessar a avenida, me cuidava muito e acabou sendo ele a vítima", disse a mãe.

Josefa afirma que está tentando ser forte e tem apoio dos outros filhos. "Estou sustentando porque tenho apoio da minha família, a gente tem que sobreviver. É triste pensar que nasce, cresce, você cuida e vai assim. É difícil descrever tudo agora, minha cabeça está embaralhada, uma mãe nunca devia enterrar um filho".

Acidente - Marcelo atravessava a Avenida Gunter Hans, quando foi atingido pelo motorista de uma picape Saveiro branca na entrada do Bairro Jardim Ouro Preto, região do Tijuca, no dia 21 de junho. Câmera de segurança flagrou a violência da batida. O motorista fugiu do local sem prestar socorro.

Marcelo teve múltiplas fraturas pelo corpo, inclusive nas duas pernas e passou por cirurgia. Ele morreu na noite desta quarta-feira (29), na Santa Casa de Campo Grande. Desde o acidente, seguia sedado, intubado e respirando por ajuda de aparelhos na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do hospital.

Reivindicação antiga - Um semáforo no local onde ocorreu o atropelamento é uma reivindicação antiga dos moradores, que criaram até um abaixo assinado para tentar conseguir a instalação de um redutor de velocidade no local.

Após a tragédia a Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito) informou que iria encaminhar uma equipe ao local, para fazer o levantamento, estudos técnicos e "incluir na programação de atendimento a implantação da sinalização adequada para o local".

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