Conselho defende Centro POP e moradores falam em "tragédia anunciada"
Associação contesta unidade ao lado de escola e decide próximos passos após reunião nesta terça

O impasse sobre a instalação do novo Centro POP no Bairro Amambaí ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira (31). Enquanto o CMDH (Conselho Municipal dos Direitos Humanos) divulgou nota em defesa da abertura da unidade, a associação de moradores rebateu os argumentos e mantém posição contrária ao funcionamento do serviço no endereço escolhido pela Prefeitura de Campo Grande.
RESUMO
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Moradores do Bairro Amambaí continuam contrários à abertura do novo Centro POP ao lado da Escola Municipal José Rodrigues Benfica, em Campo Grande, e dizem que o problema está no endereço escolhido, não na política pública. O CMDH defende a instalação e afirma que os impactos devem ser enfrentados com reforço de segurança, assistência social e outros serviços. Uma reunião com a prefeitura deve definir os próximos passos.
A manifestação do Conselho foi publicada no Diário Oficial desta segunda-feira. No documento, o CMDH reconhece as preocupações de moradores, comerciantes e da comunidade escolar com segurança e impactos no entorno, mas sustenta que esses problemas devem ser enfrentados com reforço das políticas públicas, e não com a retirada ou inviabilização do Centro POP.

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A nova unidade fica ao lado da Escola Municipal José Rodrigues Benfica, ponto que concentra a principal resistência da Associação dos Moradores e Amigos do Bairro Amambaí. A entidade já tentou impedir judicialmente a ativação do equipamento.
Presidente da associação, Rosane Nely, de 58 anos, afirma que a entidade não é contrária à oferta de políticas públicas para pessoas em situação de rua. Segundo ela, a contestação está relacionada principalmente ao endereço escolhido e aos impactos que os moradores afirmam já enfrentar no bairro.
“Nós não somos contra, em hipótese alguma, que as pessoas em situação de rua recebam políticas públicas, mas não necessariamente dessa forma [...] a nossa preocupação maior é por esse equipamento ser do lado da escola”, disse.

A dirigente também contesta o argumento do conselho de que mudar o Centro POP de lugar não resolveria o problema das pessoas em situação de rua. Para ela, essa discussão não responde à principal reivindicação apresentada pelos moradores, que é impedir a instalação naquele ponto do bairro.
Conselho cobra segurança e presença do poder público - Na nota, o CMDH afirma que a abertura do Centro POP deve ser acompanhada pelo fortalecimento de outras políticas no território. Entre elas estão segurança pública, assistência social, saúde, saúde mental, habitação, trabalho e renda, educação, limpeza e zeladoria.
O conselho também propõe diálogo permanente entre Prefeitura, moradores, comerciantes, comunidade escolar, trabalhadores e usuários do Centro POP, além do monitoramento dos impactos provocados pelo funcionamento da unidade.
Outro argumento é o dinheiro público já aplicado na estrutura. Para o CMDH, qualquer decisão sobre o futuro do imóvel deve considerar os investimentos realizados e evitar perda ou desperdício de recursos.
Rosane, porém, afirma que a estrutura oferecida dentro do Centro POP não elimina a preocupação dos moradores com o que ocorrerá no entorno, principalmente depois do encerramento das atividades da unidade.
“Porque o Centro POP fecha às 17 horas. Então, na hora que ele fechar, essas pessoas vão ficar onde?”, questionou.
Reunião pode definir próximos passos - A discussão terá uma nova etapa nesta terça-feira (1º). Segundo Rosane, está prevista uma reunião com participação da vice-prefeita e secretária da SAS (Secretaria de Assistência Social e Cidadania), Camila Nascimento.
Rosane, afirma que a associação pretende ouvir o posicionamento do poder público antes de decidir quais serão as próximas medidas contra a instalação.
“Depois dessa reunião no conselho, a gente vai escutar. Se baterem o pé e falarem: ‘Não, vai ser mesmo’, aí a gente vai provavelmente procurar um meio jurídico”, afirmou.

