Com telão e pagode, arena popular leva Copa a bairro carente de lazer
Iniciativa reúne famílias no Alves Pereira e terá música ao vivo antes de Paraguai x Alemanha
A Arena Tony Gol, no Bairro Alves Pereira, em Campo Grande, voltou a receber moradores nesta segunda-feira (29) para acompanhar mais uma partida da Seleção Brasileira pela Copa do Mundo de 2026. Depois do jogo, a programação previa música ao vivo, com pagode, até a transmissão de Paraguai x Alemanha, marcada para 16h30.
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A Arena Tony Gol, no bairro Alves Pereira, em Campo Grande, reuniu moradores para assistir aos jogos da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026. O espaço gratuito foi criado para suprir a falta de lazer na região, mas ganhou destaque após um homem de 32 anos ser assassinado durante o primeiro jogo do Brasil. O organizador Antonio Marcos Bogarim afirma que o caso foi isolado e que o local conta com apoio da Guarda Municipal.
Proposta é simples: montar o telão para que a população da região, considerada carente pelo próprio organizador, tenha um lugar gratuito para assistir aos jogos. Mas, no Alves Pereira, a iniciativa também carrega um peso maior.
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No primeiro jogo do Brasil na Copa, em 13 de junho, Claudemar, de 32 anos, foi assassinado a tiros durante o intervalo da partida entre Brasil e Marrocos. O caso é investigado pela Polícia Civil.
Organizador da arena, Antonio Marcos Bogarim, o Tony Gol, afirma que a ocorrência foi isolada e não representa o público que frequenta o espaço. “Foi um caso isolado que aconteceu na esquina de cima e envolvia pessoas que não fazem parte da comunidade que frequenta esse espaço. Aqui sempre é tranquilo. Temos parceria com a Guarda Municipal, que faz rondas frequentes”, disse.
Segundo ele, a ideia do telão nasceu justamente da falta de opções de lazer na região. “A nossa região é muito carente e nunca tinha tido uma oportunidade como essa. Eu e alguns amigos tivemos a ideia de montar o telão, e está sendo um sucesso. Mesmo com o calor, os torcedores vieram prestigiar”, afirmou.
Ele também afirma que conversa com crianças e adolescentes sobre os riscos da criminalidade. “O caminho do crime pode levar à morte, às drogas ou à prisão. Por isso, é tão importante oferecer um espaço como este, que promove esporte, lazer e oportunidades para a comunidade”, afirmou.
Entre os moradores que acompanharam a partida estava Gabriella Cristina de Sá Costa, de 29 anos, auxiliar de secretaria. Ela trabalha em uma escola de educação infantil e foi liberada mais cedo por causa do jogo. “Eu trabalho na creche e fui liberada às 11h por causa do jogo. Vim assistir aqui na Arena. Tenho acompanhado todos os jogos da seleção aqui”, contou.

Moradora do Alves Pereira, Gabriella disse que prefere assistir às partidas no espaço por causa do clima coletivo. “É muito emocionante assistir junto com outras pessoas. Nessas ocasiões, a gente reúne os amigos e a família para torcer e comemorar”, afirmou. O palpite dela era vitória brasileira por 2 a 1. E acertou!
Fábio José dos Santos, de 46 anos, trabalha com painel de LED e sonorização e foi responsável pela estrutura usada na transmissão. Mesmo trabalhando, também acompanhava o jogo. “É muito bom assistir com tanta gente reunida. Quanto mais pessoas, mais energia positiva”, disse.
Ele contou que já conhece a arena e que o local costuma receber bom público em dias de futebol e eventos. “A expectativa é de vitória do Brasil. Acho que vai ser uma virada por 2 a 1”, apostou.
A aposentada Maria Aparecida Aquino, de 63 anos, mostrou que a Copa virou quase expediente. Ela disse estar acompanhando todos os jogos, inclusive os da madrugada. “Tenho ido dormir todos os dias por volta das 4h30 da manhã para assistir às partidas. Estou acompanhando toda a Copa”, contou.
Confiante, Maria Aparecida já projetava a próxima vitória brasileira no mundial. “A expectativa é a melhor possível. A taça é nossa. No próximo jogo, o Brasil vai ganhar por 4 a 0. Nossos adversários não jogam nada, então essa vitória já é nossa”, disse. Para ela, seria “melzinho na chupeta”.
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