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Campo Grande, Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017

13/09/2011 11:42

Durante assalto taxista pensava na família e no colega assassinado

Nadyenka Castro

Em 22 anos de trabalho, José Paulo é testemunha da crescente violência contra a classe. Bandido que o assaltou já havia sido preso ano passado, também em roubo a taxista

Em casa, taxista falou do medo que passou refém do assaltante. (Foto: Simão Nogueira)Em casa, taxista falou do medo que passou refém do assaltante. (Foto: Simão Nogueira)

“Na hora a gente só pensa em viver. Pensei no Dudu [taxista morto], nos filhos e nas netas”, conta José Paulo de Macedo, 52 anos, que na noite dessa segunda-feira passou por momentos de terror, sendo refém de um assaltante, em Campo Grande.

José Paulo trabalha como taxista há 22 anos e é testemunha, segundo ele, da crescente violência contra a categoria. “Houve aumento sim. Já perdemos vários companheiros”, fala o trabalhador referindo-se a colegas mortos em serviço. O último deles, Daniel Manoel Dudu, no último 26 de agosto.

José Paulo cita o seu próprio caso para exemplificar a sua constatação sobre a violência. Ele foi vítima de assalto há seis anos, em uma ação rápida. Já na noite dessa segunda-feira o bandido o obrigou a dirigir o veículo por várias ruas.

“Na primeira vez não deu tempo de ter medo. Pegaram minha carteira e em dois minutos sumiram. Desta [o assaltante] mandou eu continuar dirigindo. Agora, de ouvir alguém falar mais alto já dá medo. Vai uns dias para superar isso”, declara.

Outro exemplo é o caso do assaltante preso, John Peralta Assis, de 19 anos. De acordo com a Polícia Civil, em dezembro do ano passado ele assaltou outro taxista.

José Paulo é pai de cinco filhos, tem duas enteadas e duas netas. O pensamento na família e o receio em ter o mesmo fim que o colega o fizeram manter a calma.

O assaltante entrou no veículo nas proximidades da Maternidade Cândido Mariano e pediu uma corrida até o Jardim Vilas Boas, onde anunciou o roubo. O taxista foi obrigado a dirigir por mais cinco quadras com o criminoso ao lado.

John Peralta fugiu com dinheiro e celular de José Paulo, mas, foi preso na madrugada desta terça-feira na região da avenida Três Barras. Quinze taxistas rodaram o bairro a procura do assaltante, o qual foi encontrado pela PM (Polícia Militar).

Wesley confessou que matou Manoel Dudu. Ele alega que intenção era apenas assustar. (Foto: João Garrigó)Wesley confessou que matou Manoel Dudu. Ele alega que intenção era apenas assustar. (Foto: João Garrigó)

O rapaz volta à prisão após quatro meses em liberdade. Ele havia sido preso logo após o roubo ao outro taxista, em dezembro, e foi solto por determinação judicial, em maio deste ano.

Morte - Manoel Dudu foi morto por dois tiros disparados por Wesley Oliveira dos Santos, de 18 anos, no Jardim Nascente do Segredo. Ele foi preso semana passada e a namorada adolescente apreendida no dia do crime.

Os dois entraram no táxi no estádio Morenão e quando chegaram ao destino não tinham todo o dinheiro da corrida. Wesley então atirou no taxista.

O jovem alega que não tinha intenção de matar o trabalhador e sim de assusta-lo porque o flagrou agredindo verbalmente a sua namorada.



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