Feminicídio responde por 50% das mortes violentas de mulheres na Capital
Levantamento é do Gacep (Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial)

Levantamento do Gacep (Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial), do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), revela que 146 mulheres morreram de forma violenta em Campo Grande nos últimos dez anos e 74 (50,68%) foram vítimas de feminicídio.
RESUMO
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Em Campo Grande, metade das mortes violentas de mulheres nos últimos dez anos foi classificada como feminicídio, segundo levantamento do Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial (Gacep). Das 146 mortes registradas, 74 foram motivadas por questões de gênero. O ano de 2020 foi o mais crítico, com 19 ocorrências, sendo 12 feminicídios. A região do Anhanduizinho concentrou o maior número de casos, com 21 registros. Preocupa especialmente a morte de dez vítimas entre 0 e 17 anos, indicando necessidade de atenção especial à proteção de menores.
O relatório decorre de acompanhamento do Gacep em relação aos trabalhos da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) da Capital, depois da morte da jornalista Vanessa Ricarte, em fevereiro do ano passado. Conforme os dados, os demais 72 casos (49,32%) são de homicídios dolosos, o que inclui acidentes de trânsito, por exemplo.
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Os números pesquisados são de ocorrências da Deam de Campo Grande entre 2015 e outubro de 2025 e revelam ainda as regiões da cidade com maior percentual de casos e os anos com maior quantidade de ocorrências.
“O ano de 2020 destacou-se como o mais crítico, com 19 ocorrências, sendo 12 feminicídios. A região do Anhanduizinho (área-5) concentrou o maior número de feminicídios (21 casos), representando 29,2% do total no período de 2015 a 2025. A atuação da 1ª DEAM, responsável por 75% dos registros de feminicídio, evidencia a relevância da especialização no enfrentamento à violência contra a mulher”, destaca o documento.
Um dado que chamou atenção do Gacep foi a faixa etária de dez vítimas do período: entre 0 e 17 anos de idade. Para o grupo, isso mostra a “necessidade de atenção especial por parte das autoridades no atendimento à infância e adolescência, considerando que a negligência nesse acompanhamento pode contribuir para a perpetuação do ciclo de violência contra mulheres”.
Tais vítimas são tanto casos de assassinato por questões de gênero quanto de acidentes de trânsito e outras motivações. Segundo o Gacep, “dentro do total das ocorrências analisadas, algumas, mesmo que classificadas no agrupamento de “Homicídio Doloso”, tiveram como principal fator circunstancial “acidente de trânsito provocado por embriaguez””, totalizando oito casos em dez anos.
O documento foi encaminhado ao coordenador do Gacep, promotor Douglas Oldegardo Cavalheiro dos Santos com fins de recomendação de ações ao órgão analisado para “o fortalecimento das ações investigativas e interinstitucionais, com foco na melhoria dos mecanismos de registro, classificação e análise dos crimes, na responsabilização efetiva dos autores e na proteção integral das mulheres, especialmente aquelas em situação de vulnerabilidade desde a infância.”

