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Capital

No Centro deserto, comerciantes e vendedores resistem de olho na TV

Poucos lojistas apostaram no expediente durante o jogo do Brasil contra o Japão

Por Anahi Zurutuza e Gabi Cenciarelli | 29/06/2026 14:21
No Centro deserto, comerciantes e vendedores resistem de olho na TV
Na loja de móveis, o jeito foi improvisar a torcida na TV enquanto clientes não aparecem (Foto: Gabi Cenciarelli)

Enquanto boa parte do comércio baixou as portas para o jogo do Brasil contra o Japão na tarde desta segunda-feira (29) e o centrão de Campo Grande ficou deserto, no corredor da Rua 14 de Julho e arredores, sobraram poucas lojas abertas – duas, na verdade –, funcionários acompanhando a partida pela televisão e comerciantes tentando transformar a Copa em algum lucro.

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Enquanto o Brasil enfrentava o Japão na tarde desta segunda-feira, o centro de Campo Grande ficou praticamente deserto, com a maioria do comércio fechado para o jogo. Poucas exceções resistiram, como um bar que improvisou uma televisão para atrair clientes com combo por R$ 15, e um vendedor de café em bicicleta que preferiu continuar trabalhando, afirmando que as contas não param.

Entre as exceções estavam duas lojas âncora, a Riachuelo, do setor de roupas por departamentos, e a Gazin, rede de móveis e eletrodomésticos. As duas permaneceram abertas, mas sem clientes no horário da partida. As vendedoras, é claro, espiavam a Seleção Brasileira em campo.

No Centro deserto, comerciantes e vendedores resistem de olho na TV
Comércio deixou aviso: "Retornaremos após o jogo do Brasil" (Foto: Gabi Cenciarelli)

Quem também decidiu não fechar foi Franky William, de 26 anos, dono de um bar na Rua Barão do Rio Branco há cerca de seis meses. “A gente resolveu resistir. Falei: não, vamos ficar aqui, vamos trabalhar e assistir ao jogo daqui mesmo. Fechando ou não, as contas continuam chegando. Tem aluguel, funcionário, então o custo é o mesmo”, conta.

Para tentar atrair quem não conseguiria voltar para casa antes do apito inicial, Franky improvisou uma estrutura de última hora. A ideia era instalar um telão, mas o plano não funcionou. A solução foi correr atrás de uma televisão. “A gente tentou um telão, um projetor, mas não deu certo. Aí falei: vamos comprar uma TV? Corremos atrás e buscamos de moto ainda. Deu certo e está aí, todo mundo assistindo”, afirma.

Mesmo com a plateia tímida, ele apostava no movimento de quem passasse pelo Centro durante ou depois da partida. No cardápio, colocou churrasquinho, cerveja e combo completo por R$ 15. “Quem passar aqui e começar a ver o jogo não vai resistir. Estamos vendendo churrasquinho, cerveja, latinha, garrafa de 600 ml e um combo completo por R$ 15”, diz.

A vizinhança, segundo ele, fechou quase inteira. Ainda assim, Franky espera que a vitória brasileira devolva algum barulho às ruas depois do jogo. “Os vizinhos foram embora, só ficou a gente aqui. Mas acho que quando acabar o jogo o pessoal volta para movimentar o Centro. Se ganhar, melhor ainda, porque vem todo mundo comemorar.”

Na Rua 14 de Julho, outro que preferiu resistir foi Fernando Silva Santos, de 44 anos. Vendedor, entregador e garçom, ele trabalha há três semanas no Centro com uma cafeteria móvel montada em uma bicicleta. Nem jogo da Seleção foi motivo suficiente para desmontar a banquinha. “Não tem como parar. Enquanto as pessoas se divertem, a gente trabalha também”, resume.

Fernando vende café tradicional, café com leite e cappuccino. Antes de testar o Centro, costumava trabalhar mais em feiras culturais, principalmente aos fins de semana. Com frio e chuva nos últimos dias, decidiu experimentar o movimento no meio da cidade. “As pessoas param, observam a bicicleta, acham muito legal, dão parabéns, falam que é criativo, que é bacana a ideia e para eu continuar. Aí eu vou seguindo em frente”, conta.

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Pouco antes da partida, ele viu as ruas dali mudarem de ritmo rapidamente. As portas começaram a baixar, funcionários saíram apressados e o Centro ganhou cara de fim de expediente. “Parecia arrastão. O final do expediente, as portas fechando, o pessoal guardando as coisas, as mochilas e indo embora para casa assistir ao jogo”, relata.

Mesmo assim, ficou. A conta, para ele, é simples. Ir embora no meio da tarde e depois voltar não compensa. “Para mim não compensa eu ir embora, depois retornar. Então já fico até 16h, 17h no máximo, daí vou para casa direto.”

No meio do Centro quase parado, ainda teve quem passasse correndo atrás de festa. Andressa Maria, de 21 anos, cruzou a 14 de Julho com um grupo de colegas de trabalho a caminho da Cidade da Copa, na Esplanada dos Ferroviários, já com o primeiro tempo em andamento. “Ninguém parava de comer pra gente sair”, disse rindo a trabalhadora, funcionária de uma lanchonete. “Mas conseguimos. Agora é bagunça”, brincou, antes de seguir a pé para acompanhar o restante da partida.