"Estamos mendigando segurança", diz presidente da Associação Comercial
Encontro reuniu lideranças empresariais e representantes da Guarda Civil Metropolitana de Campo Grande
Mais uma vez, a segurança pública dominou as discussões entre empresários de Campo Grande. Durante reunião realizada na manhã desta quarta-feira (1º), na ACICG (Associação Comercial e Industrial de Campo Grande), representantes do setor cobraram medidas mais efetivas do poder público e afirmaram que os comerciantes estão "mendigando segurança" diante da sequência de furtos, roubos e da presença de usuários de drogas na região central.
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Empresários de Campo Grande se reuniram na ACICG nesta quarta-feira (1º) para cobrar medidas de segurança pública, relatando furtos, roubos e presença de usuários de drogas no Centro. O presidente da entidade, Omar Aukar, afirmou que os comerciantes estão "mendigando segurança". O vereador André Salineiro anunciou audiência pública para debater o tema e a reivindicação da GCM pelo adicional de periculosidade.
O encontro reuniu lideranças empresariais, representantes da GCM (Guarda Civil Metropolitana) e integrantes do sindicato da categoria. Além de debater os impactos da insegurança para o comércio, os guardas apresentaram reivindicações relacionadas ao pagamento do adicional de periculosidade e discutiram a estrutura da segurança municipal.
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Presidente da Associação Comercial, Omar Aukar afirmou que a segurança se tornou uma pauta permanente nas reuniões da entidade, superando até demandas tradicionais do comércio, como estacionamento e mobilidade no Centro.
"Estamos mendigando segurança", afirmou. Para ilustrar a cobrança, comparou a situação à contratação de um vigilante particular. Segundo ele, se um profissional contratado para proteger uma residência não desempenha bem a função, é substituído. "O empresário paga impostos e uma das obrigações do poder público é garantir segurança. Mas entramos e saímos das reuniões discutindo o mesmo problema, e ele não é resolvido."
Omar lembrou que, em uma reunião realizada no ano passado para discutir demandas do Centro, a expectativa era de que os principais assuntos fossem estacionamento e parquímetro. No entanto, a segurança tomou conta dos debates. "Hoje, quem consegue andar na rua após as 22 horas se sentindo realmente seguro? As pessoas saem sempre preocupadas", afirmou.
O presidente também defendeu uma atuação mais firme contra a receptação de materiais furtados. "O ladrão entra em um comércio para roubar fiação porque sabe que existe alguém comprando esse material. É preciso chegar ao receptador."

A empresária Luciane Costadele afirmou que o problema exige uma atuação integrada entre forças de segurança e demais órgãos públicos. Proprietária do Depósito Copacabana e de um escritório na Avenida Bandeirantes, ela relata conviver diariamente com pessoas em situação de vulnerabilidade que permanecem em uma praça da região.
Na avaliação dela, parte desse grupo é cooptada pelo tráfico de drogas e acaba praticando furtos para sustentar o vício. Por isso, defende que o enfrentamento vá além da repressão policial.
Luciane acredita que a Polícia Civil deve reforçar o trabalho de inteligência para identificar os locais onde materiais furtados são comercializados e desarticular esses pontos. Também defende maior fiscalização da Prefeitura sobre empresas que compram cabos e sucatas de origem suspeita, além da ampliação de políticas públicas voltadas ao atendimento de pessoas em situação de rua e dependentes químicos.
"Aqueles que precisam de tratamento devem ser encaminhados para programas sociais. Quem está envolvido com o tráfico precisa responder criminalmente. Enquanto município, Estado e União não atuarem de forma integrada, vamos continuar enxugando gelo", afirmou.
Os empresários também reclamaram da reincidência de pequenos furtos e da sensação de impunidade. Para eles, combater a receptação, fortalecer a inteligência policial e ampliar as políticas de assistência social são medidas essenciais para reduzir a criminalidade.
Também participou da reunião o vereador André Salineiro (PP), presidente da Comissão Permanente de Segurança Pública da Câmara Municipal. Durante o encontro, ele anunciou que irá convocar uma audiência pública para debater a segurança na região central e a reivindicação da Guarda Civil Metropolitana pelo pagamento do adicional de periculosidade.
A reportagem procurou a Polícia Militar para saber como é realizado o patrulhamento na região central da Capital e quais medidas vêm sendo adotadas para reforçar a segurança. Até a publicação desta matéria, a corporação não havia se manifestado.

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