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Capital

Em dia de pagamento, filas voltam aos bancos, shoppings e lotéricas

Nas aglomerações, é considerado alto o risco de contaminação pelo novo coronavírus

Por Tainá Jara e Liniker Ribeiro | 05/06/2020 14:41
Agência na Rua Barão do Rio Branco tinha cerca de 40 pessoas aguardando atendimento (Foto: Marcos Maluf)
Agência na Rua Barão do Rio Branco tinha cerca de 40 pessoas aguardando atendimento (Foto: Marcos Maluf)

O uso de máscaras indica a anormalidade imposta pela pandemia. As filas numerosas, no entanto, entregam a falência das medidas de isolamento social, quando pagar as contas ainda é quase prioridade na vida. Com a chegada do 5° dia útil, nesta sexta-feira, o alinhamento de pessoas é prolongado na entrada de shoppings, bancos e lotéricas de Campo Grande.

No Shopping Campo Grande entrada de clientes era controlada por funcionários (Foto: Direto das Ruas)
No Shopping Campo Grande entrada de clientes era controlada por funcionários (Foto: Direto das Ruas)

Limitar a entrada de muitas pessoas ao mesmo tempo na unidade é o principal objetivo. Mesmo assim, ainda resta o desafio de manter o distanciamento de segurança. Do lado de fora, o intervalo de 1,5 metro entre um e outro é regra desrespeitada na maioria das vezes.

No Shopping Campo Grande, no Bairro Santa Fé, a fila era para entrar no centro comercial. Funcionários faziam a fiscalização do distanciamento de segurança, além de orientar sobre as medidas de higienização necessárias para entrar no estabelecimento.

Aglomeração também foi registrada na entrada da unidade do Detran-MS (Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul), que funciona no shopping. A organização ali, porém, contava com a colaboração das próprias pessoas que aguardavam por atendimento.

No centro - Na região Central da cidade, a situação era um pouco mais crítica. Filas formadas para utilizar o serviço de caixa, tanto eletrônico quanto presencial, das agência bancárias chegavam a ter 40 pessoas. A maioria fazia uso das máscaras, mas o distanciamento e os despreocupados com as medidas de segurança deixa quem precisa se deslocar em risco.

Magdá tirou a máscara para poder falar com a reportagem (Foto: Marcos Maluf)
Magdá tirou a máscara para poder falar com a reportagem (Foto: Marcos Maluf)

A vendedora, Magda Medeiros dos Reis, 32 anos, teve de ir em busca de atendimento presencial, já que não conseguiu realizar uma negociação por telefone, porém, o receio a acompanhou durante todo o tempo de espera na frente de agência, localizada na Rua Barão do Rio Branco. “Estou tetando respeitar a distância, mas está sendo difícil”.

Ela ainda busca por respostas para entender como nem todos compartilham da mesma preocupação em contexto excepcional de risco a saúde. “O pessoal parece estar desacreditando. Não entendem o quão grave é”, desabafa.

Martiniano precisou fazer um saque (Foto: Marcos Maluf)
Martiniano precisou fazer um saque (Foto: Marcos Maluf)

O tempo de espera para atendimento é menor do que dá a entender as longas filas. O pintor Martiniano Ribeiro, 53 anos, já estava há dez minutos esperando e ainda tinha oito pessoas na sua frente. “Precisava vir pessoalmente, porque precisava fazer saque”, explicou.

O intervalo de uma hora para almoço da auxiliar de crédito, Claudineia Santana, 28 anos, foi quase todo utilizado para tentar atendimento em agência da região Centra, onde ela também trabalha. “Mas acho que não vou conseguir atendimento. Tenho uma hora de intervalo e vou tentar porque preciso pagar uma conta até dia 10. Até la eu vou tentando”, justificou.

Claudinei utilizou o intervalo de almoço do trabalho para ir ao banco (Foto: Marcos Maluf)
Claudinei utilizou o intervalo de almoço do trabalho para ir ao banco (Foto: Marcos Maluf)

Também buscando serviço de saque, o auxiliar de pedreiro, Luiz Carlos, não faz uso de aplicativo, por isto, precisou se deslocar para atendimento presencial. “O 5º dia útil caiu justo numa sexta-feira e preciso do dinheiro para passar o fim d e semana”.

Para tentar manter as medidas de segurança, os funcionários de algumas agências se deslocavam até o lado de fora para organizar as filas, de tempos em tempos.


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