Comitiva italiana vem a Campo Grande para celebrar 24 anos de parceria
Acordo com Turim completa 24 anos e terá agendas no Hospital São Julião, na prefeitura e no Bioparque
O prefeito de Turim (Itália), Stefano Lo Russo, visitará Campo Grande na próxima semana para celebrar os 24 anos do acordo de cooperação entre as duas cidades. A comitiva também contará com o embaixador da Itália no Brasil, Alessandro Cortese, o cônsul-geral da Itália em São Paulo, Mauro Campanella, e outras autoridades italianas.
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O prefeito de Turim, Stefano Lo Russo, visita Campo Grande na próxima semana para celebrar os 24 anos do acordo de cooperação entre as duas cidades, assinado em 2002, que prevê intercâmbios culturais, comerciais e universitários. A programação inclui visita ao Hospital São Julião, unidade com histórico de parceria italiana desde os anos 1970, quando voluntários ajudaram a transformar o local, antes destinado ao isolamento de hansenianos, em centro de reabilitação e atendimento pelo SUS.
A programação começa na próxima terça-feira (1º), com visita e cerimônia no Hospital São Julião. Na quarta-feira (2), a delegação participará da celebração do acordo na Prefeitura de Campo Grande e, depois, conhecerá o Bioparque Pantanal.
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Assinado em 29 de maio de 2002, o acordo não tem prazo de validade e prevê intercâmbios culturais, comerciais, esportivos e universitários. O documento também estabelece a troca de experiências entre os municípios, com base em diretrizes da ONU (Organização das Nações Unidas) relacionadas à paz e aos direitos humanos.
A ligação entre Campo Grande e a Itália, porém, começou antes do acordo oficial. Desde a década de 1970, voluntários e entidades italianas participam da transformação do Hospital São Julião, que havia sido inaugurado nos anos 1940 para receber e isolar compulsoriamente pessoas diagnosticadas com hanseníase.
Na época, os pacientes enfrentavam segregação, estigma e condições precárias. A mudança começou com a chegada de voluntários da OMG (Operação Mato Grosso), movimento voltado a ações sociais na América Latina. O grupo se uniu à comunidade local para reformar a estrutura e substituir o modelo de isolamento por um atendimento voltado à recuperação e à reintegração dos pacientes.
Esse trabalho levou à criação da AARH (Associação de Auxílio e Recuperação dos Hansenianos), mantenedora do hospital, e recebeu apoio da instituição italiana Associazione OASI. A atuação conjunta serviu de base para a cooperação formalizada posteriormente entre Campo Grande e Turim.
Doações, campanhas realizadas em cidades italianas e o trabalho de médicos, enfermeiros, engenheiros e construtores voluntários ajudaram na reforma dos pavilhões e na modernização dos atendimentos. Com o passar dos anos, o São Julião deixou de funcionar como colônia de isolamento e ampliou os serviços oferecidos.
Atualmente, a unidade atende pelo SUS (Sistema Único de Saúde) e atua em áreas como oftalmologia e reabilitação. O hospital também desenvolve ações de recuperação ambiental e mantém uma extensa área verde em suas dependências.
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