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Campo Grande, Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017

29/12/2011 17:16

“Dói na alma”, dizem catadores que viram o sustento ser palco de tragédia

Paula Maciulevicius e Viviane Oliveira
Pelas informações levantadas até o momento, Maikon Correia de Andrade, viveu a tragédia onde ele e dezenas de crianças faziam de quintal. (Foto: João Garrigó)Pelas informações levantadas até o momento, Maikon Correia de Andrade, viveu a tragédia onde ele e dezenas de crianças faziam de quintal. (Foto: João Garrigó)

Ninguém esperava. Ninguém queria encerrar o ano de 2011 com essa cena: o corpo de uma criança de 10 anos sendo depositado em uma urna depois de 20h de buscas. Pelas informações levantadas até o momento, Maikon Correia de Andrade, viveu a tragédia onde ele e dezenas de crianças faziam de quintal. Entre brincadeiras de meninos, a tragédia de um desmoronamento, anunciada ou não, trouxe à tona a realidade de quem tira dali o sustento.

Na idade ela é jovem, mas a experiência de vida passa os 19 anos de nascença de Débora Campos. A menina mulher mora na Cidade de Deus, com as duas filhas pequenas, de 2 anos e 9 meses.

No lixão ela ganha R$ 50 por dia, mas não quer ficar ali. “Quero parar para os meus filhos não terem que ir nesse caminho”, diz.

O pensamento já acompanhava a catadora e mãe antes de saber que o lixão foi palco do fim da vida de um menino. “Dói na alma o que aconteceu com essa criança. Por mais que não seja filho, nem parente meu, quando eu olho para as minhas, eu lembro disso”, desabafa.

Lembrança que vai acompanhar essa e tantas outras mães.

“Dói na alma o que aconteceu com essa criança. Quando olho para as minhas, eu lembro disso”. (Foto: João Garrigó)“Dói na alma o que aconteceu com essa criança. Quando olho para as minhas, eu lembro disso”. (Foto: João Garrigó)

Mesmo com o dinheiro pago por dia, Débora é uma das exceções, não pretende ficar no lixão. “Se Deus quiser eu vou conseguir um emprego no terminal Aero Rancho, já entreguei currículo, uma amiga minha que trabalha lá vai me ajudar. Eu vou entrar e largar essa vida”, conta.

Questionada se o cenário não era triste, ela só respondeu “não, é perigoso. O sol, calor, combustão o tempo todo, isso incomoda muito. Meu desejo hoje é que meus filhos nunca trabalhem num lixão”.

Débora tem história que merece uma página inteira. E uma delas não é nada bonita de se contar. Segundo a catadora, desde que um supermercado de grande porte começou a jogar coisas no lixão, a criançada briga por comida.

“Eles jogam mortadela, presunto, carne, frango. Sai até briga entre as crianças por causa disso”.

Segundo ela, os frios são justamente o que atrai um número cada vez maior de meninos.

E são esses os alimentos que vão para a panela de Débora. Sem receio algum, meio catado em meio a toneladas de tudo quanto é tipo de lixo. “Eu fervo, eles não são estragados, só estão em cima do vencimento”.

Distante e ao mesmo tempo perto. Quem vive no lixão enxerga o drama de outro ângulo. (Foto: João Garrigó)Distante e ao mesmo tempo perto. Quem vive no lixão enxerga o drama de outro ângulo. (Foto: João Garrigó)

Cristiane Caetano, 27 anos, é outra catadora que compartilha a mesma justificativa que Débora, para o aumento da criançada. Quem já chegou a tirar R$ 300 ao dia, trabalhando 24h de segunda a segunda.

Sobre o acontecido, ela diz “todo mundo sabia que a qualquer momento uma desgraça dessas ia acontecer. Quando eu fiquei sabendo, o sentimento foi de tristeza, porque é lugar que você trabalha, tira seu sustento”.

Com todo o episódio, durante esta quinta-feira, Paulo Henrique dos Santos Rui, 19 anos, continuava trabalhando. Sai do Tarumã até o lixão.

“Quanto maior o tempo que ficar trabalhando aqui, mais dinheiro você vai ganhar. Não tem o que dizer, infelizmente as pessoas que estão trabalhando hoje, não é que não estavam sentindo, mas é que este é o sustento deles”.



penso o seguinte ja que essas pessoa vao aproveitar as coisas que saem de pereciveis dos mercados ....poderia existir um caminhao diferenciado pra esse recolhimento de alimento para nao ser misturado com outro lixos ...."dos males o menor " !!!
 
marcel arruda em 30/12/2011 12:52:11
Precisamos de projetos sociais de qualidade para esses bairros... Exemplo o Projeto Moinho de Corumbá, que tira crianças da rua e mostra a amplitude do mundo a elas. Esses meninos ficam perambulando sem ter o que fazer nas ferias enquanto os pais trabalham, e aprendem só o oficio da malandragem e da criminalidade.
 
Leticia Mello em 30/12/2011 11:58:25
O que acontece nesse trágico cenário da sociedade, é que o Governo investe em obras grandiosas na cidade Morena e se esquece dessa parcela da sociedade. Esses meninos não tem ocupação nas ferias e vão brincar nesse lugar, ficam expostos a todo tipo de perigo! Esses bairros em volta do lixão não tem praça, quadra de esportes, não tem um projeto que dê ocupação para essas crianças. É triste mesmo!
 
Leticia Mello em 30/12/2011 11:54:24
Dói na alma de todos. Enquanto isso na casinha do papai noel Guardas municipais tropam um no outro. Cadê a guarda municipal desse lixão? Parabéns prefeito Nelsinho, durma com a consciência tranquila, feliz ano novo! Ano que vem tem eleição e o povo esquece essas tragédias. Que Deus dê o conforto para essa família e para todos nós que temos filhos. Coloca o seu segurança para proibir a entrada lá.
 
Sidnei Garcia em 30/12/2011 11:12:48
idem a td os comentarios.
mais ate qd!!! qdo saberemos votar neste pais..
onde o mais importante eh o visual, o asfalto, o aquario...
qdo vai acontecer a mudanca na conciencia da nossa populacao.
qdo isto acontecer...

 
maria helena em 30/12/2011 10:56:04
Cidade do papai noel, aquário do pantanal...gasta-se fortunas com coisas fúteis e deixam a desejar em programas que atendam essas crianças.Enquanto isso na 'sala de justiça', os políticos de campo grande em sua grande maioria estão na praia, 'muito preocupados'...LAMENTÁVEL!!!
 
geraldo da silva gomes em 30/12/2011 10:19:33
Infelismente essa e a realidade de muita gente infelizmente politicos, governadores etc... Nao esta dando a minima eles lamentaram muito sobre a morte do menino concerteza nao fizeram nada pra ajudar os pais dessa criança que mundo e esse pergunto.Quantas pessoas mas vao ter que morrer pra alguem fazer algo???
 
Daiane Esquian em 30/12/2011 09:14:40
Culpar alguém pelo acontecido é imoral....Todos nós temos culpas....Quando iriamos pensar ou falar sobre essa fatalidade?? Cada um com seus problemas, seu mundinho...Existem pessoas passando fome, sem ter nada o que comer e não fazemos nada!!! Temos é que tentar fazer alguma coisa...Estou triste e envergonhado, porque reclamamos de pouco e não damos valor ao que temos, e quem nada tem, é JUSTO???
 
Roberto em 30/12/2011 02:57:45
E de acordo com o Guido Mantega daqui a 20 anos teremos no Brasil padrão europeu, afffffff!
 
Paulo Fernando Gonçalves em 29/12/2011 08:52:23
Mais uma vez Campo Grande é veiculada nos grandes jornais de TV mostrando uma realidade brasileira, negativamente.
 
Jorge Abdul Elias em 29/12/2011 08:41:39
A responsabilidade dessa tragédia é o Estado, que faz vista grossa com os problemas sociais da comunidade do lixão. Cadê o Conselho Tutelar que não fiscalizou isso antes? Ficam enfeitando ou maqueando o centro de Campo Grande e as crianças ficam perambulando no lixão? Certamente agora vão tomar as " devidas, necessárias e urgência providência ao assunto". Agora é tarde pessoal.
 
osmiro capistrano da costa em 29/12/2011 06:08:24
É inacreditável , que a cada dia nos confrontamos com notícias de crianças e pais, buscando alimentos , para tentar sobreviver neste planeta. Ao mesmo tempo somos bombardeados com notícias governamentais, de "valiosos e grandiosos" projetos de Inclusão social, projetos estes se fossem aplicados corretamente,sem desvios, com seriedade, não estaríamos presenciando estas cenas e fatos chocantes.
 
erisvaldo batista ajala em 29/12/2011 05:49:51
È TRISTE MUITO TRISTE E O PIOR QUE A RESPONSABILIDADE É DE QUEM É ESSA PERGUINTA QUE EU FAÇO ??? NO ATENTAMOS ESTE PROBLEMA PASSE DE UMA ANO PARA OUTRO ATÉ QUANDO VAI PERMANECER TUDO BEM , NOSSA CIDADE ESTÁ BONITA PARQUE LAGOA, ORLA MORENA , CIDADE DO NATAL E A PERIFERIA MINHA GENTE CHEGO A PENSDAR QUE ESSAS COISAS ESTAS LUZES DA NOSSA CIDADE NÃO BRILHAM NAQUELES REALMENTE PRECISAM .
 
SANDRA DA SILVA em 29/12/2011 05:31:28
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