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Campo Grande, Quarta-feira, 20 de Setembro de 2017

12/09/2017 06:58

Empoeirado, ‘Manoel’ espera em depósito definição sobre lugar

Estátua de bronze ainda não tem destino

Izabela Sanchez e Leonardo Rocha
Manoel, em bronze, acumula poeira enquanto decidem sobre destino para instalar obra (Marina Pacheco)Manoel, em bronze, acumula poeira enquanto decidem sobre destino para instalar obra (Marina Pacheco)

Bairro distante e rua batida de terra que termina com aparência de que chegou-se a algum local sem rumo. É ali, em depósito locado pela Prefeitura de Capital, que descansa a figura imortalizada de um dos poetas mais notórios da geração moderna: Manoel de Barros. A estátua que eterniza o criador de versos mais famoso de Mato Grosso do Sul é do artista Victor Henrique Woitschach, que a fez aos moldes da icônica imagem de Carlos Drummond de Andrade, no Rio de Janeiro. Em Campo Grande, no entanto, Manoel em bronze olha para uma paisagem feia e acumula poeira.

A estátua mobilizou o poder público e teve todas as merecidas pompas em cerimônia para apresentá-la, em abril. Até o governador, Reinaldo Azambuja, foi visto sentado ao lado do poeta. Hoje, no entanto, a falta de consenso sobre o lugar onde a obra pode ser instalada faz com que estátua que homenageia Manoel fique bem distante da paisagem que era tão cara ao poeta: natureza, árvores e passarinhos.

O depósito guarda objetos que destoam de uma obra de arte: materiais velhos, uma motocicleta, e talvez o mais melancólico deles: Manoel tem os olhos voltados para uma pilha de colchões. A estátua fica em um canto do depósito, em meio à duas placas compensadas de maneira, uma provável tentativa de proteger a obra de qualquer intempérie.

Maneol olha para uma pilha de colchões no depósito (Marina Pacheco)Maneol olha para uma pilha de colchões no depósito (Marina Pacheco)

O impasse ocorreu após a decisão de colocar a estátua na principal avenida, e cartão postal da cidade, a Afonso Pena. O canteiro da via é patrimônio histórico tombado e o trecho escolhido para colocá-la foi entre as ruas 13 de maio e Rui Barbosa, sítio arqueológico do Exército.

Foi justamente com os militares que o poeta encontrou sua barreira: parte das autarquias do poder público entende que aquele exato local, por ser local protegido e histórico ao Exército, não poderia receber Manoel.

Assim entendeu o MPE (Ministério Público Estadual) que primeiro emitiu recomendação e depois, de fato, judicializou a questão. O juiz David de Oliveira Gomes Filho, titular da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos entendeu da mesma forma e acatou o pedido, proibindo que a estátua fosse instalada no trecho em questão.

Manoel pode fica na Afonso Pena?

O juiz até citou um dos poemas mais famosos do Brasil, 'José', de Carlos Drummond, para introduzir a decisão: 'E agora, Mané?', uma alusão ao nome do poeta sul-mato-grossense. O magistrado, ainda assim, pontuou que não há problema em colocar a estrutura de bronze em outro trecho do canteiro, mesmo entendimento do MPE. Novamente, no entanto, esse entendimento não virou consenso.

Quando ainda era recomendação, o parecer do MPE pontuou que a administração municipal poderia escolher outro trecho, desde que tivesse em mãos os pareceres da Sectur (Secretaria Municipal de Cultura e Turismo) e do IHGMS (Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul. Este último não concorda com a intervenção no canteiro histórico para a Capital de Mato Grosso do Sul.

Pensa diferente, no entanto, o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) que emitiu parecer dizendo que Manoel em bronze poderia, sim, ser colocado na Avenida Afonso Pena, porque o simples tombamento do canteiro como patrimônio histórico e cultural não representa impedimento.

Local onde fica o depósito que guarda a estátua (Marina Pacheco)Local onde fica o depósito que guarda a estátua (Marina Pacheco)

Quem cuida de Manoel?

A obra está sob os cuidados da Planurb até que se chegue a um acordo ou com uma nova decisão de destino que não seja marcada por alguma contrariedade ou proibição. Por meio da assessoria de imprensa, a diretora-presidente da Planurb, Berenice Maria Jacob Domingues, afirmou que a questão está sendo tratada pela prefeitura municipal de Campo Grande, junto com a Procuradoria-Geral do Município.

"Ela (estátua) já foi levada do Museu faz um bom tempo. Estou indignada com a falta de respeito com o artista Victor Henrique Woitschach, que fez a obra e com o próprio Manoel de Barros. Infelizmente a nossa cultura está tristemente representada", disse a diretora-presidente do Marco, Lucia Monte Serrat.

Também por meio da assessoria de imprensa, o Planurb afirmou que a Sectur já emitiu laudo favorável sobre a intervenção do canteiro "para acréscimo de algo/ou modificação".

A prefeitura tem 60 dias para achar um destino final para o poeta de bronze. Enquanto isso, a única coisa que o poeta criado com passarinhos encontra como o homenagem é a rua onde fica o depósito, que compartilha com ele o nome: Rua Manoel Nóbrega.




Coloquem a estátua do Poeta, na Av. do Poeta, nos altos da Av. Afonso Pena. Lá as belas poesias deixadas por ele, já estão presentes completando a beleza do lugar.

Vi uma reportagem em que o prefeito sugeria colocá-la em frente ao "bar do Zé" achei deselegante com a história do Dr. Manoel, que pelas poesias não demonstra ter sido um boemio, mas sim um Poeta das miudezas, grande admirador da natureza.
 
Cleunice em 12/09/2017 08:56:56
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