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Capital

Defesa diz que suicídio de fisioterapeuta é “fantasia” e cita brutal feminicídio

Advogado da família de Fabiola Marcotti acusa cardiologista João Jazbik de tentar “falsear a verdade”

Por Jhefferson Gamarra e Gabi Cenciarelli | 27/05/2026 14:07
Defesa diz que suicídio de fisioterapeuta é “fantasia” e cita brutal feminicídio
Fabiola, de 51 anos, foi encontrada morta em chácara (Foto: Arquivo pessoal)

A defesa da família da fisioterapeuta Fabiola Marcotti, de 51 anos, divulgou nesta quarta-feira (27) uma nota pública em que classifica como “fantasia arquitetada” a tese de suicídio apresentada pela defesa do cardiologista João Jazbik Neto, de 78 anos, e afirma que ela foi vítima de um “brutal feminicídio”.

RESUMO

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A família da fisioterapeuta Fabiola Marcotti, de 51 anos, encontrada morta com um tiro na cabeça em Campo Grande (MS), divulgou nota rebatendo a tese de suicídio apresentada pela defesa do marido, o cardiologista João Jazbik Neto, de 78 anos, e classificando o caso como "brutal feminicídio". A Deam investiga inconsistências nos depoimentos e indícios de fraude processual após armas serem removidas da propriedade após a morte.

Fabiola foi encontrada morta com um tiro na cabeça na manhã do último dia 18 de maio, na chácara onde morava com o marido, na região da Chácara dos Poderes, em Campo Grande. Desde então, o caso é investigado pela Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), que já apontou inconsistências nos depoimentos e na dinâmica apresentada inicialmente.

A manifestação foi assinada pelo advogado Márcio Leonardo Almeida das Virgens, que atua como assistente de acusação da família da fisioterapeuta. No documento, ele afirma que, em respeito ao segredo de Justiça, não irá divulgar detalhes de laudos ou provas reunidas no inquérito, mas rebate diretamente a linha sustentada pela defesa do médico.

“Nesse sentido, repudiamos com veemência a despudorada tentativa da defesa do investigado de falsear a verdade. A tese de autoextermínio é uma fantasia arquitetada, uma narrativa falaciosa e leviana, construída com o único e covarde propósito de livrar o autor de sua responsabilização criminal”, afirma trecho da nota.

Em outro momento, o advogado diz que “o que ocorreu não foi um infortúnio, mas sim um brutal feminicídio”.

A nota também afirma que a família confia no trabalho técnico da Deam, do Instituto de Criminalística e do Ministério Público de Mato Grosso do Sul. Segundo a manifestação, “a ciência forense é implacável” e deverá esclarecer o caso.

O documento foi divulgado nove dias após a morte da fisioterapeuta e em meio à disputa entre as versões apresentadas pela defesa do cardiologista e pelas autoridades responsáveis pela investigação.

Defesa diz que suicídio de fisioterapeuta é “fantasia” e cita brutal feminicídio
Investigadores observam imóvel do cardiologista João Jazbik Neto, de 78 anos, ao centro (Foto: Maya Severino)

No dia do caso, João Jazbik Neto afirmou à polícia que encontrou a esposa caída no quarto do casal após estranhar a demora dela no cômodo. Segundo o boletim de ocorrência, ele sustentou que Fabiola teria tirado a própria vida.

Posteriormente, o advogado do médico, José Belga Trad, declarou que a hipótese de feminicídio estaria afastada e afirmou que o cliente responderia apenas por posse irregular de armas e fraude processual. A defesa também alegou que o cardiologista se colocou à disposição para realizar exame residuográfico e negou que ele tenha efetuado disparos contra a esposa.

Entretanto, no dia seguinte, a Polícia Civil informou ter encontrado divergências nos depoimentos colhidos ainda na propriedade rural e apontou inconsistências entre o ferimento identificado na vítima e a versão apresentada inicialmente.

Conforme a Deam, também houve indícios de fraude processual após um armário com armas e munições ser retirado da casa principal e levado para outro imóvel dentro da chácara após a morte da fisioterapeuta. O médico, o caseiro e um ex-funcionário acabaram autuados em flagrante.

Durante as buscas, policiais apreenderam armas de fogo de uso permitido e restrito na propriedade. João Jazbik Neto possui registro ativo como CAC (Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador).

Na nota divulgada nesta quarta-feira, a defesa da família afirma ainda que continuará acompanhando o caso até a responsabilização dos envolvidos.

“A família e os amigos permanecerão vigilantes e combativos. A memória de Fabíola não será sepultada sob a conveniência de mentiras, e a Justiça será buscada até as últimas instâncias”, diz outro trecho do texto.