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Capital

Em setor isolado, enfermeiro acusado de estupro ainda tem conduta investigada

Funcionário público de 51 anos é concursado e continua trabalhando no HRMS, mas sem contato com pacientes

Por Anahi Zurutuza | 29/07/2021 18:08
Funcionário do HRMS continua trabalhando, em setor onde não tem contato com pacientes (Foto: Campo Grande News/Arquivo)
Funcionário do HRMS continua trabalhando, em setor onde não tem contato com pacientes (Foto: Campo Grande News/Arquivo)

Em setor onde não tem contato com pacientes, o enfermeiro do HRMS (Hospital Regional de Mato Grosso do Sul) acusado de estuprar mulher internada com covid-19 ainda responde a sindicância. A investigação interna apura a conduta dele como servidor.

Por meio da assessoria de imprensa, a SES (Secretaria Estadual de Saúde) informou que a comissão responsável pelas apurações no âmbito administrativo aguarda o envio de cópia do inquérito para concluir os trabalhos.

O funcionário público estadual de 51 anos é concursado, continua trabalhando no HRMS, mas segundo informado, logo após o ocorrido, foi trocado de departamento. A pena máxima para o servidor, caso seja essa a decisão da comissão sindicante, é a exoneração.

Investigação criminal - A Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) de Campo Grande concluiu na terça-feira (27) inquérito que investigava enfermeiro por estupro de paciente e tentou prender o acusado. O pedido, contudo, foi negado pela Justiça, embora o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) tenha se manifestado favorável à prisão, segundo a delegada Maíra Machado, que tocou a investigação.

Os responsáveis pelas apurações dizem ter convicção de que o enfermeiro cometeu agressão sexual contra a paciente de 36 anos, que estava internada com covid-19. A denúncia foi feita pela mãe da vítima, de 56 anos, quando a filha ainda estava recebendo tratamento na ala isolada do hospital.

Conforme relatou a paciente, depois de ter passado mal durante a noite do dia 3 de fevereiro, tendo vômito e falta de ar, ela notou quando o profissional de enfermagem começou ir ao quarto dela, durante a madrugada do dia 4, e passou a apertá-la e passar a mão em seu corpo. Em determinado momento o suspeito retornou ao leito com “óleo de girassol”, passou nos dedos e começou a abusar da vítima.

Mesmo debilitada, a paciente diz ter tentado resistir ao abuso como pôde, pedindo para o homem parar e sair de cima dela, mas ele insistia em passar a mão na virilha da paciente enquanto pedia para ela “abrir as pernas”. O homem repetia que queria masturbar a paciente e que não era para ela resistir, se não poderia “dar problema para ele”.

Depois de ter alta, a mulher prestou depoimento e foi à Deam para fazer o reconhecimento do agressor. Ainda segundo a delegada, ao longo da investigação foram ouvidas nove testemunhas. “Foram depoimentos importantes”, comentou Maíra com o Campo Grande News, destacando que no inquérito, também foram “juntados documentos relevantes”.

Embora a perícia não tenha encontrado vestígios de sêmen, por exemplo, nas roupas da vítima – o que seria uma prova cabal –, outros elementos corroboraram para a polícia chegar à conclusão das investigações e indiciar o suspeito.

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