Projeto de aluguel social ganha 17 mil m², mas obras seguem sem prazo
Prefeitura prevê 817 moradias em cidade que tem 36 mil famílias na fila da Emha

Campo Grande deu mais um passo nesta quinta-feira (27) para implantar 817 moradias de aluguel social e popular, mas ainda sem data divulgada para o início das obras. A Prefeitura sancionou a transferência de 17.205,56 m² de terrenos públicos à Emha (Agência Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários), que deverá usar as áreas em uma PPP (Parceria Público-Privada). As leis publicadas no Diogrande (Diário Oficial do Município) não informam cronograma, número de apartamentos em cada terreno nem prazo para a construção.
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Campo Grande sancionou a transferência de dois terrenos públicos, totalizando 17.205,56 m², à Agência Municipal de Habitação para viabilizar uma Parceria Público-Privada com 817 apartamentos nos bairros Mata do Jacinto e Taquarussu. Sem cronograma definido, o projeto prevê contraprestação municipal de até R$ 3,5 milhões mensais e atenderá famílias com renda de até três salários mínimos, mas representa parcela pequena frente às 36 mil famílias cadastradas à espera de moradia.
A publicação formaliza uma etapa que já havia passado pela Câmara Municipal na semana passada. Os vereadores aprovaram no dia 20 a destinação dos terrenos, um no Residencial Abaeté, no Mata do Jacinto, e outro no loteamento Fazenda Bandeira, na região do Taquarussu. As áreas têm 8.076,62 m² e 9.128,94 m², respectivamente.
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Os terrenos coincidem com as regiões escolhidas para a PPP Morar Melhor, apresentada pela Prefeitura em 2025. O projeto prevê 817 apartamentos distribuídos entre Mata do Jacinto e Taquarussu, dos quais 572 devem atender prioritariamente famílias com renda de até três salários mínimos. Outras 245 unidades poderão ser destinadas à chamada locação popular.
No modelo apresentado pelo município, as famílias atendidas pela locação social poderão comprometer até 20% da renda com o aluguel. A Prefeitura bancará a diferença por meio de pagamentos ao parceiro privado responsável pela construção e administração dos condomínios. A estimativa divulgada pela Emha em março deste ano apontava contraprestação municipal de até R$ 3,5 milhões por mês.
A promessa das 817 unidades representa uma parcela pequena da demanda habitacional da Capital. A própria Emha estima cerca de 36 mil famílias cadastradas à espera de moradia, enquanto Campo Grande entregou em média 540 unidades habitacionais por ano entre 2017 e 2025. Para atender à demanda projetada até 2035, seriam necessárias aproximadamente 11,4 mil casas e apartamentos por ano.
A Prefeitura apresentou a PPP a investidores na B3, em São Paulo, em maio de 2025 e abriu consulta pública sobre o edital e o contrato no mesmo ano. No relatório de atividades de 2025, a Emha informou que o projeto permanecia em estruturação para o processo licitatório. Em março deste ano, o diretor-presidente da agência, Claudio Marques, disse ao Campo Grande News que o edital ainda estava em elaboração.

