Centro de Campo Grande perde moradores enquanto periferia cresce até 180%
Levantamento anual mostra quase 8 mil pessoas em comunidades e queda de 26% nos alvarás de construção

Enquanto bairros afastados do Centro mais que dobraram de população, a região central de Campo Grande perdeu moradores. Dados reunidos na edição de 2026 do Perfil Socioeconômico mostram uma cidade que cresceu em direção à periferia, mantém quase 8 mil pessoas vivendo em áreas classificadas como favelas e comunidades urbanas e registrou desaceleração nas autorizações para novas construções.
RESUMO
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Campo Grande cresceu em direção à periferia na última década, com bairros como Caiobá e Nova Campo Grande mais que dobrando de população, enquanto o Centro perdeu 2.502 moradores entre 2010 e 2022. A cidade mantém 7.862 pessoas em 16 comunidades urbanas, sendo a Homex a maior delas. Na construção civil, os alvarás caíram 26,4% em 2025, atingindo o menor número desde 2016, segundo o Perfil Socioeconômico 2026, elaborado pela Planurb.
O crescimento populacional mais expressivo ocorreu no Caiobá. O bairro passou de 7.874 moradores em 2010 para 22.062 em 2022, aumento de 180,2%. Na prática, ganhou 14.188 habitantes em 12 anos.
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A Nova Campo Grande também mais que dobrou de tamanho. A população passou de 10.161 para 20.950 moradores, avanço de 106,2%. Em seguida aparecem Rita Vieira, com crescimento de 74%, e Noroeste, com 72,9%.
O Centro Oeste ganhou 12.855 moradores e chegou a 37.671, alta de 51,8%. Nasser avançou 30%, passando de 25.695 para 33.403 habitantes.
O movimento foi inverso no Centro. O bairro perdeu 2.502 moradores no período, saindo de 11.509 em 2010 para 9.007 em 2022. A redução foi de 21,7%.
A retração também aparece quando são consideradas as regiões urbanas completas. A Região Urbana do Centro foi a única das sete divisões da cidade que perdeu população. O número de moradores caiu de 71.037 para 61.653, redução de 13,2%.
Todas as outras regiões cresceram. O Anhanduizinho continua sendo o mais populoso, com 218.585 habitantes. Na sequência aparecem Bandeira, com 136.691; Lagoa, com 134.964; Segredo, com 128.312; Imbirussu, com 108.031; e Prosa, com 95.589.
Os números mostram que a expansão não ocorreu de maneira uniforme. Enquanto áreas tradicionais ficaram menos povoadas, bairros mais afastados receberam milhares de novos moradores, movimento que amplia a demanda por transporte, escolas, unidades de saúde, saneamento e outros serviços públicos.

Construção perde ritmo - Apesar da expansão populacional registrada ao longo da última década, os dados mais recentes apontam desaceleração nas autorizações para construir em Campo Grande.
O município concedeu 832 alvarás de construção em 2025, contra 1.130 no ano anterior. A queda foi de 26,4%.
Também houve redução na área autorizada. O total caiu de 836,9 mil metros quadrados em 2024 para 617,4 mil metros quadrados em 2025, recuo de 26,2%.
A retração foi puxada pelo segmento residencial, que passou de 937 para 734 unidades autorizadas. Os alvarás comerciais diminuíram de 100 para 62, enquanto os industriais caíram de dois para nenhum.
O número de autorizações de 2025 foi o menor da série iniciada em 2016. Naquele ano, foram concedidos 2.125 alvarás. O melhor resultado ocorreu em 2020, com 2.451.
8 mil vivem em comunidades - O levantamento também apresenta de forma detalhada a população das áreas classificadas pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) como favelas e comunidades urbanas.
Campo Grande tinha 7.862 moradores distribuídos por 16 comunidades em 2022. Ao todo, eram 2.644 domicílios particulares ocupados nessas localidades.
A Homex concentrava a maior parcela dessa população, com 3.317 moradores e 1.151 residências. Sozinha, reunia 42% de todos os habitantes das comunidades relacionadas no levantamento.

A segunda maior era a Samambaia, com 1.251 pessoas em 399 domicílios. Todas as outras áreas tinham menos de 500 moradores.
O Jardim Campo Verde aparecia com 459 habitantes, seguido de Nova Capital, com 407, e Comunidade Esperança, com 402. Também relacionaram Morada dos Angicos, Roda Velha, Mandela, Pequi, Cidade dos Anjos, Jardim Botânico II, Só Por Deus, Uirapuru, Jardim Campo Alto/Sitiocas Alvorada, Portal da Lagoa e Refriko.
Os dados constam na 33ª edição do Perfil Socioeconômico, elaborado pela Planurb (Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano). Embora o documento tenha sido publicado em 2026, as informações demográficas têm como referência o Censo 2022, última contagem populacional realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Já os números da construção correspondem às autorizações registradas em 2025.
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