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Cidades

Aos 80 anos, Sesc transforma serviços em oportunidades para milhares em MS

Atuação alcança educação, cultura, saúde, esporte e alimentação

Por José Cândido | 31/08/2026 16:57
Aos 80 anos, Sesc transforma serviços em oportunidades para milhares em MS
Luigi Tavares estuda no Sesc desde a infância e atribui à escola o desenvolvimento da confiança e da comunicação. (Foto divulgação)

Uma instituição não chega aos 80 anos apenas pela quantidade de prédios que construiu, mas pelas vidas que ajudou a transformar. Criado em 13 de setembro de 1946, o Sesc completa oito décadas com presença direta na educação, na cultura, na saúde, no esporte, no lazer, no turismo e no combate à fome.

RESUMO

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O Sesc completa 80 anos em 2026 com presença consolidada em educação, cultura, saúde, esporte, lazer e combate à fome. Em Mato Grosso do Sul, a instituição mantém 16 unidades em sete cidades, serve mil refeições diárias, atende 11 mil alunos em academias e distribui mais de mil toneladas de alimentos por ano pelo programa Mesa Brasil.

Em Mato Grosso do Sul, a trajetória é mais recente. Começou em 1º de abril de 1980, após a criação do Estado. Hoje, o Sesc MS mantém 16 unidades em Campo Grande, Aquidauana, Bonito, Corumbá, Dourados, Ponta Porã e Três Lagoas, além de projetos que chegam a outros municípios.

Os números ajudam a mostrar o tamanho dessa atuação. Somente os dois restaurantes Sesc Sabor e Arte, em Campo Grande, servem cerca de mil refeições por dia. As quatro academias mantidas no Estado reúnem aproximadamente 11 mil alunos. O Hotel Sesc Bonito recebe mais de 5 mil hóspedes por ano, enquanto o programa Mesa Brasil arrecada e distribui anualmente mais de mil toneladas de alimentos para entidades sociais cadastradas.

Mas o alcance da instituição também pode ser medido pelas histórias de quem encontrou nela uma oportunidade.

Aluno do segundo ano do Ensino Médio do Sesc Escola Dr. José Roberto Tadros, Luigi Tavares começou sua relação com a instituição ainda na infância. Nas atividades escolares, apresentações de trabalhos, workshops e aulas de inglês, encontrou espaço para desenvolver uma habilidade fundamental dentro e fora da sala de aula: a confiança para se comunicar.

“Eu tenho certeza que o Sesc representou um papel fundamental para me ajudar a me desenvolver nesse quesito social, a me dar mais confiança quando eu for falar sobre um certo tema, falar na frente de várias pessoas”, relata.

Luigi afirma que o contato com o inglês desde os primeiros anos também ampliou suas perspectivas. Segundo ele, aprender outro idioma ainda criança pode fazer diferença no acesso a oportunidades futuras.

“O inglês está abrindo portas pelo mundo, então ter aprendido isso relativamente cedo foi uma das melhores coisas que o Sesc pôde fazer por mim”, diz.

A educação é uma das frentes de atuação do Sesc em Mato Grosso do Sul. As três escolas mantidas pela instituição adotam ensino bilíngue, recursos tecnológicos e atividades voltadas não apenas ao conteúdo tradicional, mas também ao desenvolvimento social dos estudantes.

Para Rafael Gonçalves, o caminho foi aberto pela cultura. Aluno do Sesc Lageado desde 2017, ele teve contato com instrumentos musicais, teoria, produção cultural e diferentes etapas da criação artística. Uma das experiências mais importantes surgiu quando atuou como monitor de um projeto destinado a pessoas com mais de 60 anos.

O trabalho resultou em um musical que começou com sete integrantes e chegou a reunir quase 30 participantes. A apresentação foi levada ao palco do Sesc Teatro Prosa.

“O Sesc representa para mim uma base, um alicerce, onde eu me estruturei como profissional. Quando participei da produção do musical com o grupo 60+, escrevi, dirigi e toquei. Foi uma experiência muito marcante”, conta.

A história mostra que a cultura não se limita ao entretenimento. Também pode gerar formação, convivência, autoestima e oportunidades profissionais. Em Mato Grosso do Sul, a programação mantida pelo Sesc inclui música, teatro, dança, cinema, literatura, canto e audiovisual, com espaço para artistas regionais e nacionais.

Em outra ponta dessa atuação está a alimentação. Empresária e administradora, Maria Elisa Codorniz frequenta diariamente uma das unidades do Sesc Sabor e Arte, em Campo Grande. O restaurante passou a fazer parte de sua rotina pela oferta de refeições variadas e pelo ambiente de convivência.

“Eu venho pela qualidade da comida, uma comida saudável, de procedência e com processos bastante apurados”, afirma.

Além dos restaurantes, o Sesc oferece no Estado serviços de odontologia, psicologia e massoterapia. Também mantém projetos esportivos, como o MS Pedalando para o Futuro, destinado a crianças e adolescentes, e o Circuito Sesc de Corridas, realizado em diferentes municípios.

Segundo o presidente do Sistema Fecomércio MS, Juliano Wertheimer, os 80 anos representam uma trajetória que precisou acompanhar as mudanças da sociedade.

“O Sesc soube se transformar ao longo dessas décadas, ampliando sua atuação em áreas como educação, cultura, saúde, esporte, lazer, turismo, alimentação e assistência”, afirma.

O Sesc nasceu de um compromisso do setor do comércio com os trabalhadores e suas famílias, mas ampliou seu alcance ao longo das décadas. Aos 80 anos, seu principal patrimônio não está apenas nas 16 unidades instaladas em Mato Grosso do Sul. Está nas refeições servidas, nos alimentos que deixam de ser desperdiçados, nos jovens que aprendem um novo idioma, nas pessoas que sobem ao palco pela primeira vez e em quem encontra no esporte, na cultura ou na educação um caminho que antes parecia distante.