Capital tem público, mas falta local para megashow, debatem produtores
Caos na chegada e saída de apresentação internacional expôs gargalo para eventos em Campo Grande
O show da banda Guns N' Roses em Campo Grande, que reuniu cerca de 35 mil pessoas no Autódromo Internacional nesta quinta-feira (9), entregou um espetáculo no palco, mas, do lado de fora, deixou um rastro espera e frustração para parte do público. Mas fato é que o colapso no trânsito registrado antes e depois da apresentação internacional reacendeu o debate antigo: a Capital tem ou não capacidade para receber megaeventos?
RESUMO
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O show do Guns N' Roses em Campo Grande reuniu 35 mil pessoas no Autódromo Internacional, mas gerou caos no trânsito com filas de até 14 km na BR-262 e relatos de fãs que passaram mais de cinco horas no carro. O episódio reacendeu o debate sobre a capacidade da cidade para receber megaeventos. Produtores locais apontam falta de espaços adequados e acessos múltiplos como principais problemas.
Com filas de até 14 quilômetros na BR-262 e relatos de fãs que passaram mais de cinco horas dentro do carro, alguns sem conseguir chegar a tempo, o debate sobre estrutura e logística voltou com força. E, entre quem vive de fazer evento em Campo Grande, o consenso é claro: público tem, o que falta é espaço 100% adequado e acesso.
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Para Marcos Yule, da F5 Produções, o momento é de aprendizado e não de caça às bruxas. “A cidade ainda não está totalmente preparada para um evento dessa magnitude, principalmente pela falta de um espaço adequado. O mais importante é entender o que deu errado e corrigir para os próximos”, afirma.
Ele reforça que grandes shows movimentam a economia e têm público garantido. “Só precisamos de locais com melhores acessos e localização. Talvez, com a reforma do Morenão, isso possa se tornar realidade”.
Jean Paçoka, conhecido como o “rei das festas de funk”, vai na mesma linha, mas com um diagnóstico direto: não é só sobre caber gente, é sobre conseguir chegar. “No Autódromo cabe às pessoas, só que o fluxo de carros ali na BR, que é só uma via, vai causar engarrafamento. Isso é fato”, diz.
Para ele, Campo Grande até tem opções para eventos menores, como o estacionamento do Shopping Bosque dos Ipês, mas ainda patina quando o assunto é multidão. “O ideal seria um espaço grande e com vários acessos, como em cidades maiores”.
Com mais de 40 anos de estrada, Clebson Marco da Silva, o Jamelão, não economiza nas comparações para explicar o problema: “É igual uma caixa d’água com um gargalo pequeno: vai demorar dias para esvaziar”.
Para ele, o erro da Santo Show, organizadora local do evento, esteve na chegada do público. “Não adianta nada preparação com polícia se não organizar o acesso”, critica. Na visão dele, o lugar mais adequado já existe, o Estádio Universitário Pedro Pedrossian. “O Morenão foi pensado para isso. Tem várias avenidas de acesso. Isso não é à toa”, afirma, defendendo investimento para reativar o espaço.
Outros produtores também apontam que opções tradicionais acabaram ficando pelo caminho. Renan Stramandinolli, da banda Rádio Paulista e que também trabalha com a produção de eventos na Capital, cita o Parque Laucídio Coelho como exemplo. “Lá teve evento a vida inteira, mas hoje tem restrições. Não tem outro local com documentação e estrutura, então acaba virando gambiarra”, resume. Ele também critica a legislação que, segundo ele, dificulta a realização de shows de grande porte ao ar livre.
Na leitura de Marcus Barão, da ABP Eventos, o problema não foi exatamente o evento em si. “Da porta pra dentro, foi um sucesso. O que agravou foi a logística, que dependia do suporte público”, avalia. Para ele, o próprio Laucídio Coelho ainda é uma alternativa possível, se houver ajustes. “Em outras cidades, existem arenas em áreas residenciais que funcionam normalmente”, compara, sobre a questão do suposto incômodo para a vizinhança.
Já Leonardo Alencar, da Realiza Produções, mistura o olhar de produtor e de público para resumir o sentimento geral: “Uma pena”. Ele destaca a dificuldade de viabilizar um show desse porte e a falta de opções na cidade. “Tem outro lugar em Campo Grande que comporte 40 mil pessoas? Eu não consigo pensar”, diz. Para ele, também faltou comunicação mais direta com o público. “Precisava deixar mais claro que era para chegar cedo”.
No meio de críticas, diagnósticos e sugestões, uma coisa ficou evidente: Campo Grande mostrou que tem público, e até estrutura interna, para receber grandes espetáculos. O desafio agora é fazer com que o trajeto até esses locais seja tão afinado quanto o som que vem do palco.
Culpa de quem? – Nesta sexta-feira (10), a Santo Show divulgou nota oficial se posicionando sobre o ocorrido. Afirmou que não houve falta de planejamento, mas que o evento expôs limitações estruturais da cidade, especialmente na mobilidade. O congestionamento foi atribuído à capacidade insuficiente da via para receber simultaneamente 35 mil pessoas.
A empresa destacou que o evento foi planejado por três meses com participação de órgãos públicos e que todas as exigências foram cumpridas. Também ressaltou que não tem competência para intervir em rodovias e que o problema evidencia a necessidade de investimentos em infraestrutura urbana.
Apesar dos transtornos, o evento teria gerado impacto econômico superior a R$ 33 milhões, alta ocupação hoteleira e cerca de 1,5 mil empregos temporários.
Já a PRF (Polícia Rodoviária Federal) atribuiu o caos a falhas operacionais da organização, como acesso limitado aos estacionamentos, com uso de QR Codes na entrada, atraso na abertura e falta de sinalização adequada.
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