Experiência de Campo Grande ajuda a aperfeiçoar sistema nacional do SUS
Implantado nas 104 unidades da rede, projeto acompanha estoques, consumo e entrega de remédios em tempo real

Campo Grande apresenta nesta quinta-feira (10), em Brasília, a experiência de implantação do e-SUS Assistência Farmacêutica, plataforma criada pelo Ministério da Saúde para controlar estoques, distribuição e entrega de medicamentos na rede pública.
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Campo Grande apresenta em Brasília sua experiência com o e-SUS Assistência Farmacêutica, sistema do Ministério da Saúde para controlar estoques e distribuição de medicamentos. O município foi o primeiro a implantar a plataforma integralmente, em 50 dias, nas 104 unidades da rede pública. O sistema permite monitorar estoques em tempo real e foi integrado a uma ferramenta de Business Intelligence para ampliar a capacidade de análise dos dados.
O secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela, foi convidado a detalhar o projeto durante reunião do Conselho Nacional de Saúde. Segundo a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), Campo Grande foi o primeiro município do país a implantar integralmente o sistema, incluindo a assistência básica e os medicamentos fornecidos por decisão judicial.
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A implantação alcançou as 104 unidades da rede municipal. O cronograma inicial previa três meses de trabalho, mas o processo foi concluído em 50 dias. UPAs (Unidades de Pronto Atendimento), USFs (Unidades de Saúde da Família) e CAPS (Centros de Atenção Psicossocial) receberam configurações específicas, de acordo com os serviços prestados, a complexidade e a movimentação dos estoques.
Na prática, o sistema permite saber quais medicamentos estão disponíveis, quanto cada unidade consome, onde existem divergências de estoque e quais produtos precisam ser repostos. As informações podem ajudar a evitar desperdícios, reduzir falhas no abastecimento e direcionar os recursos para as unidades com maior demanda.
A tecnologia, entretanto, não fabrica nem compra remédios. Seu resultado dependerá da capacidade da gestão de usar os dados para antecipar a falta de produtos e garantir que o paciente não saia da unidade com uma receita na mão e sem o tratamento necessário.
“Quando conseguimos saber o que temos em estoque, o que está sendo dispensado, onde estão as necessidades e como os recursos estão sendo utilizados, estamos falando de gestão, mas também de cuidado com as pessoas”, afirmou Marcelo Vilela.
Antes da ativação, a prefeitura precisou preparar a infraestrutura para armazenar a base de dados, revisar os perfis de acesso e avaliar a integração com outros sistemas. Também foram atualizados os cadastros das unidades e dos profissionais, além da correspondência entre a Remume (Relação Municipal de Medicamentos) e as plataformas usadas anteriormente.
As equipes das farmácias municipais foram capacitadas durante a implantação. Segundo a farmacêutica Ariany Cândia, da Divisão de Assistência Farmacêutica, a plataforma permite acompanhar todo o caminho do medicamento, desde a entrada no estoque até a entrega ao paciente.
Um dos problemas encontrados foi a limitação dos relatórios fornecidos originalmente pelo e-SUS AF. Para ampliar a capacidade de análise, Campo Grande integrou à plataforma uma ferramenta de BI (Business Intelligence), que reúne e apresenta os dados da rede em tempo real.
O painel permite visualizar quantidade de pacientes atendidos, medicamentos dispensados, consumo mensal, estoques e possíveis divergências. A intenção é transformar os registros feitos diariamente nas farmácias em informações capazes de orientar compras, distribuição e reposição.
Durante o uso, os servidores também identificaram falhas e necessidades de ajustes. As observações foram encaminhadas ao Ministério da Saúde e contribuíram para o aperfeiçoamento da plataforma que deverá ser adotada por outras cidades.
Para Suetônio Queiroz, gerente de Projetos de Saúde Digital do Ministério da Saúde, a participação dos municípios permite corrigir problemas encontrados no atendimento real.
“A ideia é construir soluções de código aberto, que permitam ouvir os municípios e aperfeiçoar continuamente o sistema. Isso melhora a gestão dos estoques, amplia a transparência e reduz o tempo de atendimento ao usuário”, explicou.
A implantação do e-SUS AF ocorre dois meses depois de Campo Grande também ter sido escolhida para adotar integralmente o e-SUS Regulação, destinado à organização de consultas, exames e outros procedimentos.
Mais do que o pioneirismo anunciado pela prefeitura, o teste decisivo será percebido nos balcões das unidades. O sistema somente cumprirá sua função se os dados resultarem em estoques organizados, menos desperdício e medicamentos disponíveis no momento em que a população precisar.

