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Cidades

Pesquisa aponta que 41,2% dos brasileiros identificam facções nos bairros

Levantamento revela avanço do crime organizado para cidades do interior e aumento da sensação de insegurança

Por Viviane Oliveira | 11/05/2026 09:34
Pesquisa aponta que 41,2% dos brasileiros identificam facções nos bairros
Pichação atribuída ao PCC em Campo Grande; pesquisas apontam presença consolidada da facção em Mato Grosso do Sul (Foto: Campo Grande News/arquivo)

A presença de grupos criminosos ligados ao tráfico de drogas já faz parte da percepção cotidiana de uma parcela significativa da população brasileira. Os dados constam em pesquisa do Instituto Datafolha divulgada neste domingo (10) e encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

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Pesquisa do Instituto Datafolha divulgada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta que 41,2% dos brasileiros reconhecem a atuação de organizações criminosas em seus bairros, cerca de 68,7 milhões de pessoas. Em Mato Grosso do Sul, o PCC tem presença consolidada devido à posição estratégica na fronteira com Paraguai e Bolívia, enquanto o Comando Vermelho avança em cidades do norte do Estado.

O cenário tem reflexos diretos em Mato Grosso do Sul, apontado em levantamentos anteriores do Fórum como um dos estados de maior presença do PCC (Primeiro Comando da Capital), devido à posição estratégica na fronteira com Paraguai e Bolívia, utilizada em rotas do tráfico internacional de drogas.

O estudo teve abrangência nacional e incluiu regiões metropolitanas e cidades do interior de diferentes portes em todas as regiões do país. Ao todo, foram realizadas 2.004 entrevistas em 137 municípios.

Segundo o levantamento, 41,2% dos brasileiros com 16 anos ou mais afirmam reconhecer a atuação de organizações criminosas em seus bairros, o equivalente a cerca de 68,7 milhões de pessoas. Outros 51,1% disseram não perceber essa presença, enquanto 7,2% não souberam responder. Os números reforçam a avaliação de que o crime organizado deixou de ser um fenômeno concentrado em grandes capitais e passou a integrar o cenário de insegurança em diferentes regiões do país.

De acordo com pesquisas anteriores do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, facções já consolidaram áreas de influência em diversos estados. O PCC possui maior presença em Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rondônia, Roraima, São Paulo e Piauí. O CV (Comando Vermelho) domina Acre, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Tocantins e Rio de Janeiro, onde surgiu.

A percepção da presença dessas organizações é mais intensa nos grandes centros urbanos. Nas capitais, 55,9% dos entrevistados afirmaram que há atuação de facções em seus bairros. Nos municípios das regiões metropolitanas, o índice é de 46%. No interior, o percentual cai para 34,1%.

Apesar da diferença entre os territórios, o levantamento chama atenção para o fato de que mais de um terço da população das cidades do interior também identifica a presença de grupos criminosos, evidenciando a expansão e a interiorização das facções pelo país.

Segundo o estudo, esse processo acompanha transformações nas dinâmicas do crime organizado ao longo das últimas décadas. Facções como PCC e CV, surgidas em grandes centros urbanos como São Paulo e Rio de Janeiro, ampliaram atuação para cidades médias e pequenas por meio de rotas logísticas, alianças locais, influência no sistema prisional e inserção em mercados ilícitos e lícitos.

A pesquisa aponta ainda que a expansão dessas organizações foi intensificada pela nacionalização dos grupos entre o fim dos anos 1990 e início dos anos 2000, pela circulação de lideranças em presídios federais a partir de 2006 e pela ruptura entre PCC e CV entre 2016 e 2017. O rompimento acirrou disputas territoriais e impulsionou a busca por novas rotas do tráfico de drogas.

Esse avanço não representa apenas um deslocamento geográfico das organizações criminosas, mas também uma reconfiguração da economia do crime. Municípios do interior passaram a funcionar como entrepostos logísticos, áreas de disputa e espaços de governança criminal.

O levantamento mostra ainda que, entre os entrevistados que reconhecem a presença de grupos criminosos, 43,4% consideram essa atuação pouco visível, 21,1% a classificam como visível e 25,3% como muito visível. Somados, os índices de “visível” e “muito visível” chegam a 46,4%, o equivalente a cerca de 31,9 milhões de pessoas.

Mesmo quando a atuação não ocorre de forma ostensiva, a pesquisa indica que a presença do crime organizado é percebida no cotidiano das comunidades, influenciando comportamentos, rotinas e a sensação de liberdade da população.

Em MS o avanço do Comando Vermelho em cidades do norte, como Coxim, Sonora, Pedro Gomes e Rio Verde de Mato Grosso, levou o governo a reforçar a integração com forças de segurança de estados vizinhos e países da fronteira. A preocupação é conter a expansão de facções que utilizam o Estado como rota do tráfico internacional de drogas.

Segundo o secretário estadual de Justiça e Segurança Pública, Antônio Carlos Videira, as ações têm foco na integração policial, especialmente com o Mato Grosso, onde o CV possui forte presença. A disputa entre facções também motivou operações policiais em cidades como Coxim e Aparecida do Taboado, onde a polícia identificou tentativas de avanço do CV sobre áreas dominadas pelo PCC, cenário que provocou uma sequência de homicídios.

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