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Política

Renato Gomes rejeita polarização e propõe aliviar imposto sobre consumo

Economista defende tributação maior sobre artigos de luxo para reduzir peso sobre gás, combustível e alimentos

Por Kamila Alcântara | 17/09/2026 11:45
Renato Gomes rejeita polarização e propõe aliviar imposto sobre consumo
Renato Gomes é candidato ao governo de Mato Grosso do Sul pelo DC (Foto: Osmar Veiga)

Candidato ao Governo de Mato Grosso do Sul pelo DC (Democracia Cristã), o economista Renato Gomes, de 40 anos, defende uma mudança na cobrança de impostos estaduais para reduzir o peso dos tributos sobre produtos essenciais e aumentar a contribuição de pessoas com maior renda e patrimônio.

RESUMO

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Renato Gomes, economista de 40 anos e candidato ao governo de Mato Grosso do Sul pelo DC, defende tributação progressiva, com redução de impostos sobre itens essenciais e maior cobrança sobre grandes patrimônios e veículos de luxo. Formado pela FGV e ex-funcionário do BTG Pactual, ele se apresenta como alternativa à polarização política, conciliando conservadorismo religioso com propostas econômicas progressistas.

Em entrevista ao Campo Grande News, Renato afirmou que pretende construir uma candidatura distante da polarização entre esquerda e direita. Embora mantenha posições conservadoras no campo pessoal e religioso, ele apresenta propostas econômicas normalmente associadas a setores progressistas, como maior tributação sobre grandes patrimônios, heranças e produtos de luxo.

A minha pauta política e econômica é uma pauta da progressividade tributária. Altas rendas e altos patrimônios precisam contribuir com esse condomínio que se chama Mato Grosso do Sul”, afirmou.

Entre as propostas apresentadas está a redução da carga tributária sobre gás de cozinha, combustíveis e alimentos da cesta básica. O candidato também defendeu que veículos de luxo e grandes transmissões de patrimônio sejam mais tributados.

Segundo Gomes, a atual estrutura pesa proporcionalmente mais sobre os consumidores de menor renda. Ele citou como exemplo a cobrança de impostos sobre a gasolina e o gás de cozinha, produtos que fazem parte das despesas mensais das famílias.

“Não cabe ir para cima do gás de cozinha e da cesta básica enquanto um carro de luxo recebe tratamento tributário menor”, disse.

Energia, água e alimentos - Renato também propõe medidas para reduzir o custo da energia elétrica e ampliar as alternativas de geração. Ele criticou a concentração do serviço de distribuição e defendeu maior diversificação das fontes disponíveis aos consumidores.

Outra proposta é facilitar a perfuração de poços artesianos em imóveis e comunidades, desde que exista fiscalização sobre as condições sanitárias e o volume de água captado. Atualmente, a abertura e a operação desses poços dependem de autorização ambiental e do cumprimento de regras para preservar os aquíferos.

Na agricultura, o candidato defende maior incentivo à produção de alimentos destinados ao mercado interno. Para Renato, o Estado concentra sua política agrícola em grandes culturas voltadas à exportação, enquanto parte dos alimentos consumidos pela população vem de outras regiões.

Ele sustenta que uma produção mais diversificada poderia ajudar a reduzir o preço da cesta básica e criar oportunidades para pequenas propriedades. A proposta, entretanto, ainda precisa ser acompanhada de metas, orçamento e instrumentos concretos de execução.

Supersalários - Outro ponto defendido pelo economista é a revisão de vantagens pagas a servidores que recebem acima da remuneração do governador. Renato afirma ter identificado, por meio de planilhas do Portal da Transparência, aproximadamente 2,8 mil pagamentos mensais acima desse valor.

Segundo o candidato, a soma anual chegaria a R$ 2 bilhões, recursos que poderiam ser destinados à saúde e a outros serviços públicos. Os números apresentados por ele não foram verificados de forma independente pelo Campo Grande News.

Além disso, nem todo pagamento acima do teto pode ser cortado diretamente pelo governador. Verbas indenizatórias, decisões judiciais, acumulações permitidas e remunerações de outros Poderes seguem regras próprias. Por isso, a economia efetiva dependeria de uma análise individual dos pagamentos e das competências legais do Executivo.

Renato também defendeu um programa de renegociação para retirar veículos apreendidos dos pátios do Detran-MS (Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul). Ele falou em anistiar parte das cobranças de até 80% dos veículos retidos, mas não detalhou os critérios do programa.

Fora dos polos - Apesar de sua formação conservadora e da ligação com o catolicismo, Renato diz não se considerar um candidato de direita nem de esquerda. Para ele, a polarização nacional tem afastado o debate político dos problemas locais.

O meu posicionamento político é o do meio do caminho, o da moderação entre esses dois campos”, declarou.

O candidato afirmou que a direita erra ao tratar os interesses do capital como prioridade absoluta, enquanto setores da esquerda, segundo ele, demonstram pouco respeito pela propriedade privada e apresentam contradições entre o discurso e a atuação política.

Renato também fez críticas ao bolsonarismo. Na avaliação dele, a transformação de Jair Bolsonaro em objeto de “idolatria” prejudicou o debate público. O candidato afirmou ainda que o escritor Olavo de Carvalho contribuiu para sua aproximação com o catolicismo, mas também ajudou a aprofundar a divisão política do país.

“Ele me ajudou muito mais na compreensão do catolicismo do que em uma correta compreensão política”, disse.

Renato Gomes rejeita polarização e propõe aliviar imposto sobre consumo
Candidato usa escapulário com imagem de Nossa Senhora do Carmo (Foto: Juliano Almeida)

Empresário e católico - Nascido em Campo Grande, Renato Gomes deixou a Capital aos 17 anos. Formou-se em Economia pela FGV (Fundação Getulio Vargas), no Rio de Janeiro, iniciou mestrado em Matemática e trabalhou no Instituto Brasileiro de Economia e no Centro de Políticas Sociais.

Depois, atuou no banco BTG Pactual, no Rio de Janeiro e em Brasília, atendendo clientes de alta renda e empresários. Há aproximadamente dez anos, retornou a Campo Grande e passou a trabalhar em um escritório familiar que presta serviços contábeis e empresariais.

Renato afirma que a experiência com centenas de empresas lhe deu conhecimento para administrar o Estado. Sua entrada na política, segundo ele, ocorreu depois de tentativas frustradas de apresentar suas ideias a integrantes do poder público.

Casado e pai de uma menina de 1 ano e 1 mês, o candidato contou que se converteu ao catolicismo há cerca de seis anos. Segundo ele, a mudança religiosa alterou sua visão sobre economia e reforçou a preocupação com as camadas mais pobres da população.

Entre as influências mencionadas estão o bispo norte-americano Fulton Sheen, o economista Paulo Kogos e Olavo de Carvalho. Renato afirma que sua fé passou a orientar a defesa de medidas econômicas voltadas à população de menor renda.

Ao tentar conciliar conservadorismo religioso, crítica ao bolsonarismo e propostas de tributação progressiva, o candidato aposta em uma identidade fora dos grupos políticos tradicionais. O desafio será transformar esse conjunto de ideias em propostas detalhadas, com valores, prazos e caminhos legais para execução.

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