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Capital

Com vítima de violência doméstica entre participantes, curso ensina autodefesa

Também é possível aprender técnicas de primeiros socorros, tudo gratuitamente

Por Cassia Modena e Inez Nazira | 27/06/2026 11:19
Com vítima de violência doméstica entre participantes, curso ensina autodefesa
Mestre Thiago Brandão ensina técnica a participantes (Foto: Osmar Veiga)

Neste sábado (27), entre 9h e 11h, 7 mulheres e meninas participaram da aula de defesa pessoal do projeto "Mulher mais Segura", que ocorre uma vez por mês no quartel do Corpo de Bombeiros Militar da Avenida Costa e Silva, em Campo Grande. A atividade é gratuita.

RESUMO

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O projeto "Mulher Mais Segura" realizou mais uma aula gratuita de defesa pessoal e primeiros socorros neste sábado, no quartel do Corpo de Bombeiros da Avenida Costa e Silva, em Campo Grande. Sete mulheres participaram do encontro mensal, que ensina técnicas para escapar de situações de risco. A iniciativa segue até novembro e interessadas podem se inscrever no 1º Grupamento do Corpo de Bombeiros, na Avenida Costa e Silva, 901.

Uma das participantes de hoje já sofreu violência doméstica. Ela é a massoterapeuta Regiane Anjos, 37 anos. "Já pratiquei jiu-jítsu e muay thai depois desse episódio. Busquei essas modalidades justamente para aprender autodefesa", conta.

A massoterapeuta havia dado uma pausa no curso, mas resolveu retornar. "Voltei a treinar porque, como o professor disse, é preciso praticar constantemente para não esquecer", afirma. "A participação representa mais um passo importante para mim e faz parte da minha própria experiência de superação", declara Regiane.

Com vítima de violência doméstica entre participantes, curso ensina autodefesa
Regiane conta que participa por já ter sofrido violência doméstica (Foto: Osmar Veiga)

Outra participante foi a diretora de educação no trânsito do Detran/MS (Departamento Estadual de Trânsito), Andreia Moringo, 48 anos. Ela começou a aprender em março, mês em que ocorreu a primeira aula do "Mulher mais Segura", e contribui para disseminar as técnicas entre familiares, amigos e colegas de trabalho.

"Acho esse projeto incrível, principalmente porque incentiva outras mulheres a buscarem mecanismos de proteção contra a violência, seja doméstica ou urbana. É uma oportunidade de desenvolver autoconhecimento e aprender técnicas de defesa. Vivemos em uma sociedade muito conturbada e nunca sabemos quando esse conhecimento poderá ser necessário", resume a diretora.

Emergências - As aulas incluem o ensino de primeiros socorros por militares. A assistente de educação infantil, Mayara Albuquerque, 21 anos, participou do curso porque se interessou por esse assunto.

Com vítima de violência doméstica entre participantes, curso ensina autodefesa
Assistente de educação infantil, Mayara se interessou em aprender primeiros socorros (Foto: Osmar Veiga)

"Fiquei sabendo por meio do meu primo. É importante para mim, principalmente por causa das crianças. Gostei muito e pretendo aprender cada vez mais. Quero aplicar esse conhecimento no trabalho. Se acontecer alguma emergência com uma criança, até o Corpo de Bombeiros chegar, eu já vou saber como agir", detalha.

Mayara aproveitou e aprendeu autodefesa também. "Importante para minha proteção", falou.

A coronel do Corpo de Bombeiros, Marlise Helena de Barros, enfatiza que uma só aula pode despertar interesse em se aprofundar nas técnicas que até os militares precisam praticar constantemente para aprimorá-las.

Com vítima de violência doméstica entre participantes, curso ensina autodefesa
Ministrantes e participantes juntos no pátio do quartel (Foto: Osmar Veiga)

"O que oferecemos aqui é um despertar para a importância do conhecimento. Aquelas que percebem a importância desses conteúdos acabam buscando um treinamento mais aprofundado depois. Muitas nem imaginavam o que era defesa pessoal ou tinham qualquer conhecimento sobre primeiros socorros", disse.

Ideia - A idealizadora do projeto, Albi de Urrutia Abdalla, explica que o curso de defesa pessoal não ensina a lutar contra o agressor e, sim, a sair da situação de perigo. Ela cita que os primeiros socorros ensinam manobras essenciais, como o desengasgo em bebês.

"Nossa ideia foi oferecer às mulheres conhecimento para que saibam como agir em situações de risco. A defesa pessoal não significa enfrentar ou lutar contra um agressor. Sabemos que, muitas vezes, não teremos força física para isso. O objetivo é aprender a sair daquela situação com segurança. O outro curso é ministrado pelos bombeiros e trazem conhecimentos também muito importantes para toda a população", afirma.

Com vítima de violência doméstica entre participantes, curso ensina autodefesa
 Albi de Urrutia, a idealizadora, fala sobre os objetivos (Foto: Osmar Veiga)

Além de técnicas, as aulas dão dicas de como prevenir a violência. "Por exemplo, orientamos que a mulher já deixe a chave do carro em mãos antes de chegar ao estacionamento. Assim, ela entra rapidamente no veículo e trava as portas, reduzindo o tempo de exposição. São pequenas atitudes que aumentam a segurança", completa.

Há vários instrutores parceiros para as aulas de autodefesa. O de hoje é o mestre Thiago Brandão. Ele dá aula há mais de 30 anos e reforça que a constância é necessária. "Hoje aprendemos apenas uma introdução. É preciso treinar constantemente, tanto a parte técnica quanto a preparação física", diz.

O professor mostrou técnicas para se esquivar de ataque à faca, agarramentos, chutes e também como sair do golpe conhecido como mata-leão. "Mas tudo isso exige treinamento contínuo. Sempre incentivo que pratiquem com amigas e familiares, para que, caso um dia precisem utilizar essas técnicas, consigam se desvencilhar do agressor e buscar ajuda da polícia ou de outras pessoas", complementa.

Com vítima de violência doméstica entre participantes, curso ensina autodefesa
O mestre Thiago Brandão foi o instrutor do curso de autodefesa para mulheres (Foto: Osmar Veiga)

Além da autodefesa em si, Thiago destaca outros benefícios. "Quem pratica defesa pessoal também cuida da saúde, perde peso, ganha massa muscular e melhora a qualidade de vida", finaliza.

Como participar - O curso "Mulher mais Segura" ocorre uma vez por mês. A edição final será em novembro deste ano.

Interessadas em participar da próxima edição podem procurar o 1º Grupamento do Corpo de Bombeiros Militar, localizado na Avenida Costa e Silva, 901 - Vila Progresso.

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