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Capital

Após 2 mortes e pressão nas UPAs, Capital promete força-tarefa para rever Saúde

Grupo terá 90 dias para elaborar relatório sobre sistema, criticado pela demora e falhas no atendimento

Por Silvia Frias | 11/05/2026 09:46
Após 2 mortes e pressão nas UPAs, Capital promete força-tarefa para rever Saúde
Hannah morreu no dia 29 de abril, depois de passar por 4 unidades de saúde (Foto/Divulgação)

A Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) criou um grupo de trabalho para estudar mudanças na RAS (Rede de Assistência à Saúde) de Campo Grande. A equipe terá prazo de 90 dias para apresentar um relatório conclusivo com diagnóstico, diretrizes e propostas para reorganização da rede municipal de saúde

RESUMO

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A Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande criou um grupo de trabalho para estudar mudanças na Rede de Assistência à Saúde do SUS municipal. O grupo, formado por representantes de diversos setores, tem 90 dias para apresentar diagnóstico e propostas de reorganização dos serviços. O objetivo é melhorar a eficiência, ampliar o acesso e integrar o atendimento entre postos, UPAs, hospitais e centros especializados.

A medida foi publicada em resolução nesta segunda-feira (11), no Diogrande (Diário Oficial). O sistema de saúde em Campo Grande é alvo de constantes reclamações dos usuários, por conta da demora no atendimento ou falta de profissionais. No dia 29 de abril, a morte de Hannah Julia, de 8 anos, evidenciou ainda mais a situação, depois que ela passou por quatro unidades de saúde. Foi o segundo caso do tipo no ano. O primeiro ocorreu em 7 de abril, com a morte do menino João Guilherme Jorge Pires, de 9 anos.

A RAS funciona como o “mapa” que organiza o atendimento dentro do SUS. É ela que conecta postos de saúde, UPAs, centros especializados, hospitais, exames e serviços de encaminhamento para tentar evitar um sistema fragmentado.

Segundo o texto, o objetivo do grupo será analisar a estrutura atual da rede pública e propor medidas para reorganizar os serviços oferecidos à população. A justificativa da Sesau é a necessidade de melhorar a eficiência, ampliar o acesso e garantir mais integração no atendimento.

O grupo será formado por representantes titulares e suplentes de diversos setores da secretaria.

O GT terá prazo de 90 dias. A participação será considerada serviço público relevante, sem pagamento adicional aos integrantes.

Após 2 mortes e pressão nas UPAs, Capital promete força-tarefa para rever Saúde
UPA do Jardim Leblon em dia de lotação e muita espera (Foto/Arquivo/Direto das Ruas)

Neste ano, o Campo Grande News mostrou casos de pacientes esperando horas por atendimento nas UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) Leblon, Universitária e Moreninhas, além de relatos de falta de médicos na UPA Coronel Antonino, onde usuários afirmaram aguardar mais de quatro horas mesmo em situações consideradas prioritárias.

Morte de crianças

No mês passado, duas crianças morreram após idas reiteradas às unidades de saúde de Campo Grande.

Em 7 de abril, o menino João Guilherme Jorge Pires, de 9 anos, morreu após passar por diferentes unidades de saúde da Capital ao longo de vários dias. A família relata que ele procurou atendimento após uma queda que machucou o joelho, mas acabou liberado sucessivas vezes mesmo com dores fortes e piora no quadro. O caso passou pelas UPAs Tiradentes e Universitário, além da Santa Casa, e é investigado pela Polícia Civil após registro de boletim de ocorrência por homicídio culposo.

No dia 29, a menina Hannah Julia, de 8 anos, morreu após passar quatro vezes por unidades de saúde da Capital, incluindo três atendimentos na UPA Leblon. A família questiona a assistência prestada e aponta falhas no atendimento.

A menina foi levada ao Centro Regional de Saúde em 24 de abril por estar com sintomas respiratórios e febre alta. Os primeiros exames apontaram um quadro viral.

Ela deu entrada na UPA no dia 27, após uma piora. A glicemia foi aferida e estava em 151 mg/dL, de acordo com o que Sara ouviu de uma médica. "Ela disse que era normal, mas estranhei", afirma.

No CRS e na UPA, a paciente recebeu dipirona e soro fisiológico. Os pais foram orientados a levar a criança para casa três vezes. Só teriam que retornar caso ela se sentisse mal novamente. Com vômitos constantes e inchaço ao redor dos olhos, ela esteve na UPA Leblon duas vezes no dia 28.

Na última ida, já estava pálida, com dores em todo o corpo, inclusive na nuca, e não conseguia andar. Outro sintoma era calafrio. Um raio-x e mais outros novos exames seriam feitos, mas a mãe pediu que a medicação fosse dada antes devido ao estado da menina.

O atestado de óbito que a família recebeu diz que houve uma parada cardiorrespiratória com choque por motivo a esclarecer.

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Esse caso foi sugerido por leitor que enviou mensagem pelo canal Direto das Ruas.