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Campo Grande, Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017

15/05/2015 07:42

Com poucas funcionárias, creches só recebem filhos de quem madruga

Caroline Maldonado e Viviane Oliveira
Andreia Gonçalves Ferro, 33 anos, não conseguiu deixar a filha, 2 anos, no Ceinf (Foto: Marcos Ermínio)Andreia Gonçalves Ferro, 33 anos, não conseguiu deixar a filha, 2 anos, no Ceinf (Foto: Marcos Ermínio)

Com o segundo dia de greve das recreadoras dos Ceinfs (Centros de Educação Infantil) de Campo Grande, somente os pais que chegaram mais cedo conseguiram deixar os filhos. As funcionárias terceirizadas querem reajuste de 9% e redução da jornada de trabalho de 7 para 6 horas. As professoras, contratadas pela prefeitura, continuam o atendimento, mas são minoria e por isso pedem que aqueles que têm com quem deixar os filhos não levem à creche.

A funcionária de um Ceinf, que preferiu não se identificar, garantiu que mesmo com a equipe reduzida as professoras iriam receber todas as crianças. No entanto, alguns pais contaram que no Ceinf São Francisco de Assis, na Vila Jacy, hoje, a orientação era de levar as crianças somente se não tivessem com quem deixar. Nesta manhã, Richard Terêncio Santos de Moura, 25 anos, foi sozinho saber se a creche estava aberta para levar o enteado de três anos.

As professoras informaram ao padrasto, que as crianças que chegam primeiro podem ficar. Com isso, ele decidiu não levar o enteado e deixá-lo na casa da avó. “Ontem já foi complicado, porque não teve aula e hoje está sendo a mesma coisa. Sorte que a gente não vai precisar faltar o trabalho porque tem a avó, que mora perto para cuidar do menino, mas mesmo assim altera a rotina da família”, lamentou.

O transtorno foi ainda maior para a vendedora Andreia Gonçalves Ferro, 33 anos, que foi até o Cenif deixar a filha, mas preferiu levar a menina, de 2 anos, para a casa da avó. Depois disso, ela ainda ia pegar ônibus para ir ao trabalho. “O bom é que minha mãe mora perto e vou deixar ela hoje lá de novo, mas vou me atrasar. Fico com dó, tanto das crianças, como das professoras, que são poucas para atender tantas crianças. Com todo mundo trabalhando já acontece incidentes, as vezes minha filha chega com algum machucadinho”, disse.

Pais chegaram cedo para garantir vaga nos Ceinfs (Foto: Marcos Ermínio)Pais chegaram cedo para garantir vaga nos Ceinfs (Foto: Marcos Ermínio)
Rogério Gomes chegou cedo e hoje conseguiu deixar o neto no Ceinf (Foto: Marcos Ermínio) Rogério Gomes chegou cedo e hoje conseguiu deixar o neto no Ceinf (Foto: Marcos Ermínio)

Como a greve foi anunciada e divulgada pelos jornais, muitos pais já não levaram as crianças hoje, mas entre aqueles que realmente não têm com quem deixar as crianças não conseguiram “vaga”. O cortador de tecidos Rogério Gomes de Lima cuida do neto e ontem deixou com a vizinha para poder ir ao trabalho, mas hoje chegou cedinho para garantir que o menino ficasse no Ceinf. “Entendo o lado das grevistas, porque todo mundo merece um salário digno e os pais ficam de mãos atadas. Como no meu caso, sou o avô não tenho com quem deixar. Ontem, numa emergência a vizinha cuidou no meu neto”, contou.

Na Vila Nha-Nha, no Ceinf Antônio Rustiano, uma das professoras garantiu que todas as crianças seriam atendidas nesta manhã. Quem chegou bem perto das 6h30 conseguiu deixar as crianças. As terceirizadas são funcionárias da Seleta Caritativa e Humanitária e da Omep (Organização Mundial para a Educação Pré-Escolar), entidades que têm contratos com o município para o fornecimento de mão de obra para Ceinfs e Cras (Centros de Referências de Assistência Social). O contrato com a Omep tem um custo mensal de R$ 2,8 milhões e com a Seleta, R$ 3 milhões.

Ontem (14), a prefeitura informou que irá substituir as funcionárias que estão greve para garantir o pleno funcionamento dos 100 Ceinfs. O secretário de Administração, Wilson do Prado, que interinamente, responde também pela secretaria municipal de Educação, disse que a redução da jornada de trabalho foi aceita pelas entidades com o aval da prefeitura, mas não o reajuste salarial. Ele justificou, que uma hora a menos “na prática significa um aumento salarial indireto”.



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