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Cidades

PM reconhecido pelo bigode e colega viram réus por atos de “extrema gravidade”

Vara da Justiça Militar recebeu a denúncia contra os policiais militares por abuso de autoridade

Por Aline dos Santos | 11/05/2026 09:22
PM reconhecido pelo bigode e colega viram réus por atos de “extrema gravidade”
Carteira funcional do policial militar que teria sido reconhecido em crime pelo bigode. (Foto: Reprodução)

A Vara da Justiça Militar recebeu a denúncia de abuso de autoridade contra dois policiais militares. O caso é rumoroso porque a Aspra-MS (Associação de Praças da Polícia Militar e Bombeiro Militar de Mato Grosso do Sul) denunciou que um dos sargentos não estava na abordagem, sendo reconhecido somente por uma característica física: o bigode.

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A Vara da Justiça Militar recebeu denúncia de abuso de autoridade contra dois sargentos da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, presos desde 1º de abril. Um servidor federal de 45 anos relatou abordagem truculenta em Ponta Porã, com disparo de arma e acesso indevido a seus celulares. A prisão preventiva foi mantida por indícios sólidos, tentativa de intimidação à vítima e risco à ordem pública.

Contudo a decisão judicial, detalha outros motivos para a manutenção das prisões preventivas dos dois policiais. O documento menciona indícios sólidos, como o relato firme, coerente e reiterado da vítima, registros de comunicações, mensagens e o reconhecimento dos denunciados.

“De outro vértice, o periculum libertatis [perigo à liberdade] igualmente subsiste de forma concreta e atual. Isso porque, conforme já consignado, os denunciados, valendo-se inclusive de sua condição funcional, teriam adotado condutas de extrema gravidade consistentes não apenas na prática dos fatos narrados na denúncia, mas também, e principalmente, na posterior tentativa de intimidação da vítima e interferência na regular apuração dos fatos, mediante o envio de mensagens ameaçadoras, inclusive envolvendo familiares, bem como a utilização indevida de informações de cunho pessoal e íntima”, detalha a decisão.

A manutenção das prisões também é justificada pela garantia da ordem pública, diante da gravidade concreta das condutas, que extrapolam a mera análise abstrata dos tipos penais, evidenciando modo de agir abusivo e utilização da função pública para a prática de ilícitos e para constrangimento da vítima, circunstâncias que denotam elevado grau de reprovabilidade e periculosidade.

“Registre-se, ainda, que a segregação cautelar não se funda em juízo antecipado de culpabilidade, mas sim na necessidade de resguardar a eficácia da persecução penal, sendo certo que medidas cautelares diversas da prisão mostram-se, no caso concreto, insuficientes e inadequadas, justamente em razão da natureza das condutas praticadas e da já demonstrada tentativa de interferência na instrução”, informa o documento.

A análise é de que eventuais condições pessoais favoráveis dos denunciados, tais como primariedade, residência fixa ou vínculo funcional, não têm o condão de afastar a prisão preventiva quando presentes, como no caso, elementos concretos a evidenciar o perigo à liberdade.

A Vara da Justiça Militar recebeu a denúncia contra o policial, que teria sido identificado pelo bigode, por duas sanções previstas na Lei de Abuso de Autoridade (situação vexatória não autorizada em lei e exigir informação sem expresso amparo legal). Além de enquadramento no Código Penal: invadir dispositivo informático sem autorização e coação no curso do processo.

O outro sargento foi denunciado por exigir informação sem expresso amparo legal, invadir dispositivo informático sem autorização e coação. Os policiais estão presos desde 1º de abril.

Truculenta - A denúncia é de servidor público federal lotado na Valec Engenharia, Construções e Ferrovias S.A., empresa pública vinculada ao Ministério dos Transportes. O homem, de 45 anos, diz que foi alvo de abordagem policial truculenta em Ponta Porã, ocorrida no dia 2 de setembro de 2025. Ele foi abordado por equipe do TOR (Tático Ostensivo Rodoviário), da Polícia Militar Rodoviária.

De acordo com a denúncia, os policiais mandaram que ele saísse da caminhonete, o colocaram ajoelhado atrás do veículo e exigiram que entregasse supostas drogas que estaria transportando. O homem negou possuir qualquer material ilícito.

Ainda conforme o depoimento, um disparo de arma de fogo teria sido efetuado próximo a ele, sem atingi-lo. O servidor federal afirmou também que “policial de bigode” obrigou o desbloqueio de celulares e acessou mensagens pessoais, incluindo conversas e fotos íntimas trocadas com a esposa.

Questionada sobre o caso em 27 de abril, a PMMS (Polícia Militar de Mato Grosso do Sul) informou que não se “manifesta acerca de decisões judiciais, em respeito à autonomia e à independência dos Poderes constituídos, bem como por se tratar de matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, cuja condução e deliberação compete exclusivamente às instâncias legais competentes”.

O Campo Grande News não conseguiu contato com o denunciante. A defesa dos policiais informou que não vai se manifestar sobre pontos relevantes devido ao sigilo no processo.

"Muito embora o recebimento da denúncia e a manutenção da prisão pela Auditoria Militar tenham ocorrido, tais decisões decorrem de evidente equívoco. Isso porque, apesar de a suposta vítima ter mencionado uma característica marcante de um dos policiais que estavam na abordagem, ou seja, "bigode", o cliente não foi efetivamente reconhecido pela suposta vítima", afirma a advogada Alana Oliveira.

De acordo com a defesa, ele apenas figurava entre os policiais apresentados no reconhecimento fotográfico e, em sua fotografia institucional, era o único que fazia uso de bigode, circunstância que compromete a confiabilidade do ato e evidencia a fragilidade do elemento identificador utilizado. "Ainda assim, a suposta vítima não confirmou o reconhecimento em relação ao sargento", diz a advogada.

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